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Mercado

Ibovespa fecha o ano aos 120 mil pontos, com perdas de 4,28% em dezembro

Principal índice da bolsa fecha 2024 com queda de 10,36%, pressionado por crise fiscal e fuga de capitais

Por Leo Guimarães

30/12/2024 | 19:54 Atualização: 30/12/2024 | 19:55

Fuga de capitais desvaloriza o real, intensifica a inflação e exige mais altas de juros. Foto: AdobeStock
Fuga de capitais desvaloriza o real, intensifica a inflação e exige mais altas de juros. Foto: AdobeStock

O Ibovespa fechou o último pregão do ano nesta segunda (30) de lado, oscilando 0,01% e fechando o ano aos 120.283 pontos. É o fim do ciclo de um ano em que o principal índice da bolsa brasileira recuou 10,36%, com perda de 4,28% em dezembro, pior do que os resultados dos meses de novembro (-3,12%), outubro (-1,60%) e setembro (-3,08%).

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No último mês do ano, a bolsa foi particularmente pressionada pelo pessimismo do mercado em relação ao compromisso do governo com o quadro fiscal do país, após o desastroso anúncio do pacote de contenção de gastos do ministro da Fazenda Fernando Haddad no final de novembro. “Com o dólar em máximas históricas e os juros também em alta, a bolsa tem sido o patinho feio do investidor, principalmente do institucional brasileiro, que até o dia 24 de dezembro retirou cerca de R$ 8 bilhões da B3 em vendas líquidas”, observa Matheus Amaral, especialista em renda variável do Inter.

  • Leia mais: Bolsa fecha o ano no negativo: da incerteza fiscal aos juros altos, o que pesou no Ibovespa em 2024

Por outro lado, o investidor estrangeiro apresentou um fluxo positivo na B3 (B3SA3), com R$ 2,9 bilhões no mês, o que não se via desde agosto, mas bem abaixo do volume de entrada de R$ 17 bilhões de dezembro de 2023.

“A bolsa começa a chamar a atenção de estrangeiros, mesmo que o movimento ainda seja pequeno. Isso demonstra que há um interesse crescente, embora cauteloso, por parte de investidores externos”, observa Alan Martins, analista Nova Futura. O especialista reforça que há ações baratas, “inclusive ativos de crescimento, com valores bem atrativos”. Para ele, o movimento só não é maior porque a renda fixa mostra mais atratividade. “Quem vai tomar risco de bolsa se tem CDB pagando 16,5% na renda fixa?”, questiona.

EUA atrai capital, Brasil expulsa

Num contexto geral, a posse de Donald Trump, em janeiro, impulsiona o mercado dos EUA com a expectativa de protecionismo e dólar mais forte, com o banco central americano (Federal Reserve, o Fed) perdendo o ímpeto por cortes de juros maiores. Isso retém o capital nos EUA.

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No Brasil, a crise fiscal se agravou, com o mercado pedindo mais juros, avaliando como insuficientes os cortes no orçamento. “O macro foi o principal fator que impactou nossos ativos de risco no mês”, resume Paula Zogbi, gerente de Research e head de conteúdo da Nomad.

A dominância fiscal foi um tema que entrou com força em dezembro. O temor é de perda do controle da inflação, mesmo com juros subindo, enquanto gastos públicos aquecem a economia, pressionando salários e preços. Essa perspectiva gera nova fuga de capitais que desvaloriza o real, intensifica a inflação e exige mais altas de juros. Analistas já falam em Selic a 16% ao ano em 2025.

“Do ponto de vista do fiscal, temos um cenário bem parecido com o do segundo mandato da Dilma, mas há um crescimento da atividade econômica em ritmo moderado e desemprego baixo”, avalia Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCI Invest. “O que o mercado espera é que o governo comprove que as metas do arcabouço são possíveis de cumprir”, conclui.

Postura cautelosa do investidor

Diante dessa conjuntura,  Vinícius Rodrigues, especialista em investimentos CEA do Grupo Fractal, orienta os investidores a adotar uma postura cautelosa nos próximos meses, acompanhando de perto as movimentações políticas e econômicas. “Diversificar a carteira e dolarizar parte do patrimônio são estratégias importantes para mitigar os efeitos da desvalorização cambial. Por outro lado, os juros reais, atualmente na faixa de 8%, apresentam oportunidades atrativas”, comenta.

Idean Alves, planejador financeiro e especialista em mercado de capitais lembra que o Ibovespa passou grande parte do ano estagnado em 2024. “Apesar de lucros entregues por muitas empresas, os resultados ficaram abaixo das expectativas, ou com projeções futuras pouco promissoras, o que pesou no índice.”

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Setores como bancos, aviação, varejo, saúde e as gigantes Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3, PETR4) tiveram quedas significativas. Em contrapartida, empresas de proteína (JBS, Marfrig e BRF) e de papel e celulose (Klabin e Suzano) destacaram-se positivamente. “A baixa performance das principais ações foi o principal fator da retração de 10,36% do Ibovespa no ano”, comenta Alves.

Notícias positivas virariam o jogo

Matheus Amaral, especialista em renda variável do Inter, avalia que qualquer notícia positiva poderá gerar uma forte correção positiva em todos os setores. “O longo prazo tende a recompensar a paciência, especialmente em momentos de recuperação”, comenta.

Ele sugere que os investidores do Ibovespa mais cautelosos podem explorar setores como o financeiro (principalmente seguradoras), exportador, indústria e utilities. “Já para aqueles dispostos a assumir maiores riscos, o setor imobiliário pode se mostrar promissor, enquanto o de consumo demanda uma seleção criteriosa de ativos (stock picking)”.

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