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Mercado

Light (LIGT3) troca CEO: o que esperar das ações na Bolsa agora?

Empresa confirmou saída de Octavio Pereira Lopes, atual presidente, até o final do ano

Por Jenne Andrade

17/10/2023 | 20:39 Atualização: 18/10/2023 | 12:07

O empresário Nelson Tanure. Foto: TASSO MARCELO/ESTADÃO
O empresário Nelson Tanure. Foto: TASSO MARCELO/ESTADÃO

Depois de pouco mais de um ano e dois meses no cargo, Octavio Cortes Pereira Lopes deve deixar a cadeira de CEO da Light (LIGT3) – empresa de energia que está em recuperação judicial desde maio deste ano.

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De acordo com o fato relevante divulgado pela companhia na última terça-feira (17), Lopes deve deixar suas funções assim que a reestruturação financeira em curso for finalizada ou em 31 de dezembro deste ano, o que vier primeiro. Alexandre Nogueira Ferreira, atual diretor de regulação e relações institucionais da companhia, deve substituí-lo.

A saída do executivo passou a ser esperada desde que o investidor Nelson Tanure, crítico ao processo de recuperação judicial da Light, assumiu a posição de acionista de referência da empresa em meados de junho. Atualmente, Tanure tem 30% do capital social, além de ser parte do novo Conselho de Administração, cujos membros foram eleitos há apenas três meses.

  • Bastidores da Light (LIGT3): como a empresa ignorou os credores por 2 meses

“O atual CEO (Octavio Lopes) foi quem tomou essa decisão de entrar com o pedido de recuperação judicial (RJ). Só que essa decisão não bate com o rumo que a empresa está tomando hoje, após a chegada do novo acionista e troca do Conselho”, afirma Leonardo Piovesan, CNPI e analista fundamentalista da Quantzed, casa de análise e empresa de tecnologia e educação para investidores.

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Em setembro, por exemplo, por decisão dos conselheiros, a Light aprovou uma nova estratégia de reestruturação para as dívidas que chegam a R$ 11 bilhões. Esse novo plano possui várias etapas, mas envolve acelerar o acordo com principais credores e, em caso de sucesso nessas negociações, encerrar o processo de RJ. Ou seja, um caminho diferente ao desenhado na gestão Lopes.

Uma parcela dos credores da Light também é crítica ao processo de recuperação judicial, considerado “ilegal” por eles. Isto porque, por lei, concessionárias de energia não poderiam recorrer ao artifício.

No final, a chegada de Ferreira é considerada positiva. “Agora a Light terá alguém alinhado com o que os acionistas têm como estratégia para a companhia daqui para frente”, diz Piovesan.

O fato de o novo CEO ter experiência no setor elétrico, principalmente em órgãos do governo, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia, também é encarado com otimismo. Isto porque a empresa de energia busca, em negociações com a ANEEL, a renovação da concessão de energia no Rio de Janeiro.

  • Quem ganha com a dança das cadeiras na Light (LIGT3)?

O contrato acaba em junho de 2026, mas por conta da situação financeira delicada da companhia, há a preocupação em relação a uma eventual não renovação. “O novo colocado no cargo é um cara que tem uma experiência muito grande no setor regulatório, que hoje é o maior problema da Light”, afirma Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama. “Mas como era algo esperado, não vejo um impacto muito forte nas ações no curto prazo.”

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No final, a principal dúvida em relação a essa dança das cadeiras na Light é qual será o nível de influência de Ferreira nas decisões. Fontes de mercado afirmaram ao E-Investidor que o principal protagonista da reestruturação continuará sendo o Conselho, centralizado na figura lida como “dúbia” de Tanure.

Perspectivas e recomendações

As ações da Light estão em alta de 11,23% no acumulado de 2023 e de quase 140% nos últimos seis meses. A maior parte desse valorização, entretanto, acontece na esteira das compras feitas por Tanure para montar posição na empresa de energia e especulação em torno da reestruturação financeira.

Piovesan, da Quantzed, não tem recomendação para os papéis e ainda vê um caminho difícil e ainda pouco claro pela frente. Para ele, a Light só vai conseguir se reestruturar se conseguir alguma ajuda regulatória, por parte da ANEEL, no que tange à regulação das tarifas.

A companhia busca a possibilidade de aumentar a tarifa cobrada no Rio de Janeiro, para viabilizar a operação, pouco lucrativa por uma série de questões, como furtos de energia. “A empresa vem brigando para ter uma regulação diferenciada para a concessão dela versus as demais concessões do país. Sem isso, acho difícil acontecer uma grande virada”, diz Piovesan.

  • Os ‘gatos’ afundaram a Light (LIGT3)? Entenda como a empresa ficou endividada

Já Soares, chefe de análise de ações da Órama, acredita que Light e ANEEL conseguirão chegar a um acordo e que a concessão do Rio de Janeiro será renovada para a empresa. Entretanto, não recomenda a entrada nos papéis por falta de visibilidade dos eventos futuros.

“Não estamos com perspectiva de entrada no papel. Ainda vemos uma incerteza grande em relação ao benefício econômico para o acionista. O preço do papel está muito baixo, mas acreditamos que o risco não compensa”, afirma Soares.

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Na última terça (17), as ações LIGT3 fecharam o pregão em baixa de 2,11%, aos R$ 5,11.

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