As revisões são fundamentadas nas incertezas relacionadas às contas públicas brasileiras. Na visão do UBS, os sinais emitidos pelo governo em relação à política fiscal serão mais impactantes para o País do que qualquer volatilidade vinda de notícias do exterior.
A instituição ainda compara o atual período com os anos de 2015 e 2016, em que a recessão enfrentada por aqui se descolou das tendências vistas mundialmente.
“Essas mudanças pressupõem que haverá alguns avanços positivos no debate sobre o orçamento de 2021, incluindo um novo esquema orçamentário para apoiar famílias de baixa renda, substituindo o atual programa do ‘coronavoucher’ e o Bolsa Família, usado até 2019. É, portanto, um cenário dependente de condições políticas. Também depende de uma perspectiva externa moderadamente positiva”, explica o UBS, em relatório.
O banco suíço ainda comentou as expectativas para o PIB do País, que, após cair 11,9% no primeiro semestre, entrou em rápida trajetória de recuperação.
“Nós esperamos a expansão de 8% do PIB no terceiro trimestre”, afirma. “O principal desafio será chegar no primeiro trimestre de 2021 com o esperado ajuste fiscal.”
Ibovespa na montanha-russa
O principal índice de ações também tem sofrido os impactos das incertezas fiscais. Desde agosto, o indicador oscila entre 90 e 100 mil pontos, com o mercado de olho no comprometimento do governo com o ajuste fiscal.
“Não estourar o teto é a coisa mais importante nos próximos dois anos. Se acontecer um furo do teto de gastos, o cenário irá se tornar bastante negativo”, explica Alexandre Ázara, economista-chefe da Mauá Capital.
O Ibovespa fechou o último pregão, na sexta-feira (30), em queda de 2,72%, puxado pelos temores relacionados ao avanço de uma possível segunda onda do coronavírus no exterior. Até às 11h33 desta terça-feira (3), pós-feriado nacional, o índice subia 1,62%, a 95.478,87.