A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em meio a acusações de fraudes bilionárias com envolvimento de fundos de investimentos, produtos supervisionados pela CVM. A magnitude das transações levantou questionamento público sobre a eficácia da atuação dos órgãos fiscalizadores para coibir crimes no mercado financeiro.
Renato Chaves, especialista em governança, aponta dificuldades estruturais da autarquia para fiscalizar o mercado financeiro de forma célere. Falta de pessoal e de tecnologia são apontados como entraves relevantes, que fazem com que as investigações demorem mais a serem concluídas e julgadas. A lentidão cria espaço para que esquemas fraudulentos se desenvolvam substancialmente antes de serem punidos.
Para Chaves, a melhora dessa situação passa por fortalecer a CVM. “A autarquia sofre com essa carência”, afirma. “Precisam de ferramentas tecnológicas para rastrear as demonstrações financeiras de fundos que, por exemplo, apresentem variação patrimonial muito grande ou fiquem sem auditoria”, aponta o especialista, relembrando casos de fundos relacionados ao Master e à Reag, que passaram anos com auditores apontando ressalvas nos balanços.