O petróleo voltou a disparar. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para abril fechou em alta de 9,74% a US$ 95,73 o barril. Já o Brent para maio subiu 9,21% a US$ 100,46 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou hoje que o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado e prometeu “vingança” pelas mortes iranianas na guerra com os Estados Unidos.
“No fim, o ponto central é que o mercado está olhando para a guerra. Enquanto não houver algum sinal mais claro sobre os próximos passos do conflito, a leitura predominante é de um cenário inflacionário e, ao mesmo tempo, com risco recessivo”, afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
No Brasil, o destaque da agenda foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que ficou em 0,7%, 0,37 ponto percentual acima da taxa de 0,33% registrada em janeiro. O resultado veio acima da mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de avanço de 0,63%. O teto das projeções era de 0,72% e o piso era de 0,20%.
Segundo Marços Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, o mercado opera com uma combinação tóxica: petróleo em alta, inflação pressionada, dólar forte, juros subindo e perda de apetite por risco. “O ponto central agora é que já não se trata apenas de um evento geopolítico isolado. O fechamento de Ormuz, os ataques a petroleiros e o discurso mais agressivo da nova liderança iraniana colocam em xeque o equilíbrio energético global e tornam o cenário muito mais difícil tanto para os bancos centrais quanto para os ativos de risco”, avalia.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq caíram 1,52%, 1,56% e 1,78%, respectivamente. O dia foi negativo para o setor bancário americano. O Morgan Stanley cedeu 4,05%, após limitar os resgates em um de seus fundos de crédito privado depois que investidores tentaram retirar quase 11% dos ativos em circulação, segundo a Bloomberg. O Goldman Sachs sofreu baixa de 4,4% e o Citigroup recuou 3,4%.
O dólar hoje fechou em alta de 1,61% cotado a R$ 5,2423. “A valorização da moeda americana nesta sessão reflete principalmente a deterioração do ambiente externo, marcada pela escalada das tensões no Oriente Médio e pelo avanço do petróleo”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram SLC Agrícola (SLCE3), MBRF (MBRF3) e Petrobras (PETR3).
SLC Agrícola (SLCE3): 4,34%, R$ 17,56
As ações da SLC Agrícola (SLCE3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 4,34% a R$ 17,56. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 70,8 milhões no quarto trimestre de 2025, ampliando a perda de R$ 51,4 milhões apurada em igual período de 2024. Apesar do resultado negativo no trimestre, a receita líquida somou R$ 2,27 bilhões entre outubro e dezembro, crescimento de 15% na comparação anual.
A SLCE3 está em alta de 6,55% no mês. No ano, acumula uma valorização de 23,06%.
MBRF (MBRF3): 3,16%, R$ 16,99
Quem também se saiu bem foi a MBRF (MBRF3), com alta de 3,16% a R$ 16,99. A companhia apagou parte das perdas do último pregão, quando tombou 4,24%.
A MBRF3 está em baixa de 17,84% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 14,96%.
Petrobras (PETR3): 1,45%, R$ 49,65
Completando os destaques positivos, as ações da Petrobras (PETR3) subiram 1,45% a R$ 49,65. Na véspera, já haviam avançado 4,89%, entre as principais altas do Ibovespa.
A PETR3 está em alta de 16,19% no mês. No ano, acumula uma valorização de 52,44%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Yduqs (YDUQ3), CSN (CSNA3) e Embraer (EMBJ3).
Yduqs (YDUQ3): -14,83%, R$ 10,28
Os papéis da Yduqs (YDUQ3) sofreram a pior queda do dia e derreteram 14,83% a R$ 10,28. A empresa reportou prejuízo líquido de R$ 49,5 milhões no quarto trimestre, revertendo o lucro líquido de R$ 13,8 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
Na avaliação do BTG Pactual, a companhia divulgou um conjunto fraco de resultados, atingindo o limite inferior de sua projeção de fluxo de caixa livre (FCF) para 2025, de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões.
A YDUQ3 está em baixa de 22,53% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 15,53%.
CSN (CSNA3): -14,45%, R$ 6,1
A CSN (CSNA3), por sua vez, cedeu 14,45% a R$ 6,1. A companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 721 milhões no quarto trimestre de 2025. O resultado negativo veio 748% maior do que os R$ 85 milhões negativos reportados em igual período de 2024.
A XP aponta que a alavancagem da companhia, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), continua sendo uma das principais preocupações entre os investidores. O indicador aumentou para aproximadamente 3,5 vezes, ante 3,1 vezes no terceiro trimestre de 2025.
A CSNA3 está em baixa de 29,23% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 31,77%.
Embraer (EMBJ3): -11,01%, R$ 74,73
Outro destaque negativo do Ibovespa hoje foi a Embraer (EMBR3), com baixa de 11,01% a R$ 74,73.
A EMBJ3 está em baixa de 19,14% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 15,65%.
*Com Estadão Conteúdo