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Mercado

Futuro presidente do BC enfrenta sabatina no Senado: o que o mercado espera de Galípolo

Indicado à presidência do Banco Central deve iniciar comando da instituição a partir do ano que vem

Por Jenne Andrade

08/10/2024 | 3:00 Atualização: 08/10/2024 | 14:49

Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central. (Foto: Felipe Rau/Estadão)
Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central. (Foto: Felipe Rau/Estadão)

O atual diretor de política monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, tem um compromisso importante nesta terça-feira (8), às 10h. Ele será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), em um evento transmitido ao vivo neste link.

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Essa sessão de perguntas é a primeira etapa do processo para chegar à presidência do BC – no final de agosto, o economista foi indicado pelo governo federal para comandar o órgão a partir de 1 de janeiro 2025, no lugar de Roberto Campos Neto, atual presidente. Após responder os questionamentos, o CAE votará pela aprovação ou não do nome de Galípolo. Depois, a indicação ainda deve ser apreciada pelo plenário.

A sabatina deve envolver perguntas técnicas e de visão pessoal, referente a situações com os quais Galípolo poderá se deparar no futuro exercício da função. Os cidadãos também podem enviar perguntas para serem lidas ao vivo pelos senadores. No site do Senado, já é possível ver algumas questões trazidas pelo público. Algumas delas são: “Como a dívida pública elevada pode afetar sua condução da política monetária?”, ou “Quais são os maiores riscos ao sistema financeiro brasileiro atualmente?”

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Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, aponta que a aprovação de Galípolo na sabatina já é praticamente certa. “Quando chega a data da sabatina, já está tudo entendido entre Executivo e Congresso para que sejam feitas perguntas que abram espaço para os congressistas falarem de temas que eles julguem importantes, mas que ao mesmo tempo não tragam nenhum tipo de bloqueio à indicação”, afirma o especialista. “É algo mais protocolar.”

Essa também é a visão de Denis Medina, economista e professor da Faculdade do Comércio. “Nada mais do que algumas perguntas técnicas e algumas também de ordem pessoal para ver se ele está apto a isso”, diz. “Não vejo chance de não passar. É uma pessoa competente, já veio de banco, está na diretoria do Banco Central já há alguns meses, já era cotado pelo mercado. É o trâmite mais suave que poderíamos esperar.”

Cartas marcadas na política. No mercado, ainda não

Ainda que politicamente o nome de Galípolo já esteja “aprovado”, o mercado ainda deve ficar muito atento às respostas do futuro presidente do Banco Central na sabatina. Segundo Matheus Pizzani, economista da CM Capital, dois temas são centrais para a sessão de perguntas desta terça (8): política monetária e política fiscal.

Em relação à política monetária, os investidores ficarão alertas para respostas que indiquem o comprometimento de Galípolo com o atingimento das metas de inflação de 3%, estabelecida para o primeiro de trimestre de 2026. Ou seja, logo após o término do primeiro ano de mandato do novo presidente.

“Perguntas que sejam indiretas, mas que tenham um impacto sobre esse tema, também podem acabar fazendo preço a depender das respostas do Galípolo”, ressalta Pizzani. Sobre a política fiscal, o especialista da CM Capital espera um posicionamento mais neutro do indicado à presidência do BC.

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“Acredito que Galípolo tenda a adotar uma postura mais institucional, não só para evitar reverberação negativa, mas pelo papel que ele vai ocupar”, diz Pizzani. “O presidente e os diretores do Banco Central não costumam opinar acerca de outros frontes da política econômica, especialmente a política fiscal – ainda que tenda a ser um assunto alvo de perguntas pelos parlamentares.”

Postura mais hawkish. Pelo menos, no início

Uma vez aprovado, a expectativa é de que Galípolo inicie o mandato com uma postura mais dura ou “hawkish”, no jargão do mercado. Isto significa que o economista deverá subir juros o suficiente para pressionar a inflação para baixo e fazer as expectativas voltarem a convergir. De acordo com o último Boletim Focus, relatório que traz as perspectivas de agentes financeiros em relação a indicadores econômicos, a inflação deve ser de 3,97% em 2025 e 3,6% em 2026, fora da meta de 3%.

Entretanto, ainda resta a dúvida sobre qual será a postura dele pós esse período esperado de “lua de mel” com o mercado. Vale lembrar que o economista era visto como “heterodoxo”, mais tolerante com a inflação e com gastos, e alinhado ao governo.

“Existe, sim, uma desconfiança de que a partir de 2026 ele atenda um pouco mais a parte política. No sentido de levar a taxa de juros para um patamar um pouco menor do que Roberto Campos Neto, atual presidente, levaria. Mas nada muito absurdo”, diz Cruz.

Já para Medina, economista e professor da Faculdade do Comércio, a transição de Campos Neto para Galípolo deve acontecer sem muitas surpresas, considerando as indicações dadas até o momento. Ele relembra que nas últimas reuniões do BC, toda a diretoria votou em unanimidade, o que indica, sendo o especialista, que todos estão de acordo com o que está sendo feito em termos de política monetária.

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No último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), por exemplo, todos os membros do colegiado votaram pelo aumento da taxa básica de juros Selic de 10,5% para 10,75% ao ano.

  • Leia também: Selic a 10,75% – veja 8 ações que podem se beneficiar com a alta de juros

“A expectativa do mercado em relação à Galípolo no comando do BC é pela manutenção do que temos. Isto é, a preocupação com o que é de competência do Banco Central, a proteção da moeda e prevenção de inflação”, afirma Medina. “Vejo que vai ser uma sabatina tranquila, sem surpresas para o mercado. Já estamos observando e esperando isso há muito tempo.”

 

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