Segundo banco, a China tem consolidado seu papel como produtor relevante, reduzindo a dependência de importações e alterando a dinâmica de custos globais. Além disso, uma nova onda de capacidade de baixo custo vinda da América Latina deve entrar no mercado nos próximos anos, elevando o risco de um desequilíbrio entre oferta e demanda.
Com esse pano de fundo, os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite avaliam que o mercado de celulose está transitando para um regime de superoferta persistente, o que levou à revisão da premissa de preço de longo prazo da fibra curta de US$ 600 por tonelada para US$ 550 por tonelada.
Dada as projeções de preços da commodity mais pressionados, o BofA alterou a recomendação para o papel de compra para neutra, assim como o preço-alvo que foi reduzido de R$ 82 para R$ 57. A decisão pesou sobre a performance das ações. Na terça-feira (7), quando o cessar-fogo ainda era uma dúvida para o mercado, a Suzano sofreu um tombo de 6.39% com a repercussão dos investidores.
Para 2026, o BofA projeta que a Suzano apresente uma receita de R$ 56,506 bilhões, o que representa uma redução de 3,6% em relação à estimativa anterior. O Ebitda esperado para este ano é de R$ 21,376 bilhões, uma queda de 2,9% ante a projeção anterior. Já o lucro líquido estimado para 2026 sofreu um ajuste negativo de 14,1%, situando-se em R$ 5,953 bilhões.
Os analistas observam que, embora a Suzano mantenha um valuation considerado saudável e um rendimento de fluxo de caixa livre atrativo de 5,4% para 2026, a alta sensibilidade da empresa à volatilidade dos preços da commodity justifica a postura mais conservadora no momento. Diante desse cenário o BofA reduziu as estimativas do múltiplo de valor da empresa sobre Ebitda para a Suzano de 6,5 vezes para 6 vezes.