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Mercado

Paulo Bilyk: “Quem está comprado em 4 ou 5 ações corre grande risco de perder tudo”

CEO de gestora Rio Bravo Investimentos acredita que os ativos na Bolsa estão supervalorizados

Paulo Bilyk: “Quem está comprado em 4 ou 5 ações corre grande risco de perder tudo”
Paulo BilyK, CEO da Rio Bravo Investimentos. Foto: Divulgação/Rio Bravo Investimentos
  • Para Paulo Bilyk, CEO da Rio Bravo Investimentos, não existem fundamentos para sustentar o desempenho tão positivo da Bolsa
  • O executivo diz que, sem investimentos e consumo, empresas não devem apresentar bons resultados nos próximos meses
  • Investidor que não for diversificado, corre risco de perder tudo se a eventual bolha 'estourar', segundo o CEO

Depois da queda histórica de 30% em março, o Ibovespa entrou em uma trajetória forte de recuperação e voltou a romper a barreira dos 100 mil pontos nas últimas semanas. Com o bom momento do principal índice de ações da bolsa brasileira, veio também a realização de uma série de IPOs (Ofertas Públicas Iniciais).

A Selic em um patamar mínimo de 2% é um segundo fator que apimentou ainda mais o mundo dos investimentos, com as pessoas físicas migrando para a Bolsa e tendo que tomar mais risco para elevar os rendimentos. Entretanto, se no mercado acionário o impacto de covid-19 parece quase superado, na economia real o País ainda está longe de vencer o vírus.

Segundo a Boa Vista SCPC, por exemplo, os números de falência subiram 71,3% em junho, em comparação ao mesmo período do ano passado. O desemprego também atinge boa parte da população.

Para Paulo Bilyk, CEO da gestora Rio Bravo Investimentos, dados como esses deixam claro que não existem fundamentos econômicos que sustentem esse desempenho de Bolsa. Os preços dos ativos estariam, inclusive, supervalorizados – e as plataformas digitais, como a XP, teriam sua parcela de culpa nisso.

“Sou obrigado a achar que tem um pedaço dessa história que vem do incentivo informacional das plataformas digitais, no sentido de promover uma ideia de girar carteiras, comprar papéis e divulgar IPOs”, diz. “Eu acho que tem muitos ativos na Bolsa que estão caríssimos”, afirma.

Para o E-Investidor, o executivo explica sua visão sobre uma possível ‘bolha’ se formando na Bolsa de valores e o que o investidor pode fazer para se defender. Leia a conversa na íntegra:

E-Investidor: Como explicar esse desempenho tão positivo da Bolsa, mesmo com o coronavírus persistindo no Brasil?

Paulo Bilyk: Há uma dissonância entre o que o gestor profissional experiente sente em relação ao momento da Bolsa e o que os gestores menos experientes de fundos e as pessoas físicas que compram diretamente ações de plataformas digitais sentem. Aliás, esses fundos mais novos e mais agressivos são frequentemente distribuídos por essas plataformas digitais.

Então eu sou obrigado a achar que tem um pedaço dessa história que vem do incentivo informacional das plataformas digitais, no sentido de promover uma ideia de girar carteiras, comprar papéis e divulgar IPOs – nem todos da mesma qualidade e muitos realmente com um preço alto.

Agora, outro lado dessa equação, sem dúvida nenhuma, é o juros. O Brasil viveu muito tempo debaixo de uma embocadura complicadíssima, de juros muito altos, que criou nos brasileiros um vício de alocar toda sua poupança em renda fixa. Com os cortes na Selic e a renda fixa perdendo atratividade, houve essa corrida para a Bolsa por parte da pessoa física. O processo foi facilitado e incentivado pelas plataformas digitais, acredito eu que nem sempre da forma mais responsável.

Em resumo: me aponta um grande gestor que tenha mais de 15 anos de história administrando dinheiro de terceiros – e que não seja um produto momentâneo das plataformas digitais – que esteja bullish [otimista], sem crítica e sem preocupação. Eu não conheço.

As plataformas digitais estão excessivamente otimistas e, por consequência, ajudando a inflar os preços?

Não tenho certeza se as plataformas estão muito otimistas ou se elas estão vendendo otimismo. Porque evidentemente as plataformas vivem de corretar papéis, isto é, elas querem vender esses papéis. Isso é da natureza do business das plataformas e também dos bancos de investimentos.

Contudo, as plataformas levaram isso a um nível ainda mais extremo ao falar praticamente só com a pessoa física. E com um tipo de comunicação em blogs, twitter, que nós não tínhamos antes. Uma linguagem muito simples e superficial para quem estava acostumado com análise fundamentalista à moda antiga, e uma forma de expressar muito propagandística.

Está se formando uma bolha na Bolsa?

Acho que a pergunta é: a bolsa está cara? Eu acho que tem muitos papéis na Bolsa que estão caríssimos. Para mim, por exemplo, todos esses IPOs que estão saindo agora estão caros. Não vi um IPO até agora que eu achei que não fosse a um preço relativamente caro.

Se isso é o que chamam de bolha, pode ser que esteja se formando sim. Outro fator é que a bolha normalmente é movida a pessoas físicas comprando. Até porque se o profissional não tem competência no que ele está fazendo, ele não existe. E tem outra coisa, o profissional administra o dinheiro dos outros, ele tem que ser mais cauteloso mesmo.

A pessoa física que está administrando sua poupança tem até direito de correr mais riscos com o próprio dinheiro. Ela não está preocupada necessariamente com a disciplina de preservação de capital, talvez ela nem tenha as ferramentas de medir exatamente quão cara a bolsa está. Não sei o quanto exatamente ela entende das métricas de preço/lucro, valor da empresa/faturamento, preço/EBITDA e etc.

Quais são os riscos que o investidor está correndo nessa conjuntura?

O risco para o investidor é perder dinheiro, porque o que vai acontecer é o seguinte: o ano vai virar e em algum momento o mercado vai começar a refazer as contas, isso acontece, inevitavelmente. Se eu estiver errado e as empresas mostrarem um lucro muito grande, aí quem comprou e segurou os papéis vai sair ganhando.

Mas agora, alguém me diz de onde vai vir todo esse crescimento, se não temos investimento e consumo? De onde vai vir esse dinheiro tão grande? Estou disposto a acreditar se alguém me explicar. Por vezes, as emoções passam demais os fatos racionais e científicos nos investimentos, tenho a sensação de que estamos vivendo um momento desse.

Como o investidor pode se proteger caso a ‘bolha estoure’?

Eu acho que vai se proteger bem quem tiver diversificado. O que eu temo muito são pessoas que são ‘hiperalocadas’ em ações. Por exemplo, além de ações de empresas sólidas, de resultados estruturados recorrentes e que não estejam tão caras (como Pão de Açúcar, Itausa e Alpargatas), o investidor também pode alocar recursos em fundos imobiliários de qualidade, fundos de crédito privado, fundos de liquidez, fundos multimercados etc. É essa diversificação que pode salvar o investidor.

Agora, quem está com a sua carteira toda comprada em quatro ou cinco ações que você espera dar riqueza em um ou dois anos, está correndo um risco muito grande de perder tudo.

Quais são os principais indicativos dessa supervalorização dos ativos na B3?

A notícia desses dias que deveria ser muito alertadora para todo mundo são os resultados dos bancos, que sempre foram operações extremamente lucrativas no Brasil. Os bancos brasileiros operam com estrutura de tecnologia e de recursos humanos de muita competência, e mesmo eles estão vindo com resultados muito ruins. Basicamente, os bancos estão dizendo que de cada R$100 que eles emprestaram, R$30 foram perdidos.

O que vemos no Brasil é uma economia que vai decrescer entre 7% e 7,5% esse ano, em que as transferências governamentais estão sustentando a renda das pessoas físicas. E as transferências não vão continuar para sempre. Na virada do ano, isso tem que acabar, porque a gente não tem dinheiro para isso.

Entretanto, as pessoas físicas e alguns desses fundos, que são praticamente dependentes de estruturas digitais para vender seus produtos – como as XPs da vida e até a Guide que é do nosso grupo -, estão comprando uma ideia de que as empresas vão entregar um crescimento tão acelerado que vai justificar o preço que eles estão pagando hoje. É querer praticamente desafiar a lei da natureza.

Todos os fundamentos da economia dizem que não haverá crescimento acelerado em nada. E que sequer haverá muito consumo a partir da virada desse ano. Eu preferiria ver um pouco mais de sobriedade.

Quais medidas são importantes para o País conseguir, de fato, se recuperar da crise?

A gente está muito de olho em tudo que diz respeito à pauta fiscal, que é absolutamente essencial. Um rearranjo fiscal politicamente bem organizado, que fosse na direção de simplificação tributária sem aumento relevante da carga, sem distorções como a nova CPMF ou tributar dividendos sem fazer um ajuste no IR das empresas, é muito importante.

O problema é que o governo não está entregando muitos bônus nessa frente. As boas notícias vêm a conta-gotas. Eu acho inevitável que o Brasil tenha que dar uma guinada muito forte em relação à política ambiental e de relações exteriores, para se adequar, já que esses são temas centrais no processo de decisão hoje dos grandes investidores institucionais soberanos.

O que se vê do mundo político é um volume muito grande de desgastes, de factoides, de teatro. Precisamos de uma ação efetiva na frente de impostos, privatizações ou uma medida estruturante concreta, como foi no passado a lei de responsabilidade fiscal, o teto de gastos e a reforma da previdência.

O Ministro da Economia [Paulo Guedes] tem que resolver esses problemas politicamente, se não iremos virar o ano com muita gente bem preocupada, porque as contas públicas são muito ruins, a dívida pública aumentou violentamente na proporção do PIB, e não vai ser com base em medidas lentas e pequenas que nós vamos resolver isso.

O nosso nível de confiança também está muito baixo, as empresas estão quase que completamente em busca de sobrevivência. E, por isso, também acho incrível que os ativos estejam desse jeito.

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