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Mercado

Por que investidores estrangeiros estão voltando à B3

Junho foi o 1º mês do ano com saldo positivo do segmento na Bolsa

Homens observando o logo da B3 em sua sede em São Paulo.
Homens observando o logo da B3 em sua sede em São Paulo. (Daniel Teixeira/Estadão)
  • Junho é o primeiro mês no ano que a bolsa brasileira registra um saldo positivo de investimento estrangeiro no País. Superávit foi de R$ 343,030 milhões
  • Segundo especialistas, a movimentação ocorre devido à melhora das perspectivas do País. Saldo deve se manter positivo nos próximos meses
  • Investidor local deve olhar de maneira positiva à volta de estrangeiros à bolsa brasileira

Pela primeira vez no ano, a B3 registrou um mês com saldo positivo de investimento estrangeiro. Em junho, o superávit foi de R$ 343,030 milhões. A performance mensal é resultado de compras de R$ 318.668 bilhões e vendas de R$ 318,325 bilhões. No acumulado de 2020, no entanto, a saída de capital gringo já soma R$ 64,355 bi.

Para o cálculo, foi levado em conta a movimentação mensal de estrangeiros em compras, vendas e IPOs/Follow Ons – no mês de junho nenhuma empresa abriu seu capital ou fez uma oferta subsequente de suas ações. (Confira o ranking no final da reportagem)

Para efeito de comparação, segundo dados da B3, de janeiro a junho de 2019, o saldo de investimento estrangeiro na bolsa brasileira era positivo em R$ 9,690 bi. No acumulado do ano passado, porém, o saldo foi negativo em R$ 4.694 bi.

O Ibovespa encerrou o mês de junho com alta de 8,76%, aos 95.055,82 pontos. No primeiro semestre do ano, no entanto, a bolsa teve queda de 17,80% até o fechamento do dia 30 de junho.

Neste cenário, o E-Investidor conversou com especialistas para entender o que causou o saldo positivo de investidor estrangeiro pela primeira vez no ano. Essa é uma tendência para os próximos meses? E o que isso significa para o investidor local?


Antes de entender o que inverteu o sinal do saldo, é necessário compreender primeiro o motivo para o acumulado do ano ser tão negativo.

Segundo os especialistas, a grande saída de capital estrangeiro aconteceu em dois momentos por fatores diferentes.

Henrique Esteter, analista da Guide, diz que no final do ano passado e no começo deste ano, pré-crise, a saída da capital ocorreu devido a uma realização de lucro dos investidores. “Tivemos um rali de alta muito forte ano passado e eles realizaram lucro nos primeiros meses do ano”.

Já no segundo momento, em março com a pandemia começando, a saída de capital ocorreu pela aversão ao risco. José Cataldo, head de research da Ágora Investimentos, explica que o investidor estrangeiro sempre busca investir em países com perspectiva de crescimento maior e poucos riscos. E com a chegada da crise, o Brasil se tornou o oposto disso.

De acordo com o especialista, este movimento ocorreu em todos os países emergentes, mas no Brasil a fuga de capitais foi mais intensa, já que, além da crise sanitária, o País também enfrenta turbulências políticas. “É natural e até esperada a saída do investidor estrangeiro neste cenário”, diz o head de research da Ágora.

O que mudou em junho?

Neste contexto, os especialistas explicam que o saldo foi positivo em junho devido a uma combinação de três fatores: o cenário global de juros muito baixos, a melhora do ambiente interno e a recuperação generalizada de bolsas globais.

Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, lembra que para combater a crise os bancos centrais de vários países reduziram os juros com o objetivo de estimular a economia. “Isso fez os investidores do mundo inteiro procurarem barganhas nas bolsas para terem melhores retornos”.

Ele ainda ressalta que a crise começou a dar sinais de que iria passar antes do esperado e o temor político que assombrava o País também amenizou. Deste modo, os investidores estrangeiros voltaram a ver na bolsa brasileira uma boa oportunidade de lucro. “Estamos com excelentes empresas muito baratas e um ambiente melhor”, diz Carvalho.

Esteter, da Guide, lembra que no mês de junho, enquanto a B3 ainda apresentava um desconto de mais de 17% em relação ao começo do ano, as principais bolsas do mundo já tinham se recuperado. “O investidor enxergou aqui uma oportunidade do seu dinheiro render mais que em outros lugares”, afirma.

“Para ter rentabilidade no cenário atual de juros tem que ir para a bolsa. A nossa ainda está muito descontada e o País está mais calmo, o que atraiu de volta o investidor estrangeiro”, diz Cataldo, da Ágora.

Saldo se manterá positivo?

Segundo os especialistas, a resposta é sim. Isso porque a bolsa continua descontada e ao que tudo indica o governo vai retomar sua agenda liberal, o que é visto com bons olhos pelos investidores estrangeiros.

Cataldo afirma que se o cenário continuar tranquilo e os planos de crescimento para o País ficarem mais claros o saldo de investidores estrangeiros deve continuar positivo. “Se tivermos boas notícias a tendência é termos mais meses positivos daqui para frente”, afirma o head de research da Ágora.

Com isso, Esteter, diz que apesar da montante positivo em junho ser pequeno, não deixa de ser um sinal de que a perspectiva do País está melhor. “Isso mostra que a tendência é eles voltarem e o saldo ser positivo daqui para frente”, pontua o analista da Guide.

Além disso, eles comentam que a retomada prevista para o segundo semestre dos IPOs e Follow Ons também deve ajudar a atrair mais investidores estrangeiros. “Tudo se desenha para um cenário mais positivo, que deve impulsionar a bolsa”, diz Esteter.

Contudo, fica um alerta: os ventos podem mudar se os casos de covid-19 voltarem a subir e as tensões políticas retornarem. “Com novas tensões, o investidor estrangeiro fica preocupado e sai de novo”, diz Carvalho, da Toro.

Segundo dados da B3 até a última atualização, no dia 6 de julho, o saldo de investimento estrangeiro no mês era negativo em R$ 1.270 bi. O resultado é a combinação de R$ 42,245 bi em compras e R$ 43.515 bi em vendas.

O que isso significa para o investidor local?

Para os especialistas, a volta do estrangeiro para a bolsa brasileira é uma notícia muito positiva para o investidor local. Esteter comenta que o investidor estrangeiro é muito conservador e sempre busca correr o menor risco possível.

Então, a partir do momento em que voltam a apostar no Ibovespa, significa que o potencial de valorização é grande. “É um sinal que já temos um cenário com perspectivas melhores”, diz o analista da Guide.

Cataldo, da Ágora, concorda e confirma que o movimento deve fazer a bolsa brasileira se valorizar. “O investidor estrangeiro voltando para a B3 é um sinal positivo para o investidor local, pois mostra que o exterior também está enxergando boas perspectivas aqui”.

Carvalho, da Toro, lembra que o investidor estrangeiro representa mais de 40% das negociações da B3. Então, com o saldo voltando ao campo positivo, ele também acredita que a tendência é a bolsa subir. “Corrobora com a visão de que o mercado vai melhorar.”

Movimentação dos investidores estrangeiros mensal (R$ bilhões)

MêsComprasVendasIPO / Follow OnSaldo
JaneiroR$ 206.654,2R$ 225.812,0R$ 901,9-R$ 18.255,9
FevereiroR$ 225.559,8R$ 246.531,4R$ 11.246,8-R$ 9.724,8
MarçoR$ 351.454,6R$ 375.662,5-R$ 24.207,9
AbrilR$ 260.506,5R$ 265.575,6-R$ 5.069,1
Maio*R$ 248.298,2R$ 255.739,4-R$ 7.441,2
Junho*R$ 318.668,7R$ 318.325,7R$ 343,0
TotalR$ 1.611.142,0R$ 1.687.646,6R$ 12.148,7-R$ 64.355,9

Fonte: B3. *Dados de IPO / Follow On ainda não disponibilizados

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