“A esperada recuperação econômica, que seria natural com o fim das restrições sociais causadas pela pandemia, deve ser substituída por estagnação ou recessão”, afirma a gestora. Nessa conjuntura mais nebulosa, ações de empresas sólidas, líderes em seus respectivos setores e com ótima gestão, se destacam. “Nossa carteira de ações está focada neste perfil. Além das empresas citadas acima, nossos maiores investimentos são em Suzano, Vibra (antiga BR Distribuidora) e Localiza.”
O documento ainda trouxe uma longa carta, assinada pelo famoso gestor do Fundo Verde, CEO e CIO, Luis Stuhlberger, e pelo economista-chefe da casa, Daniel Leichsenring, sobre a direção que o governo vem tomando em relação às contas públicas. Intitulada ‘Auxílio, populismo e a falácia do 10×0’, o texto afirma que o ministro da economia Paulo Guedes “escolheu a desonra” ao apoiar a gastança acima do limite fiscal.
“Instado a se justificar, o Ministro contrapôs o Teto à Política Social e sugeriu que o primeiro é a antítese da segunda — uma tese para lá de falaciosa e que atenta contra o bom senso”, ressalta Stuhlberger e Leichsenring, na carta. “O Teto não é um instrumento que se opõe ao gasto social. Pelo contrário. O Teto força o Congresso e o Executivo a avaliarem onde faz sentido gastar mais, garantindo que políticas populistas não venham a ser implementadas em larga escala.”
A Verde Asset vê como medidas populistas aquelas tomadas para gerar um benefício momentâneo, geralmente com objetivo eleitoral, mas que são insustentáveis e trarão malefícios no longo prazo. Um exemplo trazido pelos especialistas foi o período de grave irresponsabilidade fiscal ao longo do segundo governo de Dilma Rousseff, que jogou o País na pior recessão em 120 anos, com uma queda de 7,2% do PIB entre o 4º trimestre de 2014 e o 4º trimestre de 2016.
Agora, o governo Bolsonaro seguiria na mesma direção. Com o drible na âncora fiscal, em prol da criação do novo e temporário Auxílio Brasil (substituto do Bolsa Família, que deve vigorar apenas em 2022), a economia pode entrar em um grave ciclo de destruição: mais inflação, menor crescimento e juros mais altos, levando à “necessidade” de mais gasto público, que levará à mais inflação e assim sucessivamente.
“A solução correta para o problema estrutural da extrema pobreza teria sido focalizar os gastos públicos em favor do Bolsa Família, mas o governo abandonou qualquer proposta neste sentido”, afirmam os economistas da Verde. “Pressionado pela “ala política”, o governo resolveu jogar na lata do lixo a Emenda do Teto.”
A anuência de Paulo Guedes também é um fator de extrema preocupação. Para Stuhlberger e Leichsenring, enquanto a equipe econômica perdeu importantes nomes técnicos em outubro, como Bruno Funchal e Jeferson Bittencourt, secretários do Tesouro e Orçamento e do Tesouro Nacional, a ala política ganhou um novo e importante integrante: o próprio ministro da economia.
Soluções
Para a Verde Asset, a solução correta para ajudar a população face o aumento da pobreza e do desemprego, seria estender o auxílio emergencial para o ano que vem – desde que realmente tivesse um prazo definido para acabar.
“Se gastássemos R$ 50 bi a mais em 2022, desde que temporário e sem mexer no arcabouço fiscal, seria muito menos danoso. Não jogaríamos fora as instituições fiscais que nos custaram tanto para construir, manteríamos o Teto, e evitaríamos esse desequilíbrio geral a que assistimos agora”, afirmam os especialistas da Verde.
PEC dos Precatórios
Até às 12h43, o Ibovespa subia 1,18%, aos 106 mil pontos, com os investidores de olho na votação em segundo turno da PEC dos Precatórios. A proposta muda a regra do teto de gastos, que poderá passar a ser corrigido pela inflação em 12 meses registrada de janeiro a dezembro de cada ano. Atualmente, o total de despesas do ano anterior é corrigido pelo IPCA acumulado em 12 meses até junho.
O ‘drible’ abre um espaço fiscal de mais de R$ 90 bilhões, para custear o Auxílio Brasil. Além disso, a proposta prevê o estabelecimento de um limite anual para o pagamento de precatórios e torna possível o parcelamento dessas dívidas.