Na peça, uma mulher com maquiagem de palhaço lista supostos crimes cometidos pelos sócios do TC. As irregularidades apontadas pela atriz vão desde manipulação de mercado a assédios e estupro coletivo de funcionária dentro das dependências da empresa.
Durante a coletiva, o executivo do antigo Traders Club apresentou prints de possíveis conversas entre Miranda e Mesquita, em que os executivos armavam a divulgação do material incriminatório. As imagens dos diálogos no aplicativo WhatsApp teriam sido encaminhadas ao TC por um hacker. O objetivo dos principais representantes da casa de análises com o vídeo, segundo Albuquerque, seria aferir ganho financeiro com a queda dos papéis TRAD3.
Até março deste ano, a Vitreo (gestora ligada a Empiricus) tinha uma posição vendida de R$ 16,2 milhões nos papéis do TC, a maior até então. Na sequência de maiores apostas contra o ativo estão as gestoras Garde Asset e Kinea Investimentos, com R$ 6,8 milhões e R$ 1,2 milhão, respectivamente. Os dados são da plataforma TC/Economatica.
Analistas de mercado consultados pelo E-Investidor explicaram os impactos do conflito entre TC e Empiricus nesta reportagem
“Recebemos materiais seríssimos que atestam que Felipe Miranda e Caio Mesquita orquestraram um ataque contra o TC”, afirmou Albuquerque, durante a coletiva de imprensa. “Nenhuma empresa merece passar por isso. É absolutamente um pesadelo que estamos vivendo há muitos meses.”
O CEO do TC também citou na entrevista uma notícia vinculada na mídia de que o BTG, dono da Empiricus, estaria conduzindo uma investigação contra Miranda e Mesquita pelo vídeo anônimo. A informação é inverídica, segundo fontes ligadas ao mercado ouvidas pelo E-Investidor.
A Empiricus negou todas as acusações feitas por Albuquerque e questionou a autenticidade dos prints. “As conversas apresentadas, que alegadamente teriam sido encaminhadas ao TC por um hacker, não são verdadeiras e não representam uma interlocução entre os Srs. Caio Mesquita e Felipe Miranda, e entre esses com terceiros. Todas as medidas e providências cabíveis já estão sendo adotadas para a preservação dos seus direitos”, afirma a research, em comunicado.
É importante ressaltar que a briga entre Empiricus e TC se arrasta há alguns meses. O conflito se intensificou em 26 de outubro de 2021, quando a casa de análises publicou um relatório intitulado “10 motivos para shortear TRAD3’”. Além de valuation esticado, a research de Felipe Miranda questionou se sócios da plataforma, como Rafael Ferri (que teve o nome envolvido na Bolha do Alicate, por manipulação de mercado), estariam aptos a fazer análises já que não possuem certificação.
A direção do TC se pronunciou nas redes sociais e na imprensa, rebateu as questões apresentadas pelos analistas da Empiricus no relatório e o caso chegou até mesmo a parar na Justiça. Na época, o TC queria que a Empiricus reconhecesse que ambas as companhias são concorrentes e que colocasse essa informação nos relatórios a respeito de TRAD3, a fim de deixar claro um possível conflito de interesses.