MGLU3 R$ 8,06 -7,36% DÓLAR R$ 5,61 +0,73% ITUB4 R$ 22,81 -1,89% EURO R$ 6,35 +1,77% BBDC4 R$ 20,42 -4,00% PETR4 R$ 28,47 -3,88% IBOVESPA 102.224,26 pts -3,39% GGBR4 R$ 25,55 -2,63% ABEV3 R$ 16,69 -3,13% VALE3 R$ 68,64 -2,64%
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Mercado

Dólar volta ao patamar dos R$ 5,60. O que explica a valorização?

Moeda volta a disparar em meio a dúvidas sobre a questão fiscal brasileira

Foto: Pixabay
  • Com as incertezas econômicas, as turbulências políticas e a preocupação com o risco fiscal, o ativo voltou a disparar nas últimas semanas
  • Especialistas pedem cautela aos investidores que pensam em comprar ativos atrelados à moeda norte-americana

Depois de quase três meses de queda, o dólar voltou a romper a barreira dos R$ 5,60. Desde 22 de maio, quando fechou em R$ 5,53, a moeda norte-americana começou a perder força, caindo até R$ 4,82, no dia 8 de junho. Com as incertezas econômicas, as turbulências no ambiente político e a preocupação com o risco fiscal, o ativo voltou a disparar nas últimas semanas e bateu R$ 5,61 no encerramento do pregão desta segunda-feira (24).

Especialistas consultados pelo E-Investidor explicam que a forte valorização da moeda ocorre por uma série de fatores, tanto internos como externos. “O dólar acumula em si todas as incertezas da economia local e global”, diz Luiz Araújo, especialista em atuária e consultor financeiro.

No ano, a alta ante ao real dispara 39,79%, mas o dólar tem um desempenho fraco em relação às moedas de países desenvolvidos. Para efeito de comparação, a cesta de moedas DXY, que mostra a relação do dólar contra o euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço, já caiu 3,44% no ano, aos 93,208 pontos (o índice sobe quando o dólar está forte e cai quando está fraco).

Fatores locais

A principal preocupação dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil é a situação fiscal. “Começamos com o rumor que o Paulo Guedes poderia sair e depois tivemos a possível derrubada do veto presidencial na questão do reajuste para servidores”, afirma Marcelo Boneri, gerente da mesa de futuros da Ágora Investimentos.

Mesmo que nenhum dos cenários tenha se concretizado, as incertezas em relação ao futuro do País teve forte impacto no câmbio. “Qualquer dúvida em relação a questão fiscal brasileira faz o dólar subir”, diz Álvaro Marangoni, sócio na Quadrante Investimentos.

Além disso, outro fator que causou dúvidas em relação ao tema foi o anúncio da prorrogação do auxílio emergencial até o final do ano. Apesar da indicação de que o valor do benefício será menor que o atual, existe o questionamento se ele pode prejudicar ainda mais as contas do País. “O problema fiscal piora a visão de longo prazo e é isso que importa, por isso o dólar sobe”, diz Boneri.

Portanto, quanto mais a questão fiscal do Brasil for colocada em xeque, mais a perspectiva do País piora e o dólar sobe. “A desorganização política em relação ao tema pesa em cima da nossa moeda”, afirma o gerente da Ágora.

Fatores externos

Além dos problemas locais, que puxam o real para baixo, o contexto internacional também não é nada positivo. Pesam na conta os indicadores mais fracos do que o previsto da Europa, o fracasso até agora entre Reino Unido e União Europeia na busca por um acordo comercial, as dúvidas em relação a segunda onda da covid-19 e a eleição americana. “Tudo isso gera ainda mais incertezas, causa tensão nos mercados e, consequentemente, afeta o câmbio”, afirma especialista da Ágora.

Neste cenário, as moedas dos países emergentes, que sofrem com uma economia mais frágil, costumam ser mais penalizadas em crises. “Se o exterior estivesse mais calmo, não estaríamos tão desvalorizados”, comenta Boneri.

Dentre todos estes fatores, Bonieri diz que o mais prejudicial ao Brasil é a eleição americana. Com candidatos com visões muito distintas, a disputa ainda está aberta e ninguém sabe qual caminho os EUA irá seguir. Ou seja, as incertezas aumentam no país, a moeda americana perde força e isso afeta o real por tabela. “O cenário do dólar pressionado e os nossos problemas locais fazem o real subir muito”, diz o gerente da Ágora.

O que esperar do dólar daqui para frente?

Ao que tudo indica, o dólar continuará volátil por mais algum tempo. Afinal, todas as preocupações que impulsionaram a alta da moeda devem permanecer no radar. “O real continuará caindo enquanto as incertezas continuarem no ar”, diz Marangoni, da Quadrante.

“Por ora, a tendência é o dólar é continuar volátil”, afirma Araújo, ao dizer que a alta da moeda americana é um movimento natural e esperado em momento de dúvidas.

Por outro lado, os especialistas afirmam que a cotação atual do dólar está muito alta e a tendência é seu preço diminuir um pouco, mas dentro de um patamar alto. “Acredito que o dólar não deve ficar abaixo de R$ 5,50, pois a eleição americana está apenas começando e vai trazer muita volatilidade”, diz Boneri.

Já Marangoni diz que vê um ponto de equilíbrio entre R$ 5,30 e R$ 5,40. “Se seguirmos uma linha mais fiscalista e de reformistas, o câmbio volta a cair um pouquinho”, afirma o sócio da Quadrante.

Neste contexto, os especialistas deixam o alerta para os investidores que desejam se posicionar em aplicações atreladas à moeda. “O câmbio está mais para se manter/cair um pouco do que subir e as pessoas têm que ter essa perspectiva em mente”, diz o gerente da Ágora.

A indicação, portanto, é apostar na diversificação, pois o momento ainda conta com muitas incertezas. “O cenário requer cautela e é importante estar protegido”, diz Marangoni.

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