MGLU3 R$ 8,06 -7,36% ITUB4 R$ 22,81 -1,89% EURO R$ 6,35 +1,77% DÓLAR R$ 5,61 +0,73% BBDC4 R$ 20,42 -4,00% GGBR4 R$ 25,55 -2,63% PETR4 R$ 28,47 -3,88% IBOVESPA 102.224,26 pts -3,39% ABEV3 R$ 16,69 -3,13% VALE3 R$ 68,64 -2,64%
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Mercado

Mais rentáveis em Wall St? Por que brasileiras fazem IPO nos EUA

Ao todo, as 11 empresas listadas somam mais de US$ 8,3 bilhões de valor arrecadado em captação

Placa histórica da Wall Street
Foto: Pixabay
  • No início do mês, o Banco Inter divulgou em fato relevante a contratação de bancos internacionais como assessores financeiros para reorganização societária que resultará na migração das ações para a Inter Platform
  • Apesar das vantagens, existem desafios para quem decide entrar no mercado de capitais estrangeiro. Segundo Lima, da Stake, a validação do modelo de negócio é uma das maiores dificuldades

A cidade de Nova York é um grande centro cultural, gastronômico, comercial e um dos maiores pólos econômicos do mundo. Por concentrar as finanças das maiores empresas do globo, companhias de diferentes continentes e países, incluindo o Brasil, escolhem Wall Street para a abertura de capital.

Mesmo com o número recorde de Ofertas Públicas Iniciais (IPO) na Bolsa de São Paulo nos últimos dois anos, algumas empresas brasileiras buscam abrir capital nas Bolsas americanas: Nasdaq e Bolsa de Valores de Nova York (NYSE, na sigla em inglês).

Enquanto a Nasdaq, fundada em 1971, é voltada para o setor de tecnologia, a NYSE nasceu em 1792 e carrega toda a história da economia global. Ao todo, as 11 empresas brasileiras listadas em Wall Street somam mais de US$ 8,3 bilhões de valor arrecadado nas duas casas, de acordo com um levantamento da plataforma Stake, realizado com exclusividade para o E-Investidor.

Companhias brasileiras voltadas para tecnologia, como a produção de softwares e serviços digitais, além de empresas de educação e finanças, também são atraídas pela Nasdaq, a bolsa onde estão listadas as bigtechs Amazon, Apple e Microsoft.

Abrindo os caminhos para as empresas nacionais no exterior, a pioneira foi a companhia de meios de pagamentos Pagseguro (PAGS). Listada em janeiro de 2018, a captação de US$ 2,3 bilhões surpreendeu. A mais recente é a Vtex (VTEX), que abriu capital em julho deste ano e movimentou US$ 361 milhões.

As ações da PAGS registraram a maior valorização acumulada entre as empresas brasileiras, com um salto superior de 73,4% desde a abertura de capital. Outras favoritas entre os investidores são Stone (STNE) e XP (XP), que subiram 55,4% e 35,9%, respectivamente desde o IPO. Na outra ponta está a Vasta Platform (VSTA), com queda de 77,60% desde o IPO em julho do ano passado.

Rodrigo Lima, analista de investimentos da Stake, atribui o resultado positivo da PagSeguro por ser atrelada ao comércio varejista mais popular, conseguindo ter um volume muito elevado de operações e alavancagem (dívida) baixa.

Já a XP, segundo ele, consegue figurar no topo de ganhos pelo caráter pioneiro, incluindo a capacidade de atuação no mercado de investimento atuando no alinhamento de educação financeira com a rede de assessores ao redor do País.

As companhias alegam que a escolha pelas bolsas estrangeiras vai desde a maior prospecção de recursos, organização corporativa ajustada à respectiva demanda interna, além da captação em uma moeda historicamente forte em cenários adversos.

A capacidade de recuperação diante da crise causada pelo covid-19 serve como um exemplo recente. Enquanto o Ibovespa alcançou o mesmo nível anterior à pandemia em nove meses após a derrocada de março de 2020, o S&P 500 ultrapassou o pico em cinco meses, movimento favorecido pelo aquecimento do dólar, que chegou crescer 16,35% no mês inicial da pandemia.

A rentabilidade das empresas brasileiras listadas em Wall Street desde o IPO

Os dados coletados pela Stake incluem as datas de listagem, a captação e a rentabilidade acumulada de todas as brasileiras desde o IPO nos EUA. Veja a seguir:

EmpresaTickerArrecadação no IPOData do IPORetorno acumuladoListagem
PagseguroPAGSUS$ 2,3 bijan./18+73,4%NYSE
StonecoSTNEUS$ 1,4 biout./18+55,4%Nasdaq
XPXPUS$ 2,25 bidez./19+35,9%Nasdaq
ArcoARCEUS$ 194,5 miset./18+8,2%Nasdaq
Afya LtdAFYAUS$ 300 mijul./19+5,0%Nasdaq
ZenviaZENVUS$ 150 mijul./21+4,9%Nasdaq
VtexVTEXUS$ 361 mijul./21+2,6%NYSE
Pátria InvestimentosPAXUS$ 625 mijan./21+0,3%Nasdaq
VitruVTRUUS$96 miset./20-3,00%Nasdaq
Vinci PartnersVINPUS$ 250 mijan./21-20,50%Nasdaq
Vasta PlatformVSTAUS$ 405,8 mijul./20-77,60%Nasdaq
Fonte: Stake. Dados com até o fechamento de 15/10/2021

O que as empresas buscam

Além das negociações serem realizadas em dólar, considerada a principal moeda na economia global, outros benefícios são apontados para essa escolha, como a diversificação. Se na B3 são negociadas ações de cerca de 500 empresas, a NYSE possui mais de 1,6 mil nomes e a Nasdaq ostenta mais de 3,7 mil companhias.

Com a maior oferta, a possibilidade de comparação entre ativos de empresas, seja do mesmo setor ou não, facilita a escolha dos investidores na hora de montar carteiras.

Entre as diferenças da listagem no exterior e no mercado doméstico está o processo burocrático. Segundo Rodrigo Lima, a governança corporativa nos EUA é mais rígida, com padrões e regulamentações internacionais. Apesar do rigor, a recompensa é traduzida em uma maior atratividade e confiabilidade por parte de investidores de qualquer lugar do mundo.

“Nos Estados Unidos é possível ter direito a votos diferentes dependendo da classe de ação. Lá, por exemplo, existem as ‘super ações’ (super-voting stocks), ou seja, papéis que dão direito a ter dez votos dentro da companhia. Para alguns investidores isso pode fazer sentido por desejar tomar decisões, para outros, a tomada de decisões pelos próprios executivos pode ser mais indicada”, explica. Ele ressalta que essa foi uma das estratégias utilizadas na abertura de capital da XP.

Outro fator considerado é a estabilidade do preço e a capacidade de arrecadação. “Existe um risco maior precificado em empresas listadas em um país emergente como o Brasil. Nesses casos, o impacto político afeta o retorno e causa mais volatilidade. Por outro lado, por estar em um país com economia historicamente mais segura, como é o caso dos EUA, os investidores de qualquer lugar são mais atraídos”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Alves ressalta que, assim como o Brasil é um país grande e diverso, as empresas não seguem um único padrão e não necessariamente vão apresentar desempenhos iguais.

Promessas brasileiras em direção ao exterior

No início deste mês, o Banco Inter divulgou a contratação do Bank of America, Bradesco BBI, JPMorgan e Itaú BBA como assessores financeiros para a reorganização societária que resultará na migração das ações para a Inter Platform. Com a mudança, a empresa terá ações listadas nos Estados Unidos e no Brasil elas serão negociadas como Brazilian Depositary Receipts (BDRs).

Outra novidade entre as brasileiras no exterior foi o lançamento das ações da XP (Nasdaq: XP) como BDR (XPBR31), o que possibilita aos investidores negociarem o papel na B3, mesmo com a corretora sendo listada na bolsa americana de tecnologia.

E a lista de companhias que aguardam o processo de abertura no mercado americano já possui nomes relevantes. A grande expectativa é da abertura de capital do Nubank, que já anunciou a preparação do IPO no exterior até 2022. A espera é ainda maior após o anúncio do lucro de R$ 76,2 milhões no primeiro semestre, saindo do saldo negativo.

Miguel Vieira, líder de M&As da Peers Consulting, explica que a abertura de capital de empresas em nível global é válida dependendo do objetivo do negócio. “Faz muito sentido ver empresas como Inter e Nubank indo para a Bolsa americana, tanto por serem identificadas como fintechs, como pela ambição de captar clientes nas Américas e no mundo”, destaca.

Além disso, a característica de ser uma empresa de growth (crescimento) segue um modelo semelhante a outras companhias do grupo, como a gigante Amazon. “Era uma empresa que não apresentava lucro por muito anos, apesar do crescimento ser constante. Atualmente, ela sempre está no topo entre as companhias com maior valor de mercado”, diz o especialista da Peers.

Desafios

Apesar das vantagens, existem desafios para quem decide entrar no mercado de capitais estrangeiro. Segundo Lima, da Stake, a validação do modelo de negócio é uma das maiores dificuldades. “Será que as empresas que mostram grande crescimento de usuários e contas, como o caso das fintechs, vão conseguir rentabilizar o acionista?”, indaga.

“A Amazon era voltada à venda de livros. Hoje é uma das maiores empresas do mundo, mas esse processo não foi fácil. Não acontece apenas mostrando o crescimento, mas valor de mercado. Jeff Bezos foi criticado pela filosofia de crescimento a qualquer custo. Funcionou. Mas não é uma receita de bolo”, diz Lima.

Outros fatores que desem ser considerados são os custo mais elevados com operações burocráticas e documentação, além do relacionamento com investidor voltado para um público ampliado, que inclui não apenas os americanos, mas investidores globais. Mesmo assim, Vieira aponta que a onda de cancelamentos de IPO nos últimos meses na B3 pode fazer com que mais empresas optem por abrir capital nos EUA.

Entre esses e outros motivos, é essencial que os investidores selecionem bem os ativos para evitar danos irreversíveis ao patrimônio.

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