Ibovespa hoje monitorou dados de inflação. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje teve a terceira maior queda diária do ano. O principal índice da B3 sofreu baixa de 2,55% aos 179.284,49 pontos nesta quinta-feira (12). A perda só não foi maior que a queda de 3,28% registrada no dia 3 de março e a de 2,64% observada em 5 de março.
O mercado refletiu um ambiente global mais cauteloso, pressionado pela escalada da guerra no Oriente Médio, que impulsiona os preços do petróleo e amplia temores inflacionários. Apesar da previsão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a ofensiva norte-americana e de Israel contra o Irã terminaria em breve, a troca contínua de ataques deixa os investidores em alerta. Além disso, teve o resultado de inflação acima do esperado.
No radar dos investidores, também estiveram balanços corporativos de empresas. A Yduqs (YDUQ3) liderou as baixas do pregão. A empresa de educação reportou prejuízo líquido de R$ 49,5 milhões no quarto trimestre, revertendo o lucro líquido de R$ 13,8 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
Entre as ações de primeira linha, apenas as de Petrobras (PETR3, +1,45%, PETR4 +0,45%) conseguiram escapar do tom negativo que prevaleceu desde a manhã, acompanhando a uma boa distância o petróleo. Principal ação do Ibovespa, Vale (VALE3) fechou em baixa de 0,76%. As perdas entre os grandes bancos, setor de maior peso no índice, chegaram a 4,44%, em Santander (SANB11), no fechamento. Na ponta ganhadora do Ibovespa, além de Petrobras, destaque também para SLC Agrícola (+4,34%), MBRF (+3,16%) e Braskem (+1,33%) – apenas sete dos 85 papéis que compõem a carteira teórica fecharam o dia em alta.
Petróleo tem nova disparada
No cenário externo, a disparada do petróleo concentrou a atenção do mercado. Durante a madrugada, o Brent chegou a superar os US$ 100 por barril com a escalada de ataques no Oriente Médio e o risco de interrupção no fluxo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial da commodity.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 9,74% a US$ 95,73 o barril. Já o Brent para maio subiu 9,21% a US$ 100,46 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
A Agencia Internacional de Energia (AIE) revisou para baixa a previsão de crescimento da oferta global de petróleo para 1,1 milhão de barris por dia (bpd) em 2026, ante estimativa anterior de 2,4 milhões de bpd. Segundo o órgão, todo o aumento da oferta deverá vir de países fora da aliança Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+), já que o conflito pode levar grandes produtores do Golfo e reduzir a produção.
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Mesmo após a liberação recorde de 400 milhões de barris de reservas emergenciais, os preços seguem pressionados. Trump indicou que pode recorrer às reservas estratégicas norte-americanas para conter a alta e reduzir impactos inflacionários.
Ao mesmo tempo, o G7 discute a possibilidade de escolta naval na região, enquanto a União Europeia alerta que a inflação pode superar 3%. A agência Fitch estima que o choque do petróleo pode adicionar até 1,5 ponto percentual à inflação nos EUA e na Europa. Países do Golfo também avaliam rever investimentos, o que aumenta a volatilidade global.
No Brasil, IPCA de fevereiro esquenta o mercado
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,70% em fevereiro, com o mercado esperando 0,65%, acelerando em relação ao mês de janeiro que veio em 0,33%, com destaque para o grupo de Educação, “pressionado pelos reajustes anuais de mensalidades escolares no início do ano letivo, além de avanços no grupo de Transportes”, explica João Pedro Moreno, analista de renda variável da Nexgen capital.
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No acumulado de 12 meses, o índice alcança 3,81%, mostrando desaceleração em relação aos períodos anteriores e aproximando-se gradualmente da meta de inflação de 3% estabelecida pelo Banco Central.
Segundo Moreno, o resultado “reforça a percepção de um processo de convergência inflacionária, ainda que com pressões pontuais em alguns segmentos da economia”.
Mercados internacionais
Em Wall Street, os índices fecharam em queda, refletindo o impacto da alta do petróleo e as incertezas geopolíticas. O Dow Jones recuou 1,56%, o S&P 500 caiu 1,52% e o Nasdaq cedeu 1,78%.
Na Europa, as bolsas também registraram perdas, ampliando o movimento negativo da sessão anterior: Londres caiu 0,47%, Paris recuou 0,71% e Frankfurt perdeu 0,29%.
Os rendimentos dos Treasuries (títulos públicos dos EUA) avançaram pelo terceiro dia consecutivo, com investidores avaliando os possíveis efeitos inflacionários da guerra no Oriente Médio. O rendimento da T-note de 2 anos subiu a 3,74%, o da T-note de 10 anos avançou a 4,261% e o do T-bond de 30 anos alcançou 4,879%.
No câmbio, o dólarganhou força frente a moedas fortes, em meio ao ambiente de aversão ao risco e à alta persistente do petróleo. O índice DXY, que compara a divisa dos EUA com outras concorrentes em escala global, avançou 0,51%, a 99,739 pontos, enquanto o euro recuou a US$ 1,1518, a libra caiu a US$ 1,3347 e o dólar ficou cotado a 159,34 ienes. No Brasil o dólar fechou em alta de 1,61%, a R$ 5,2423.
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Na Ásia, as bolsas encerraram o pregão em baixa, acompanhando o movimento global. O Nikkei caiu 1,04% em Tóquio, o Kospi recuou 0,48% em Seul, o Hang Seng perdeu 0,70% em Hong Kong e o Taiex caiu 1,56% em Taiwan.
Na China continental, o índice Xangai Composto teve leve queda de 0,10%, enquanto o Shenzhen Composto recuou 0,68%. Na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 1,31% em Sydney.
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*Com informações de Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet