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Mercado

O que o investidor precisa saber sobre a aquisição da Linx pela Stone

Processadora de pagamentos pretende pagar R$ 6 bilhões pela empresa de softwares

Abertura de capital da brasileira Stone em outubro de 2018, em Nova York (Foto: Nasdaq)
  • Caso obtenha autorização dos órgãos reguladores do Brasil e dos Estados Unidos, a fintech brasileira Stone, que tem ações negociadas na Nasdaq, pretende comprar a empresa de tecnologia também brasileira Linx, que tem os papéis negociados na B3, por aproximadamente R$ 6 bilhões
  • A Stone pretende captar US$ 1 bilhão, considerando o preço de US$ 52,39 do fechamento do pregão da terça-feira (11). Caso haja demanda, a companhia lançará um lote adicional, e a captação pode chegar a US$ 1,15 bilhão
  • O objetivo da fintech brasileira é aumentar sua oferta de serviços em soluções tecnológicas, além dos financeiros. Em tempos de avanço do e-commerce, então, a ideia é melhorar a experiência de pagamentos dos clientes. Ou seja, com isso a Stone poderá terceirizar os serviços da Linx para o varejo

O ano de 2020 está realmente movimentado para o mercado de meios de pagamentos brasileiro. Com o surgimento de novas modalidades, como o PIX, do Banco Central, e o Facebook Pay, as empresas que trabalham com credenciamento de cartões no varejo estão se movimentando como podem para não ficar para trás. Exemplo disso é a recém-anunciada aquisição da Linx (LINX3) pela Stone (STNE).

Caso obtenha autorização dos órgãos reguladores do Brasil e dos Estados Unidos, a fintech brasileira Stone, que tem ações negociadas na Nasdaq, pretende comprar a empresa de tecnologia também brasileira Linx, que tem os papéis negociados na B3, por aproximadamente R$ 6 bilhões.

Para reforçar seu caixa e concretizar a operação bilionária, a empresa de meio de pagamentos fará uma oferta de ações nos Estados Unidos com 213.448.170 novos papéis. A Stone pretende captar US$ 1 bilhão, considerando o preço de US$ 52,39 do fechamento do pregão da terça-feira (11). Caso haja demanda, a companhia lançará um lote adicional, e a captação pode chegar a US$ 1,15 bilhão.

O objetivo da fintech brasileira é aumentar sua oferta de serviços em soluções tecnológicas, além dos financeiros. Em tempos de avanço do e-commerce, então, a ideia é melhorar a experiência de pagamentos dos clientes. Ou seja, com isso a Stone poderá terceirizar os serviços da Linx para o varejo.

O que acontece com os papéis das empresas?

Com a aquisição, a Linx deixará de ser negociada na bolsa brasileira e se tornará uma empresa de capital fechado dentro do grupo Stone, focada na oferta de softwares para o setor varejista.

O analista e sócio da Reach Capital, Henrique Lara, explica que na conversão de troca das ações, com base no preço atual das companhias, cada ação da Linx valerá por volta de R$ 33,76. Esse valor deverá ser pago aos acionistas da Linx em dinheiro (90%) e ações (10%) da Stone.

“Os acionistas fundadores da Linx entenderam que era uma oferta que fazia muito sentido, um preço justo. Então, eles vão recomendar isso para todos os acionistas que têm direito de participar dessas condições”, explica Lara, que acredita que o negócio deverá ter adesão dos acionistas da Linx.

Nesta quinta-feira (13), às 12h30, as ações da Linx eram cotadas a R$ 31,91, uma leve baixa em relação aos R$ 32 do pregão da terça-feira (12) na B3. A Stone era cotada em US$ 48,55, também abaixo dos US$ 49,55 no fechamento das negociações da terça-feira, na Nasdaq.

O sócio da Reach também explica que, de acordo com o que foi dito até agora, a Stone não pretende abrir capital no Brasil. E esse ponto tem causado  debate acerca de como os acionistas pessoa física ou mesmo fundos que não têm posições lá fora poderão receber essas ações da Stone que são negociadas na Nasdaq.

“Normalmente nesses casos para quem não pode ou não quer receber a fração em ações, a própria empresa, no caso a Stone, vende as ações e paga a quantia em dinheiro também”, afirma Lara.

Quando deve vir uma decisão sobre o negócio?

A expectativa é que a operação seja finalizada até o final de 2020. Contudo, a transação é complexa e envolve a autorização de órgãos reguladores norte-americanos – já que a Stone é negociada na Nasdaq – e também brasileiros, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Para quem acompanha de perto o setor, a fusão das companhias não representaria maiores prejuízos para as concorrentes. Logo, deverá ter o aval dos reguladores.

“São atividades complementares. Não há nenhuma indicação de que a combinação das duas crie desequilíbrios competitivos relevantes no mercado. Então é pouco provável que não seja aprovado pelo Cade”, avalia Boanerges Ramos, presidente da consultoria de varejo financeiro Boanerges e Companhia.

O sócio da Reach Capital também lembra que o acordo de fusão prevê multas compensatórias que podem chegar a R$ 605 milhões, variando conforme o cenário, caso alguma das partes desfaça o acordo. “Tem alguns critérios que, dependendo do cenário, não vai ser o valor total da multa que vai ser devido. Pode ser 75%, 25%”, esclarece Lara.

Como fica o mercado de meio de pagamento?

O mercado de meios de pagamento vem passando por uma transformação e vive a apelidada “guerra das maquininhas”. Com a aquisição da Linx, a Stone sai na frente das concorrentes no sentido de oferecer também soluções tecnológicas.

O passo da companhia, que tem como forte o credenciamento de pequenos e médios varejistas para trabalhar com cartões de crédito e débito, é uma forma de se antecipar aos impactos que a inclusão de novas modalidades de pagamento, como o PIX do BC, de pagamentos instantâneo, que será disponibilizado em novembro.

“Isso tudo está levando a atividade de credenciamento, que já foi muito expressiva e lucrativa, a ser uma atividade menor, de margens mais baixas. O que a Stone está fazendo agora é dar mais um passo grande e ampliar o seu leque de serviços, voltados para os varejistas”, explica Boanerges.

Atualmente, há nomes mais fortes neste mercado, como a líder Cielo e a Pagseguro. Com a fusão, a Stone deve não só deve ganhar a grande fatia de mercado da Linx, como também passar a oferecer para os seus atuais clientes os serviços tecnológicos para a gestão das empresas, forte da Linx.

“A Linx já teve oportunidade de fazer integração com a Cielo e não avançou. Na sequência, fez com a Rede e é isso que está valendo até hoje. E agora, [com a fusão], certamente ficará exclusiva da Stone. Então todos esses estabelecimentos que trabalham hoje com a Linx devem ser integrados à lista de clientes da Stone e vice-versa”, observa Boanerges.

Qual a avaliação do mercado sobre a operação?

Quem acompanha o setor vê muitas vantagens para o Stone no final das contas. Pois, apesar de não ter um market share tão grande como seus pares, a companhia deverá assumir a dianteira na oferta de serviços tecnológicos, atrelado aos já tradicionais serviços financeiros.

“A Stone é realmente muito eficiente e, aliado ao ativo que a Linx tem, que é esse número de clientes enorme, e muito pulverizado pelo varejo brasileiro praticamente inteiro, ela vai poder abocanhar uma fatia de mercado ainda maior, oferecendo um produto muito mais diferenciado que os concorrentes dela conseguem fazer”, diz Lara.

Além da adquirência e as ofertas financeiras, como adiantamento de recebíveis, alguns tipos de crédito, o analista cita que a Stone poderá oferecer soluções como softwares que ajudam na gestão, otimizam os processos e resolvem basicamente um leque muito maior de problemas do setor varejista para rodar a sua operação.

Do ponto de vista de investimento, Lara explica que a Linx, com cerca de 46% do mercado de software para o varejo, já era vista como um bom negócio pelo que ela negocia atualmente. Com a fusão, a Stone também se reforça como uma opção. Mas ele lembra que quem se posicionar na Linx agora deve ter em mente que terá um retorno por volta dos R$ 33 para cada ação.

“A transação já está muito encaminhada e a um preço definido. Quem compra ação da Linx hoje, muito provavelmente vai receber por volta dos R$ 33,76 para cada ação. Ou seja, o upside é limitado”, pondera Lara.

Com a flexibilização das regras para BDRs no Brasil, a exposição à Stone, que é negociada fora, poderá ser uma alternativa para brasileiros.

O presidente da consultoria de varejo financeiro Boanerges e Companhia, Boanerges Ramos, salienta que a Stone é bem valorizada quando se considera os múltiplos da companhia, o valuation em relação ao tamanho dela, ao market share e ao lucro.

“É uma empresa muito valorizada porque, apesar de ser de adquirência, ela é uma empresa de tecnologia. E os múltiplos desse, agora adquirindo a Linx, são também mais atraentes”, analisa Ramos.

O Goldman Sachs avalia que o último balanço da Stone, apesar da pandemia de covid-19, deve ser recebido positivamente pelo mercado. Em relatório desta quarta-feira (12), o grupo financeiro destaca que o volume total de pagamentos (TPV) da companhia voltou aos níveis pré-covid, aumentando 1% no trimestre e 28% no comparativo anual.

“Os volumes foram beneficiados por R$ 2 bilhões em ‘coronavouchers’ no trimestre, além de um aumento de 80% no volume on-line. A empresa também atingiu R$ 100 milhões em receita anualizada de software e 305 mil clientes de software, enquanto a carteira de crédito atingiu R$ 491 milhões no 2T20, aumento de 50% no comparativo trimestral e R$ 626 milhões em julho”, diz o relatório.

Sobre a Linx, o banco ressalta que ela é a maior empresa de software do Brasil, com mais de 70 mil clientes de varejo e aproximadamente R$ 300 bilhões em valor bruto de mercadoria (GMV).

“A Stone vê potenciais sinergias de receita por meio da venda cruzada de pagamentos e software, bem como sinergias operacionais de despesas de racionalização. Isso deve permitir que o negócio seja cumulativo por 2021”, mostra o relatório.

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