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Para onde vai a ação da Embraer sem a Boeing

O fim do acordo bilionário com a Boeing preocupa investidores

Por Jenne Andrade

27/04/2020 | 14:34 Atualização: 02/06/2020 | 18:25

Incerteza sobre variantes do coronavírus afeta desempenho de empresas ligadas ao turismo e à aviação. Foto: Pixabay
Incerteza sobre variantes do coronavírus afeta desempenho de empresas ligadas ao turismo e à aviação. Foto: Pixabay

Na manhã desta segunda-feira (27),  a Embraer realizou uma teleconferência com os investidores para comentar o rompimento do contrato com a americana Boeing. Como a fusão entre as duas companhias era negociada desde dezembro de 2018, o fim do acordo de US$ 5,2 bilhões pegou os investidores de surpresa no último sábado. Os efeitos do fim da união vieram logo na abertura da Bolsa nesta segunda, quando as ações da fabricante brasileira de aviões caíram 14%, aos R$7,12.

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O casamento entre as empresas era visto com bons olhos pelo mercado financeiro. Para a Boeing, que controlaria 80% do negócio, a fusão com a Embraer significaria a entrada no mercado de jatos regionais para fazer frente com outros grandes players, como a Airbus, além do acesso a uma estrutura produtiva de ponta. No caso da brasileira, a principal vantagem seria o maior respaldo financeiro. Não é a toa que as expectativas foram frustradas.

Na teleconferência, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse que viu o fim do contrato com desapontamento, mas que a Embraer estava pronta para seguir em frente. “Temos um bom portfólio. A Embraer tem um grande futuro”, disse.

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Gomes também ressaltou que o coronavírus teve um impacto pequeno no mercado de jatos executivos, a qual a empresa brasileira faz parte. “Continuamos produzindo e vendendo aeronaves e permanecemos otimistas com o setor de aviação comercial.”

Toro: Como a incerteza é muito grande, não recomendamos a compra das ações

Para os especialistas ouvidos pelo E-Investidor, o cenário traz um desdobramento negativo de uma situação que já não estava boa. “A Boeing era importante para dar certa sustentação financeira para a fabricante brasileira, mas agora a Embraer vai ter que andar com as próprias pernas”, diz Luis Salles, analista da Guide Investimentos.

Essa também é a opinião do analista Daniel Herrera, da Toro Investimentos. “A conjuntura já era complicada antes da pandemia e do acordo com a Boeing”, afirmou. “O mercado vinha afunilando depois que Airbus se uniu com a Bombardier e o acordo entre Embraer e a fabricante americana era justamente para fazer frente a isso.”

Segundo os especialistas, a principal recomendação ao investidor é se afastar dos papéis da empresa. “A Embraer se vê bastante desamparada nesse momento. Como a incerteza é muito grande, não recomendamos a compra das ações”, disse Herrera.

Novas parcerias

Durante a teleconferência, o CEO da fabricante brasileira não descartou a possibilidade de novas parcerias. Para José Cataldo, estrategista da Ágora Investimentos, a empresa chinesa COMAC (China Commercial Aircraft) pode entrar na fila das possíveis interessadas.

“Seria o surgimento de uma terceira força no mercado, depois da Airbus e da Boeing, mas isso só aconteceria no longo prazo”, diz Cataldo. “Um novo acordo envolve burocracia, como a aprovação pelas autoridades antitruste. Não é algo que vai acontecer rápido, principalmente no cenário que temos hoje com o coronavírus.”

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Para Herrera, apesar dos problemas, a Embraer continua sendo uma referência no segmento, o que justifica o interesse da companhia chinesa. “A fabricante brasileira é muito elogiada por sua engenharia e qualidade nos produtos”, diz.  “Qualquer empresa que queira entrar no segmento de jatos executivos vê na parceria com a Embraer uma boa oportunidade.”

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