O petróleo hoje inicia a semana em alta e volta a orbitar a marca de US$ 100 por barril, em um movimento que recoloca o risco geopolítico no centro da formação de preços diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
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O petróleo hoje inicia a semana em alta e volta a orbitar a marca de US$ 100 por barril, em um movimento que recoloca o risco geopolítico no centro da formação de preços diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
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Por volta das 9h30 (de Brasília) desta segunda-feira (27), o Brent para julho avançava 0,99%, a US$ 100,11, enquanto o WTI para junho subia 0,64%, a US$ 95,00. Mais cedo, os contratos chegaram a registrar ganhos superiores a 2%, refletindo a deterioração do ambiente diplomático no fim de semana.
O principal gatilho do movimento foi o fracasso das tratativas entre Washington e Teerã, que não avançaram durante encontros no Paquistão. O presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom ao indicar que eventuais negociações poderiam ocorrer apenas sob novos termos, enquanto o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, deixou a região sem sinalizar progresso e seguiu para Moscou.
No centro do impasse está o Estreito de Ormuz. O Irã chegou a propor a reabertura da rota, desde que seu programa nuclear fosse retirado das negociações, condição considerada inaceitável pelos Estados Unidos. O resultado é um mercado que volta a precificar risco de oferta, diante da possibilidade de restrições prolongadas em uma das principais vias de escoamento de petróleo do mundo.
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Analistas apontam que a ausência de avanço nas conversas mantém o balanço global apertado, com poucas alternativas imediatas para compensar eventuais perdas de oferta, estimadas em milhões de barris por dia.
Além do impasse externo, o próprio Irã sinaliza dificuldades internas no setor energético. O governo anunciou um plano de gestão de consumo de gás que inclui desde campanhas de conscientização até restrições e racionamento direcionado, em meio a danos em instalações no campo de South Pars.
A medida indica que, além das incertezas geopolíticas, há limitações operacionais que podem afetar a capacidade de oferta do país, adicionando uma camada estrutural de pressão sobre os preços.
No pré-mercado de Nova York, os American Depostrary Receipts (ADRs, que permitem negociar ações estrangeiras nos EUA) da Petrobras (PETR3; PETR4) operavam em alta, acompanhando o avanço da commodity. O equivalente às ações ordinárias subia 0,43%, a US$ 20,96, enquanto os papéis preferenciais avançavam 0,39%, a US$ 18,93.
O movimento ocorre em paralelo à expectativa de repasse de preços no mercado doméstico. A companhia deve aplicar um reajuste de 18% no querosene de aviação (QAV) a partir de 1º de maio, refletindo o encarecimento do petróleo no mercado internacional.
O cenário adiciona volatilidade adicional aos ativos. A semana concentra decisões de política monetária em economias relevantes, incluindo Federal Reserve, banco central dos EUA, e Comitê de Política Monetária (Copom), além de uma bateria de indicadores de atividade, inflação e mercado de trabalho.
Nesse ambiente, o petróleo volta a operar menos ancorado em fundamentos tradicionais e mais sensível ao noticiário geopolítico, com o prêmio de risco oscilando conforme a percepção de avanço ou fracasso nas negociações.
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Com informações do Broadcast
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