O petróleo hoje retoma a trajetória de alta e volta a flertar com máximas recentes, em um movimento que combina escalada geopolítica no Oriente Médio com sinais de aperto na oferta, cenário que recoloca a commodity no centro das decisões de mercado.
Publicidade
O petróleo hoje retoma a trajetória de alta e volta a flertar com máximas recentes, em um movimento que combina escalada geopolítica no Oriente Médio com sinais de aperto na oferta, cenário que recoloca a commodity no centro das decisões de mercado.
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Por volta das 9h30 (de Brasília) desta segunda-feira (4), o Brent para julho avançava 2,41%, a US$ 110,78, após chegar a subir mais de 5% em momentos de maior estresse durante a madrugada. O WTI acompanhava, com ganhos de 1,36%, a US$ 103,33, refletindo a volatilidade de um mercado guiado pelo noticiário.
O novo impulso veio após a elevação do tom por parte do Irã, que ameaçou interceptar embarcações que desrespeitem suas normas marítimas, um sinal direto de risco para o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Em paralelo, os Estados Unidos indicaram que podem escoltar navios na região, adicionando uma camada militar ao impasse.
Relatos da imprensa iraniana sobre um possível ataque a uma embarcação americana, posteriormente negados por autoridades dos Estados Unidos, e a promessa de Washington de “guiar” navios retidos reforçam um ambiente de incerteza no qual o risco de interrupção de oferta é precificado.
No campo corporativo, a Petrobras (PETR3; PETR4) registrou produção média de 3,197 milhões de barris de óleo equivalente por dia no 1T26, alta de 16,4% na comparação anual, impulsionada pelo avanço de plataformas no pré-sal, como Búzios e Mero.
A leitura de casas como a XP é de que a combinação entre maior produção e petróleo mais caro tende a sustentar um trimestre robusto. A corretora projeta Ebitda de cerca de US$ 12,6 bilhões e lucro líquido na casa de US$ 6,4 bilhões, além de dividendos próximos de US$ 2,4 bilhões.
No entanto, a valorização do real e a compressão dos chamados crack spreads — especialmente em gasolina e diesel — limitam parte do ganho operacional, indicando que o desempenho financeiro não acompanha linearmente a alta da commodity.
Ainda assim, o American Depositary Receipts (ADR, recibos negociados em bolsa estadunidense que permitem a investidores estrangeiros acessar as ações da estatal) da companhia avançavam no pré-mercado de Nova York acompanhando a alta do Brent e a leitura positiva dos dados operacionais. O equivalente à ordinária avançava 1,10%, a US$ 22,14, enquanto o da preferencialsubia 0,53%, a US$ 19,80.
Com o petróleo em alta, cresce a defasagem entre os preços internacionais e os combustíveis no mercado interno, num momento em que a estatal resiste a repasses mais amplos.
A estratégia inclui aumento do uso das refinarias, com fator de utilização próximo de 95%, e redução de importações, numa tentativa de garantir abastecimento sem pressionar o consumidor.
Mercado mais sensível e menos previsível
O impasse entre Estados Unidos e Irã, somado ao risco recorrente no Estreito de Ormuz, introduz um componente de incerteza que atua diretamente sobre a percepção de oferta disponível.
Os dados mais recentes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ajudam a dimensionar o movimento. Em 2025, a produção global de petróleo cresceu 2,24 milhões de barris por dia, para 74,85 milhões de bpd, enquanto a demanda avançou 1,30 milhão de bpd, alcançando 105,15 milhões de bpd. A leitura é de um mercado que já operava com folga limitada, em que aumentos de oferta não acompanham, na mesma intensidade, o avanço do consumo.
Esse descompasso moderado ganha outra escala quando combinado ao risco geopolítico. Não se trata de projeção, mas de sensibilidade imediata a eventos. O petróleo acima de US$ 100 reflete um novo patamar de equilíbrio, sustentado pela combinação entre oferta ajustada e risco de disrupção.
Publicidade
Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos
Com informações da Broadcast.
Invista em informação
As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador