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Mercado

Vale (VALE3): BTG e Goldman discordam sobre compra das ações; veja o que esperar dos dividendos

A divergência está em alguns pontos, sendo as questões do minério de ferro, a China e o potencial de alta das ações

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

12/09/2024 | 16:10 Atualização: 13/09/2024 | 11:43

Vale (VALE3). (Foto: Fabio Motta/Estadão)
Vale (VALE3). (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Analistas do BTG Pactual e do Goldman Sachs emitiram recomendações diferentes sobre a Vale (VALE3) em relatórios publicados nesta quarta-feira (11). A equipe do BTG Pactual tem recomendação neutra para os ativos da companhia. Já o Goldman Sachs recomenda o investidor deve comprar o ativo.

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A divergência está em alguns pontos, como em relação a questões do minério de ferro, a China e o potencial de alta das ações. As duas casas divulgaram relatórios após a visita em Carajás.

Os especialistas do BTG afirmam que a companhia passou por grandes melhorias nos últimos 10 anos, com avanços voltadas para o aperfeiçoamento da produtividade da mineradora. “A escala e os avanços tecnológicos são notáveis após uma década, e acolhemos os esforços da administração para melhorar a visibilidade em sua agenda para aumentar a confiabilidade dos ativos após os soluços do passado” apontam Leonardo Correa e Marcelo Arazi, que assinam o relatório do BTG.

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Já para a equipe do Goldman Sachs, a combinação de melhoria da segurança operacional, o melhor conhecimento de ativos e modelos operacionais está dando resultado. “Isso está permitindo que a Vale aumente os volumes de qualidade e permitiu a atualização da orientação”, apontam Marcio Farid, Gabriel Simões e Henrique Marques, que assinam o relatório do Goldman Sachs.

Os especialistas do Goldman relatam que a empresa está no caminho certo para entregar projetos que permitam que a produção cresça de 6% a 12% até 2026. Eles também dizem que o desempenho do segmento de metais básicos também vem melhorando com base na revisão de otimização de ativos e consequente melhor utilização e eficiência (ganhos de 30% a 50% em alguns casos), com Salobo como o principal impulsionador da recente revisão de orientação de custos.

“Enquanto a empresa continua a entregar a produção crescente de minério de ferro, a administração mencionou que o foco está na qualidade do produto e observou um baixo risco de queda dos preços do minério de ferro, que deve operar em torno de US$ 90 por tonelada”, relatam os analistas do Sachs.

Analistas concordam sobre novo CEO da Vale

Sobre o novo CEO e o acordo de Mariana, as duas casas tem visões positivas. De modo geral, BTG e Goldman Sachs relatam que a escolha de Gustavo Pimenta foi técnica e bem intencionada, o que acabou afastando qualquer temor do mercado de uma intervenção estatal na Vale. Isso porque, ao longo do ano, rumores circularam no mercado de que o governo Lula estaria tentando emplacar um nome para presidir a mineradora.

Sobre o acordo de Mariana, os analistas do BTG Pactual se dizem os mais otimistas, os especialistas relatam que esperam entre US$ 1 e US$ 2 bilhões em provisões. “Estamos com a expectativa mais otimista do mercado sobre o assunto e estimamos que a Vale deve fechar um bom acordo no próximo mês”, argumenta a equipe do BTG.

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Na noite desta quarta-feira (11), a Vale informou que as negociações sobre Mariana estão avançadas, a partir de propostas previamente apresentadas e divulgadas pelas partes. Segundo a companhia, até o momento, nenhum acordo definitivo foi alcançado. “A companhia espera chegar a um acordo final no processo de mediação em outubro de 2024, o qual será devidamente divulgado ao mercado”, diz a empresa.

O que esperar dos dividendos da Vale?

Em meio a esses acontecimentos e projeções, os analistas possuem perspectivas semelhantes para os dividendos da Vale. O BTG calcula que a Vale deve pagar cerca de 9,2% do seu valor de mercado em 2024, 7,3% em 2025 e 6,4% em 2026. Já a equipe do Goldman Sachs diz acreditar que a empresa deve pagar 9,2% do preço de sua ação em dividendos em 2024, 7,4% em 2025 e 6,4% em 2026.

Ainda assim, os especialistas discordam na recomendação final para a ação. As duas equipes concordam no relatório que a empresa deve continuar vivenciando o preço do minério de ferro entorno do US$ 90 por tonelada, o que para o Sachs é satisfatório, mas para o BTG não é interessante.

O trio de analistas do banco americano comenta que recomenda compra para as ações da Vale em Nova York, conhecidas como American Depositary Receipts (ADR). O preço-alvo é de US$ 15,90 para os próximos 12 meses, alta de 60,4% na comparação com o fechamento de quarta-feira (11), quando a ação encerrou o pregão a US$ 9,91. “Temos essa recomendação com base nos múltiplos que a ação é negociada, que mostra que o ativo está descontado”, argumentam Marcio Farid, Gabriel Simões e Henrique Marques, que assinam o relatório do Sachs.

Já o BTG diz que as premissas para a empresa não são tão positivas. A falta de otimismo do banco brasileiro acontece pelo fato de a economia chinesa não estar tão acelerada quanto o esperado, o que não é positivo para empresa. Isso porque, a China é um dos maiores consumidores do minério de ferro.

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“Conforme amplamente discutido em nossa pesquisa recente, continuamos preocupados com o ambiente macroeconômico na China, particularmente a queda na demanda por aço devido à contínua desaceleração do setor imobiliário, um dos maiores consumidores de aço no país asiático”, esclarecem Leonardo Correa e Marcelo Arazi.

O BTG tem recomendação neutra para a ADR em Nova York com preço-alvo de US$ 12, um crescimento de 21,1% na comparação com o fechamento de quarta-feira (11). Ou seja, mesmo com estimativas de dividendos semelhantes para a Vale (VALE3), os analistas olham o copo com metade da água forma diferente. Cabe ao investidor decidir se vai querer olhar o copo meio cheio ou o copo meio vazio.

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