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Mercado

Por que as ações do Pão de Açúcar e IRB despencaram no semestre

Por motivos diferentes, ativos acumularam desvalorizações de 33,77% e 29,46%

Por Jenne Andrade

01/07/2021 | 13:57 Atualização: 01/07/2021 | 16:20

Ações passam por um ajuste de posições, após as valorizações na semana passada. (Foto: Envato Elements)
Ações passam por um ajuste de posições, após as valorizações na semana passada. (Foto: Envato Elements)

No 1° semestre de 2021, duas ações foram as grandes campeãs de queda. Os papéis do Grupo Pão de Açúcar acumularam a maior baixa, de 33,77%, enquanto IRB registrou perdas de 29,46%, segundo a Economatica. Apesar de os ativos estarem juntos na ponta negativa, os motivos por trás dos desempenhos e as perspectivas para cada um são bem diferentes.

Leia mais:
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Em relação ao Pão de Açúcar (PCAR3), por exemplo, a queda expressiva vem de eventos societários. No dia 1º de março, o grupo fez a cisão do braço de atacarejo Assai (ASAI3), que passou a ser negociado de forma separada na B3. Enquanto os papéis ASAI3 subiram mais de 380% na data, cotados a R$ 71,40, os papéis PCAR3 despencaram mais de 71,89% no pregão, passando de R$ 83 para R$ 23,33.

Apesar das quedas e altas aparentemente expressivas, na verdade se tratou de um efeito contábil. O mercado reprecificou os ativos, conforme o valor de mercado das companhias – que agora atuam em negócios separados. “Foi uma divisão do valor. Quem tinha 100 ações do GPA antes da cisão, passou a ter 100 ações do GPA e 100 ações do Assaí depois da cisão”, explica Mario Goulart, analista CNPI da O2 Research.

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Desde o dia 2 de março, após a separação, as ações do Pão de Açúcar valorizaram 64,38%. Até o fechamento da última quarta-feira (30), estavam sendo negociados a R$ 38,66. A ASAI3 também saltou 19,05% após a separação com o GPA. “Acabou sendo um bom negócio para quem tinha os papéis. É ilusório pensar apenas no tamanho da queda do PCAR3 ou na alta do ASAI3, porque foi um desmembramento das ações”, explica Goulart.

Além disso, eventos recentes devem beneficiar os papéis PCAR3 . O grupo francês Casino, que atualmente detém 41,2% do GPA, pode se desfazer da sua participação na empresa. A movimentação abriria espaço para os empresários Abilio Diniz, ex-dono do Pão de Açúcar, e Michael Klein, da Via Varejo, assumirem a posição de controladores.

A Ativa Investimentos, que tem recomendação de compra para a PCAR3, vê a possível troca de controladores como positiva para a companhia. “Vemos essa movimentação como positiva para os papéis de GPA, uma vez que na nossa visão teríamos o fim de possíveis conflitos de interesse entre a diretoria que toca hoje GPA e seu acionista majoritário, o Grupo Casino”, explica Pedro Serra, gerente de research da casa, em comunicado à imprensa.

A Toro Investimentos também tem recomendação de compra para os papéis e vê a queda após a cisão, como exagerada. “O Pão de Açúcar tem outras operações, inclusive o Grupo Êxito, do segmento internacional, que sozinho já corresponderia ao valor de mercado precificado para o GPA após a separação do Assaí. Sem falar que é um setor defensivo, baixa alavancagem, essencial”, explica Lucas Carvalho, analista da casa.

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Já a Flávia Meireles, analista da Ágora Investimentos, tem visão neutra para PCAR3. “Temos recomendação de compra para Assaí, Carrefour e Grupo Mateus. No Brasil, o formato de atacarejo é o mais eficiente dentro do segmento de varejo alimentar, por isso reforçamos a atratividade dessas ações que focam mais no atacarejo”, afirma. “Também vemos o valuation do GPA menos atraente em relação aos pares.”

IRB e a crise de imagem

As ações do IRB (IRBR3) estão novamente entre as maiores quedas do semestre. Nos primeiros seis meses de 2021 a desvalorização dos papéis foi de 29,46%, o que fez a cotação sair de R$ 7,89 em janeiro para R$ 5,75 no último dia de junho.

O ressegurador já veio de uma queda vertiginosa iniciada em fevereiro do ano passado, quando a gestora Squadra apontou indícios de irregularidades nas práticas contábeis da companhia, com a possibilidade dos resultados terem sido inflados. Foi o pontapé inicial para a crise dentro do IRB. Posteriormente, fraudes contábeis foram confirmadas, balanços de 2019 e 2018 tiveram que ser republicados com diferença de R$ 670 milhões nos lucros. Executivos também acabaram sendo investigados por pagamentos irregulares em bônus de R$ 60 milhões e divulgação de informações falsas ao mercado financeiro.

O investidor que carregou os papéis IRBR3 desde janeiro de 2020, quando os ativos valiam R$ 36,25, viu o dinheiro esfarelar, com uma perda de 83,7%. Durante o ano passado, o IRB teve prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão, ante lucro de R$ 1,2 bilhão em 2019. Entretanto, em 2021, o Instituto de Resseguros do Brasil apresenta alguns sinais de melhora.

No 1º trimestre deste ano, a empresa registrou lucro líquido de R$ 50,8 milhões. “O que acontece no IRB é uma questão de confiança. O IRB ficou com a imagem arranhada desde a revelação da Squadra e vai demorar um tempo até as pessoas deem crédito novamente para a empresa”, afirma Goulart. “Mas a lucratividade melhorou, fizeram uma reestruturação saindo de contratos não lucrativos e etc.”

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Entretanto, é difícil dizer se os papéis do ressegurador têm potencial para voltar ao nível de antes das descobertas das fraudes. “A Squadra mostrou que os múltiplos deles eram completamente não condizentes (muito maiores) com os múltiplos de outras empresas de resseguros no mundo”, afirma Goulart. “Algumas avaliações da companhia apontam que o valor atual refletiria bem a situação da empresa nesse momento, com um viés começando a ficar positivo.”

Veja a lista completa de ações que mais caíram no semestre:

As 10 ações que mais caíram no semestre
Empresa Ativo Desvalorização no 1º sem/2021
Pão de Açúcar PCAR3 -33,77%
IRB IRBR3 -29,46%
Eztec EZTC3 -26,53%
Ultrapar UGPA3 -20,73%
BB Seguridade BBSE3 -20,72%
Tim TIMS3 -20,39%
Cyrela CYRE3 -17,30%
Lojas Americanas LAME4 -17,03%
Sabesp SBPS3 -16,91%
SulAmérica SULA11 -16,52%
Fonte: Economatica

 

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