O petróleo hoje voltou a acelerar nesta quinta-feira (12) e se aproximou novamente da marca dos US$ 100 por barril, à medida que a guerra no Oriente Médio aprofundou os temores de uma ruptura relevante na oferta global da commodity.
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O petróleo hoje voltou a acelerar nesta quinta-feira (12) e se aproximou novamente da marca dos US$ 100 por barril, à medida que a guerra no Oriente Médio aprofundou os temores de uma ruptura relevante na oferta global da commodity.
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Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 8,50% a US$ 81,01 o barril. Já o Brent para maio encerrou em valorização de 4,93% a US$ 85,41 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Na bolsa brasileira, a disparada do “ouro negro” teve reflexo mais contido nas petroleiras. A Petrobras (PETR3; PETR4) subiu 1,45% nas ações ordinárias, a R$ 49,65, enquanto os papéis preferenciais avançaram 0,45%, a R$ 45.
Entre as demais companhias do setor, a desvalorização foi regra. Prio (PRIO3) recuou 0,25%, a R$ 59,5, movimento acompanhado por Brava Energia (BRAV3), também em queda de 6,72%, a R$ 18,32. PetroReconcavo (RECV3) perdeu 0,23% a R$ 12,86, destoando da forte alta da commodity no exterior.
A escalada ocorre depois de um alerta contundente da Agência Internacional de Energia (AIE), que classificou os efeitos do conflito como a maior interrupção de oferta já registrada no mercado global de petróleo. Em relatório mensal divulgado nesta quinta-feira, a entidade, sediada em Paris e que reúne grandes países consumidores de energia, revisou drasticamente suas projeções para a oferta da commodity neste ano.
A agência agora espera crescimento de 1,1 milhão de barris por dia na oferta global em 2026, bem abaixo da estimativa anterior de 2,4 milhões de barris por dia. A revisão reflete os impactos diretos da guerra sobre a produção e a logística de petróleo.
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Segundo o relatório, a produção mundial deve sofrer uma queda abrupta já no mês de março. A previsão é de que a oferta global recue 8 milhões de barris por dia em março, para 98,8 milhões de barris diários, o menor nível desde o primeiro trimestre de 2022.
Boa parte dessa tensão passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do sistema energético global. Cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo passa pelo corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico. Com ataques do Irã contra navios cargueiros e infraestrutura energética na região, a passagem tem operado de forma extremamente limitada.
Diante do agravamento das tensões na região, o Iraque já começou a buscar rotas alternativas para manter suas exportações. Segundo o ministro do Petróleo do país, Hayyan Abdul Ghani, os embarques pelos portos do sul foram interrompidos e o governo negocia o uso do oleoduto turco de Ceyhan, além de estudar o envio de até 200 mil barris por dia por navios-tanque via Turquia, Síria e Jordânia.
Produtores relevantes do Golfo, como Kuwait e Iraque, já começaram a reduzir a produção, enquanto a Arábia Saudita tenta redirecionar parte dos fluxos por rotas alternativas. A AIE reconhece ainda que o choque de oferta pode ter consequências amplas sobre a economia global.
O aumento do preço da energia tende a pressionar a inflação e reduzir o ritmo de consumo.
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A agência também revisou para baixo sua estimativa de crescimento da demanda global por petróleo em 2026. A projeção agora aponta alta de 640 mil barris por dia, abaixo da estimativa anterior de 850 mil barris.
Na última quarta-feira, a AIE anunciou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, no maior movimento coordenado da história para tentar conter a disparada dos preços.
O impacto da escalada do petróleo também preocupa economistas na Europa. Em avaliação do banco suíço Lombard Odier, um agravamento do conflito, especialmente com fechamento prolongado de Ormuz, poderia empurrar a região para uma recessão, dada a forte dependência europeia de importações de energia.
O cenário base do banco ainda prevê um choque temporário nos preços, mas a instituição alerta que uma alta prolongada do petróleo tende a pressionar a inflação e limitar a capacidade de reação do Banco Central Europeu.
No Brasil, o avanço do petróleo também levou o governo a anunciar medidas para tentar conter o impacto sobre o preço do diesel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo vai zerar as alíquotas de PIS e Cofins na importação e na comercialização do combustível, além de criar um imposto sobre a exportação de petróleo bruto. A arrecadação dessa taxa será usada para financiar uma subvenção ao diesel, destinada a produtores e importadores do combustível.
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O pacote inclui ainda um decreto com medidas de transparência e fiscalização para coibir especulação e preços abusivos, segundo o governo. A subvenção será operada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e dependerá da comprovação de que o benefício foi repassado ao consumidor final. Ao anunciar as medidas, Lula afirmou que o objetivo é evitar que a disparada do petróleo no mercado internacional se traduza imediatamente em alta do diesel no Brasil.
Com informações da Broadcast
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