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Mercado

Reta final: o que esperar do Ibovespa no último trimestre do ano?

Nos últimos três meses, o índice acumulou queda de quase 12%. Veja as oportunidades que estão no radar

Foto: Robson Fernandjes/Estadão
  • No terceiro trimestre de 2021, o Ibovespa acumulou queda de 12,48%, devolvendo todos os ganhos do ano
  • Para o quarto trimestre, o índice já larga em desvantagem. Riscos fiscais e políticos seguem no radar, junto com problemas climáticos, como a crise hídrica e energética
  • De acordo com os especialistas consultados pelo E-Investidor, a perspectiva é que o Ibov siga andando de lado na reta final do ano. Ainda assim, empresas com receita em dólar podem ser oportunidades

A expressão ‘voo de galinha’ foi criada por economistas para descrever períodos de forte e empolgante crescimento, mas que não se mantêm no longo prazo. No geral, voos de galinha acabam rápido e deixam aquele clima de frustração no ar, como ocorreu com o Ibovespa em 2021.

O índice chegou até a ‘bater asas’ no primeiro semestre, com um ganho acumulado de 6,72%, rompendo a barreira dos 130 mil pontos e gerando expectativas positivas em relação à reabertura da economia na segunda metade do ano. O avanço para os 150 mil pontos fez parte das projeções mais otimistas de algumas casas de análise para dezembro deste ano.

Entretanto, somente no terceiro trimestre, o indicador caiu 12,48%, regredindo à faixa dos 110 mil pontos, segundo dados da Economatica Brasil. “O cenário ficou complicado. Estávamos em uma toada muito positiva, com a vacinação indo bem e dados econômicos dos EUA e Europa muito positivos. Abrimos o terceiro trimestre com uma perspectiva muito alta, mas logo algumas coisas passaram a atrapalhar”, afirma Juan Espinhel, especialista em investimentos da Invest.

Divisor de águas

De acordo com Espinhel, assim que o recesso parlamentar acabou, no início de agosto, começaram os boatos a respeito da criação de um novo Bolsa Família. Esse foi, possivelmente, o divisor de águas para a bolsa de valores brasileira.

“Tínhamos acabado de iniciar a discussão da reforma tributária”, afirma. “O mercado enxergou isso como um projeto populista, pensado em detrimento da saúde fiscal do País, para tentar pleitear algo em 2022. A volta da pauta política, que estava tranquila durante o recesso de julho, desgastou bastante. O dólar subiu quase 5%.”

Essa também é a visão de Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch. “Nesse último trimestre, o Brasil descolou bastante dos mercados globais. O que está por trás disso é toda a discussão sobre o aumento do auxílio emergencial e como isso vai ser pago, dado que a principal agenda do governo hoje é o aumento de popularidade”, afirma.

O meteoro dos precatórios e as dívidas judiciais do governo também ajudaram a azedar o humor dos investidores e acentuar a aversão a risco na b3 nos últimos meses. As propostas de resolução desses débitos vão de tirá-los do teto de gastos a parcelar os mesmos. “Sabemos que esses pacotes de bondades que o governo vem tentando emplacar, terão que ser pagos depois. Dinheiro não cai de árvore e sabemos que isso causa um efeito no fiscal”, ressalta Pedro Serra, analista da Ativa Investimentos.

Os impasses com a China formaram um terceiro ingrediente para a tempestade perfeita. O país asiático passou a fazer uma série de restrições à produção de aço, o que fez desabar os preços do minério de ferro, insumo utilizado na confecção do metal. Somente entre agosto e setembro, a commodity cedeu mais de 30%. Com a derrocada, as ações da mineradora Vale (VALE3) passaram por seus piores momentos em 12 meses e chegaram à mínima de R$ 76,20, na última sexta (01).

Por último, a crise da incorporadora chinesa Evergrande impôs baixas expressivas ao Ibovespa na terceira semana de setembro. No acumulado de 2021, o indicador está negativo em 5%.

O que esperar do quatro trimestre

Para o último trimestre do ano, o Ibovespa já larga em desvantagem. Os riscos fiscais devem continuar fazendo parte do cenário e as brigas políticas ganham mais corpo com a proximidade do período de eleições presidenciais. Além disso, os problemas de ordem climática, como a crise hídrica e energética também entram no radar dos investidores.

Paralelamente, o Banco Central tem grandes desafios em relação à condução da política monetária. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado para medir a inflação, já acumula uma alta de 5,67% até agosto, bem acima da meta de 3,75% estipulada para 2021. Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), de 28 de setembro, o colegiado já deixou claro que, em função da persistência do aumento de preços, o ciclo de alta dos juros poderá ser mais longo. De acordo com o Boletim Focus, o mercado já vê a Selic em 8,25% até o fim do ano.

Para Attuch, da Ohmresearch, no atual cenário é difícil imaginar o Ibov se recuperando de maneira consistente. “Os economistas estão reduzindo para baixo as estimativas de crescimento econômico do Brasil para 2022, em função da alta de juros”, afirma. Segundo ele, enquanto isso acontecer, será complicado pensar que a Bolsa vai subir muito “porque são essas estimativas que dão lastro para as projeções de lucro por ação das empresas.”

O executivo também vê o País preso em um looping de discussões sobre o novo auxílio, os precatórios, risco fiscal e político. “Acredito que as coisas vão continuar ainda bem complicadas. Mesmo que tenhamos uma recuperação lá fora, o Brasil ainda vai ser algo que os investidores devem usar para alocações táticas”, afirma. “E a crise institucional não foi embora, ela ainda está aí. O risco de ruptura institucional existe”, destaca.

Já para José Francisco Cataldo, superintendente de research da Ágora Investimentos, apesar das incertezas no ambiente doméstico e a volatilidade que deve permanecer no Ibovespa, a Bolsa está com preços muito atrativos.

“Nos próximos 12 meses, a principal preocupação continuará sendo a política fiscal e o racionamento de energia, mas achamos que essas variáveis devem melhorar um pouco. Nosso cenário não é de ruptura”, explica. “Nosso cenário para o segundo semestre de 2021 é que ele seja na margem ou superior ao primeiro semestre”, destaca.

Na visão de Espinhel, da Invest, o que poderia aliviar o peso sobre o Ibovespa seria a resolução dos precatórios. “Não será uma solução boa, como nada no Brasil. Aqui somos especialistas em encontrar resoluções que não agradam a ninguém, pelo contrário, que desagradam a todo mundo um pouco”, afirma. “Em múltiplos, a Bolsa está bem barata, mas existem pontos que o investidor estrangeiro não abre mão, e saúde fiscal é um deles.”

Recomendações no radar

Em meio à turbulência que deve permanecer até o fim de 2021, existem setores que podem oferecer boas oportunidades. Segundo Espinhel, um dos segmentos da B3 que está bastante barato é o de mineração, com destaque para as ações da Vale, beneficiada pelo aumento do dólar.

“Precisaremos ver como será essa questão da China, da Evergrande, e como eles resolverão o modal econômico. Não estávamos preparados para o pós-pandemia de fato, estamos sofrendo agora sequelas atrasadas, como inflação e indecisão de política monetária. Pautas essas que talvez não estivessem na conta do investidor”, diz o especialista da Invest.

De acordo com Serra, da Ativa, as empresas listadas na Bolsa estão fazendo um bom trabalho e entregando resultados interessantes. “A partir de outubro ou novembro, teremos a temporada de balanços do terceiro trimestre, que eu acho que pode ser muito positiva”, explica. “Escolher boas empresas nesse cenário adverso pode fazer a diferença”, completa.

Para o analista da Ativa, frigoríficos podem fazer parte dessas boas escolhas, já que possuem receita em dólar. Já nas empresas mais ligadas ao cenário doméstico, as oportunidades podem estar em varejo físico e locadora de automóveis, ligadas à volta da atividade.

“Eu evitaria, por exemplo, investir em estatais, por conta do risco político. Também evitaria mineração e siderurgia, que parecem muito baratas, mas seguraria um pouco por conta das incertezas quanto ao preço do aço e do minério. Empresas de e-commerce e tecnologia eu deixaria de lado também, porque são muito sensíveis à aversão a risco.”

Segmentos ligados à economia real também estão dentro das recomendações de Cataldo, da Ágora. “Empresas que acabam se beneficiando com a evolução do processo de vacinação, como shoppings, e setores que ainda estão para trás e não se recuperam das quedas no auge da pandemia, como as próprias aéreas”, diz.

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