A leitura predominante entre bancos e casas de análise é de um resultado equilibrado, com geração de caixa ainda robusta, mas acompanhado por sinais que exigem monitoramento. Entre eles estão o avanço do capex, sigla usada para designar os investimentos da companhia, e a discussão recorrente sobre a política de preços dos combustíveis.
Na bolsa, a reação corroborou a recepção positiva do mercado. As ações da Petrobras figuraram entre os maiores ganhos do Ibovespa hoje. Os papéis ordinários (PETR3) avançaram 4,12%, negociados a R$ 45,78, enquanto os preferenciais (PETR4) subiram 3,49%, cotados a R$ 42,11.
O que dizem os analistas
Para o Citi, o balanço veio em linha com as projeções e refletiu principalmente o recuo dos preços do petróleo e volumes ligeiramente menores de produção e vendas de combustíveis. O banco avalia que o potencial de valorização da empresa depende, sobretudo, da dinâmica das exportações de petróleo, hoje próximas de 0,9 milhão de barris por dia dentro de uma produção total de cerca de 2,5 milhões de barris diários.
A XP também classificou os resultados como próximos do esperado. A corretora destaca que o lucro líquido superou sua estimativa em cerca de 22%, mesmo após baixas contábeis de US$ 1,6 bilhão no período. Ainda assim, a casa observa que a composição da geração de caixa pode levantar dúvidas entre investidores nos próximos trimestres.
O Safra, por sua vez, afirma que o lucro ficou abaixo de sua projeção, de US$ 3,4 bilhões, justamente por causa dessa baixa contábil não incorporada às estimativas. Segundo o banco, o resultado também reflete uma contração nos números operacionais e perdas cambiais maiores, parcialmente compensadas por despesas fiscais menores.
Entre os pontos mais discutidos nos relatórios está o ritmo de investimentos. O capex trimestral ficou entre US$ 6,5 bilhões e US$ 6,6 bilhões, acima de parte das estimativas do mercado. Para o Itaú BBA, o movimento reflete o ciclo acelerado de investimentos em plataformas do pré-sal. Embora pressione o caixa no curto prazo, a expectativa é que esses projetos ampliem a geração de caixa nos próximos anos.
Apesar do aumento dos investimentos, os indicadores de endividamento permanecem sob controle. A dívida bruta encerrou o trimestre em US$ 69,8 bilhões, abaixo do teto de US$ 75 bilhões definido pela companhia, enquanto a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ficou em torno de 1,4 vez.
Na avaliação da Suno Research, o avanço da produção ajuda a sustentar a tese de investimento na companhia. Em 2025, a produção total de óleo e gás cresceu 11% e superou a meta prevista no plano de negócios. No quarto trimestre, as exportações de petróleo atingiram 999 mil barris por dia, impulsionadas pela entrada em operação de novas plataformas.
Preços de combustíveis e recomendação
A política de preços dos combustíveis continua no radar dos investidores. Segundo o Citi, ainda há diferença relevante entre os valores praticados no mercado interno e os preços de referência dos produtores independentes, estimada em cerca de 41% no diesel e 19% na gasolina, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis. O banco avalia, porém, que a Petrobras só deve considerar reajustes caso surja risco mais claro de escassez no mercado doméstico.
Entre as recomendações explícitas, o Itaú BBA mantém classificação outperform, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 43 para as ações preferenciais (PETR4), o que implica potencial de valorização de cerca de 6,2% em relação ao fechamento do pregão anterior. Outros relatórios divulgados após o balanço, como os de Citi, XP e Safra, concentraram a análise na dinâmica operacional do trimestre e nos riscos ligados a investimentos, geração de caixa e política de combustíveis, sem atualização de recomendação ou preço-alvo nos trechos divulgados.
Com informações de Beth Moreira, Cecília Mayrink, Gabriela da Cunha e Talita Nascimento, da Broadcast.