Por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para julho avançava 2,13%, a US$ 107,97 por barril, enquanto o WTI para junho subia 2,93%, a US$ 104,13. Mais cedo, o Brent chegou a se aproximar de US$ 109.
A alta interrompe o breve respiro observado na véspera e devolve ao mercado o receios de que o choque energético contamine inflação, juros e atividade econômica ao redor do mundo.
Ormuz estrangula fluxo global de petróleo
O novo movimento de alta acontece em meio à percepção de que o impasse diplomático entre Washington e Teerã continua distante de uma solução prática.
Analistas do Goldman Sachs afirmaram nesta sexta-feira que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz seguem “muito baixos”, cenário que mantém o mercado apertado mesmo sem uma interrupção formal da rota marítima.
A região concentra cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo e se transformou no principal termômetro geopolítico dos mercados desde a escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados no Oriente Médio.
O presidente americano Donald Trump voltou a endurecer o discurso durante a viagem à China. Segundo ele, ainda não há acordo concreto com o Irã e o estreito precisa ser reaberto “porque aquilo virou uma loucura”.
Ao mesmo tempo, o republicano afirmou que fechou “acordos comerciais fantásticos” com os chineses durante os três dias de visita a Pequim, embora a Casa Branca ainda não tenha detalhado nenhum entendimento formal. Em entrevista recente à Fox News, Trump citou negociações envolvendo soja, aviões e petróleo.
A leitura do mercado é que, enquanto não houver um acordo minimamente estável entre EUA e Irã, qualquer redução de fluxo em Ormuz seguirá funcionando como gatilho imediato para novas altas do “ouro negro”.
Gasolina apertada e inflação voltam ao radar
Além da tensão geopolítica, o petróleo encontra suporte em sinais de aperto no mercado de combustíveis nos Estados Unidos.
Também segundo o Goldman Sachs, a demanda americana por gasolina continua resiliente, impulsionada tanto pelo consumo doméstico quanto pelo avanço das exportações. O banco destacou ainda que refinarias vêm direcionando produção para destilados, o que reduz a oferta relativa de gasolina e mantém preços pressionados.
Com o petróleo novamente acima de US$ 100, investidores passaram a recalibrar apostas para os juros americanos. O mercado já precifica cerca de 60% de probabilidade de uma nova alta de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds até o fim do ano.
Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, avançam, o dólar ganha força frente à maioria das moedas e as Bolsas internacionais operam em queda nesta manhã.
Na Ásia, o rendimento do título japonês de 10 anos atingiu o maior nível em quase três décadas, reflexo de um ambiente global mais avesso a risco e mais sensível à inflação de energia.
Petrobras e petroleiras voltam ao centro do pregão
Na B3, o avanço do petróleo tende a recolocar as ações ligadas à commodity entre os principais focos do mercado.
O setor já vinha de uma semana marcada pela repercussão do balanço da Petrobras (PETR3; PETR4), que mostrou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no 1T26, abaixo das projeções mais otimistas, embora com expectativa de captura mais forte da alta do petróleo apenas no segundo trimestre.
O movimento também costuma beneficiar empresas independentes do setor, como Prio (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Brava (BRAV3), que acompanham de perto a trajetória internacional do barril.
Ainda assim, o ambiente segue extremamente volátil. O mercado alterna rapidamente entre momentos de alívio diplomático e novas rodadas de tensão militar, num cenário em que cada declaração envolvendo Washington, Teerã ou o Estreito de Ormuz tem capacidade de mexer simultaneamente com petróleo, juros, dólar e Bolsas ao redor do mundo.
Com informações da Broadcast.