Em encontro com jornalistas em São Paulo, a executiva apontou que ainda há muitas incertezas sobre como os acontecimentos vão evoluir nos próximos dias e semanas no Oriente Médio. Porém, aponta que os investidores precisam considerar dois cenários.
Primeiro cenário
É o que o mercado parece estar precificando atualmente. Nele, o conflito é relativamente limitado no tempo. Há alguns dias de escalada, a situação parece muito ruim por um momento, mas não demora muito para terminar, e então começa um processo de normalização.
Nesse cenário, as consequências para a economia global e para os mercados financeiros são relativamente controladas. “No momento, acreditamos que estamos nesse cenário. Mas as coisas podem mudar rapidamente, como todos sabemos”, afirma.
Neste cenário, os preços provavelmente ficam em torno de US$ 80 por barril, com um pico próximo de US$ 85 por cerca de três meses, antes de recuar gradualmente.
Segundo cenário
Em um cenário mais extremo, o risco é de que haja uma disrupção mais prolongada no mercado de petróleo. Nem seria necessário que o conflito militar em si durasse muito tempo; basta que, durante o período de escalada, ocorram perturbações importantes no fornecimento de petróleo.
Esse segundo cenário teria consequências bem maiores para a economia global e para os investidores. Isso porque o petróleo é um grande mecanismo de transmissão de choques para a economia global.
Neste cenário, podemos ver o petróleo acima de US$ 100 por barril por pelo menos três meses, com uma média anual muito mais alta.
Qual a probabilidade desse cenário extremo ocorrer? Caso os EUA e Israel atinjam um ponto de produção importante de petróleo no Irã e o país decida revidar atacando outro ponto relevante. “Caso sejam atingidos, podem levar meses para a produção ser normalizada, o que tem potencial de provocar uma disrupção no mercado”, diz Hechler-Fayd’herbe. Nesse cenário, nem barris adicionais da Agência Internacional de Energia seriam suficientes.
Mas a executiva acredita que ambas as partes do conflito não desejam que esse cenário aconteça, o que deve evitar essa perspectiva.
Preocupação para a agricultura
O conflito ocorre em uma região que é um verdadeiro ponto de estrangulamento do comércio global. O Estreito de Hormuz, onde estão acontecendo interrupções de tráfego, é essencial para o transporte não só de energia, mas também de produtos químicos e fertilizantes.
“Fertilizantes são fundamentais para a agricultura. Para economias emergentes — como Brasil ou África do Sul — onde a inflação de alimentos é um componente muito importante da inflação total, isso se torna uma preocupação central. Portanto, temos um gargalo logístico muito relevante.”
Qual o impacto no Brasil?
Em um choque de oferta global de commodities, o Brasil pode até se beneficiar, na visão da diretora, porque o país é exportador de commodities energéticas e agrícolas. Ou seja, preços mais altos de commodities podem compensar volumes menores. Além disso, a bolsa brasileira tem forte exposição a commodities e setores cíclicos.
A visão do Lombard Odier continua sendo de desaceleração do crescimento neste ano em relação ao ano passado, principalmente por causa dos juros elevados, que desaceleram o crédito.