A reta final da sessão foi marcada por uma piora no clima das bolsas e pela aceleração dos rendimentos dos títulos americanos. Um porta-voz da Casa Branca disse à CBS News que as forças armadas dos EUA “podem tomar” a Ilha de Kharg, no Irã, “a qualquer momento”, e afirmou que o presidente Donald Trump “mantém todas as opções em aberto”.
Cenário externo
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa, com as chinesas liderando perdas após o Banco do Povo (PBoC) manter os juros, em linha com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Banco Central Europeu (BCE), Banco da Inglaterra (BoE) e Banco do Japão (BoJ).
Na mesma direção, as bolsas de valores europeias e os índices em Nova York recuaram, pressionados pela guerra no Oriente Médio e pela persistente alta do petróleo Brent, que chegou ao patamar de US$ 112 por barril.
A commodity seguiu pressionada, apesar da articulação de Europa, Japão e Canadá para liberar o fluxo no Estreito de Ormuz e da sinalização dos EUA de possível flexibilização de sanções ao petróleo iraniano. Porém, o porta-voz do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã, Ali Mohammad Naini, foi morto em um ataque aéreo nesta sexta-feira (20), o que pode dar fôlego à retaliação de Teerã.
E o Ibovespa?
A cautela externa ampliou a volatilidade local, com a B3 também afetada pelo vencimento de opções sobre ações, units, Exchange Traded Funds (ETFs, fundos de índice negociados em bolsa) e Brazilian Depositary Receipts (BDRs, títulos emitidos no Brasil que representam ações de companhias abertas sediadas no exterior).
A paralisação de caminhoneiros segue suspensa após assembleia e a MP que reforça o piso do frete, criticada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Completou o cenário a saída de Gilson Finkelsztain da presidência da B3 para o Santander Brasil (SANB11), com sucessão envolvendo os nomes cotados de Luis Masagão, Caio Ibrahim David e José Berenguer.
Mercados: os principais indicadores agora
O petróleo fechou em alta. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 1,91% a US$ 94,74 o barril. Já o Brent para mesmo mês subiu 3,26% a US$ 112,19 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Em Nova York, os índices fecharam em queda: o Dow Jones caiu 0,96%, o S&P 500 registrou perda de 1,51% e o Nasdaq recuou 2,01%.
Na Europa, em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 1,44%, a 9.918,33 pontos. Na semana, recuou 3,56%. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,94%, a 22.397,43 pontos, com recuo semanal de 4,88%. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,82%, a 7.665,62 pontos, caindo 4,1% na semana. Em Milão, o FTSE MIB recuou 1,97%, a 42.840,9 pontos, cedendo 2,97% na comparação semanal. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,20%, a 17.038,70 pontos, com baixa de 7,22% na semana. Em Lisboa, o PSI 20 recuou 2,13%, a 8.756,26 pontos, com queda de 2,12% na semana.
Nos Treasuries, os rendimentos avançaram sob influência do Fed e dos riscos inflacionários ligados ao petróleo. O juro da T-note de 2 anos subiu a 3,892% e o rendimento da T-note de 10 anos avançou a 4,387%, enquanto o T-bond de 30 anos teve uma alta a 4,952%.
No câmbio, o dólar avançou frente a moedas fortes, refletindo a perspectiva de juros mais altos por mais tempo. O euro recuou a US$ 1,1557, a libra cedeu a US$ 1,333 e o dólar subiu a 159,29 ienes. O índice DXY teve valorização de 0,42%, a 99,647 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda, pressionadas pela aversão ao risco, embora o petróleo tenha recuado em parte do pregão. O Xangai Composto caiu 1,24% e o Shenzhen Composto, 1,18%, após o PBoC manter juros. O Hang Seng recuou 0,88% em Hong Kong e o Taiex cedeu 0,43% em Taiwan. Em Tóquio, não houve pregão devido a feriado. Na contramão, o Kospi subiu 0,31% em Seul.
Na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 0,82% em Sydney.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet