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Mercado

O que muda para o Mercado Livre (MELI34), autorizado a operar como instituição financeira

Permissão aumenta a capacidade de fazer investimentos, captar recursos e transferir crédito para clientes

Fachada do depósito do Mercado Livre. Foto: Aline Bronzati/Estadão
Fachada do depósito do Mercado Livre. Foto: Aline Bronzati/Estadão
  • Iniciativa aumenta o escopo da empresa: operações de e-commerce puro têm demonstrado dificuldade gigantesca em operar com resultado positivo
  • Tanto pessoas físicas, quanto pequenos e médios empreendedores no Brasil, Argentina e México terão acesso às operações de crédito do grupo

O Banco Central anunciou na segunda-feira (9) que o Mercado Livre (MELI34) está autorizado a operar como instituição financeira. Embora a decisão tenha sido publicada em 15 de outubro, só agora a gigante argentina recebeu a confirmação do órgão.

O novo braço financeiro do grupo vai se chamar Mercado Crédito Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e terá sede em São Paulo Capital. É mais um passo para a companhia se consolidar na atuação do segmento de crédito. 

Tanto pessoas físicas, quanto pequenos e médios empreendedores no Brasil, Argentina e México terão acesso às operações de crédito do grupo.

Com o Mercado Crédito, a capilaridade de concessão de crédito vai aumentar exponencialmente, diz Luiz Claudio Dias Melo, sócio-diretor da divisão de varejo da consultoria 360º Varejo. “A nova permissão aumenta a capacidade do Mercado Livre de fazer investimentos, captar recursos e transferir crédito para os seus clientes, tanto quem é pessoa física quanto os que operam na plataforma como sellers”, explica.

O E-Investidor ouviu especialistas para entender melhor essa nova empreitada do grupo.

O que muda?

“A licença de instituição financeira permitirá reforçar o foco da companhia em expandir as operações de crédito dentro do seu ecossistema. Desde o início da oferta, em 2017, o grupo já concedeu mais de R$ 4 bilhões em créditos no Brasil, em um total de mais de 10 milhões de transações. Essas operações alcançaram principalmente consumidores e empreendedores sem acesso ao crédito no sistema financeiro tradicional”, explicou, em nota, Tulio Oliveira, vice-presidente do Mercado Pago, que atualmente já opera como instituição financeira. 

Para Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, com a aprovação do BC o Mercado Livre fará uma operação similar a que faz na Argentina. “Com esse aval, eles irão participar de toda a cadeia de crédito desde a base. Isso engloba produtos de crédito específicos e toda uma linha de crédito, muito além do pagamento de boletos e a recarga para celular que oferecidas atualmente”, explica o analista.

 “Antes, o grupo utilizava outras instituições financeiras que já possuíam permissão do BC para fazer essa oferta de crédito, ou seja, acontecia por meio de intermediadores. Agora, disponibilizarão por conta própria, sem terceiros, toda uma linha de crédito mais robusta”, diz Esteter.

Com o aval do BC, o Mercado Livre poderá atuar de maneira diferente. “O fato de a empresa virar uma instituição financeira vai permitir que ela opere determinados ativos que antes não estavam disponíveis”, diz Melo. “Ela poderá captar recursos de uma maneira mais econômica, por exemplo, por meio de letras de câmbio e de RDBs. Isso com a grande vantagem de estar protegida pelo FGC”, conta o sócio-diretor da 360º Varejo.

Melo acredita que este é um movimento do setor como um todo. “As operações de e-commerce puro têm demonstrado uma dificuldade gigantesca de operarem com o resultado positivo. Aquele modelo tradicional de ‘compra, armazena e revende’ não tem a sustentação de um braço de crédito e dificilmente irá operar no azul”, afirma.

Panorama do grupo

Fundado em 1999, o Mercado Livre é o maior ecossistema de comércio eletrônico da América Latina. Criado como um site de leilões, a plataforma veio se modernizando e se adaptando às novas necessidades até chegar onde está hoje – uma loja online que oferece de livros a carros.

Além disso, é considerada umas das maiores empresas da América Latina. Com um market cap de cerca de U$$ 64 bilhões, está lado a lado de grandes empresas brasileiras, como Vale, Itaú Unibanco e Petrobrás. As ações do grupo registram alta de 113% ao longo do ano, o que fez com que o Mercado Livre se tornasse uma das BDRs mais rentáveis de 2020, ao lado de Nvidia (NVDC34) e PayPal (PYPL34).

Mesmo com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, a empresa dobrou o valor de mercado ao longo deste ano. Em janeiro de 2020, o Mercado Livre era avaliado em US$ 28,4 bilhões. Já agora em novembro, a companhia argentina está avaliada em mais de US$ 64 bilhões. 

Para aqueles que desejam investir no Mercado Livre, a empresa é negociada tanto na Nasdaq, nos EUA, como também na bolsa de Buenos Aires. Para os brasileiros que querem se tornar sócios da companhia argentina, a melhor maneira é por meio de BDRs com o ticket MELI34.

Em setembro, o grupo captou US$ 400 milhões do Goldman Sachs através da sua Fintech, o Mercado Pago. O objetivo do aporte é aumentar a capacidade de concessão de capital de giro a empreendedores. 

Segundo dados do último balanço, a companhia fechou o terceiro trimestre com um lucro líquido de US$ 15 milhões. Outro ponto bastante positivo foi o volume de vendas, que aumentou 62% ante o mesmo trimestre de 2019. O GMV chegou a US$ 5,9 bilhões, com um total de 76 milhões de usuários ativos.

A receita líquida da companhia argentina avançou em 85% em comparação com o mesmo período de 2019. As operações no Brasil foram responsáveis por 55% da receita, o equivalente a US$ 610 milhões.

Para Esteter, o balanço do intervalo entre julho e setembro foi mais um resultado sólido para a companhia. ”Ao olharmos principalmente os resultados do terceiro trimestre, vemos mais uma vez um crescimento extremamente expressivo, com GMV [Gross Merchandise Value, volume bruto de mercadorias] atingindo quase os US$ 6 bilhões. Isso está muito acima do que nós enxergamos em termos operacionais das companhias daqui do Brasil”, explica o analista. 

Recentemente, o Mercado Livre fechou uma parceria com as empresas aéreas Azul, Latam, Sideral e Total. A iniciativa foi chamada de Meli Air e tem como objetivo agilizar as entregas e aumentar a quantidade de produtos oferecidos na categoria Full, de compras entregues em até 24 horas. A empreitada faz parte dos planos de investimentos de R$ 4 bilhões do Mercado Livre para 2020.

Em nota, o vice-presidente do Mercado Envios, Leandro Bassoi, afirmou que o grupo quer ter a melhor logística do Brasil e aumentar o número de entregas no dia seguinte. “A população precisa acreditar que os produtos chegarão em um ou dois dias, o que ainda não é realidade no país”, explica Bassoi.

A ideia é que a Meli Air já esteja em funcionamento para o próximo dia 27, data que marca o início da Black Friday. Vale destacar que a empresa já foi muito dependente dos Correios e, há três anos, cerca de 90% das suas entregas dependiam da estatal. Hoje a média é 20%. O Mercado Livre é, inclusive, um dos interessados no possível leilão de privatização dos Correios, ao lado de empresas como Amazon, FedEx e Magazine Luiza.

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