Por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para julho avançava 3,36%, a US$ 107,71 por barril, enquanto o WTI para junho subia 3,60%, a US$ 101,60. Durante a madrugada, o Brent chegou a ultrapassar US$ 106, ampliando o rali iniciado no fim de semana.
A nova rodada de alta ocorre após Trump classificar como “lixo” a contraproposta apresentada por Teerã ao plano de paz articulado pela Casa Branca. O republicano também afirmou que o atual cessar-fogo está em “estado crítico”, expressão que reacendeu no mercado o temor de uma retomada mais ampla das hostilidades.
Estreito de Ormuz volta ao centro da tensão
O avanço do “ouro negro” reflete uma percepção crescente de que as negociações caminham para um impasse mais profundo. Nos bastidores diplomáticos, o Irã insiste na retirada do bloqueio americano aos seus portos e no fim das sanções antes de discutir seu programa nuclear. Do outro lado, Washington mantém pressão máxima sobre as exportações iranianas.
Nesta terça-feira, os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra três pessoas e nove empresas acusadas de ajudar Teerã a vender petróleo para a China. As companhias estão espalhadas entre Hong Kong, Emirados Árabes Unidos e Omã.
A escalada amplia a sensibilidade do mercado em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto de toda a oferta global de petróleo. Qualquer sinal de interrupção logística na região rapidamente se converte em prêmio de risco nas cotações.
Nos últimos dias, navios comerciais foram interceptados, houve troca de ataques entre embarcações militares e o Irã passou a sinalizar que está “pronto com todas as opções”, nas palavras do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Energia volta a contaminar expectativas de inflação
A disparada do petróleo recoloca pressão sobre bancos centrais justamente em uma semana marcada pela divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos e no Brasil.
O mercado acompanha nesta manhã o dados de inflação ao consumidor (CPI) americano e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) brasileiro em busca de sinais sobre o impacto do choque energético nos preços ao consumidor. A preocupação ganhou força porque a recente escalada da commodity já começa a atingir combustíveis, fretes e custos industriais em diferentes economias.
Nos EUA, investidores passaram a recalibrar apostas para os juros do Federal Reserve, banco central dos EUA, diante do risco de uma inflação mais resistente. O movimento também afeta os Treasuries, títulos do Tesouro americano, e fortalece o dólar no exterior.
Ao mesmo tempo, o petróleo acima de US$ 100 mantém elevada a volatilidade dos ativos globais. Bolsas internacionais operam sob cautela, enquanto investidores alternam rapidamente posições entre proteção e risco a cada nova manchete envolvendo Washington e Teerã.
Petrobras no radar após balanço
Na B3, a alta do petróleo tende a sustentar ações do setor de óleo e gás, especialmente após o balanço da Petrobras (PETR3; PETR4), divulgado na noite anterior.
A estatal reportou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no 1T26, queda de 7,2% na comparação anual, abaixo das estimativas mais otimistas do mercado. Ainda assim, o resultado teve reação moderadamente positiva no after hours em Nova York.
A Petrobras explicou que a recente disparada do petróleo ainda não apareceu integralmente no resultado do trimestre por conta da defasagem natural entre embarque, reconhecimento da venda e precificação das exportações. Segundo a companhia, os efeitos mais fortes da alta da commodity devem aparecer apenas no segundo trimestre.
Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos negociados nas bolsas dos Estados Unidos que permitem a negociação de ações estrangeiras) da Petrobras operavam em baixa no pré-mercado da Bolsa de Nova York (Nyse). O equivalente à ação ON cai 0,63%, a US$ 20,62, e o equivalente à PN perde 0,22%, a US$ 18,89.
Com informações da Broadcast.