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Via (VIIA3): novo plano afasta temores de recuperação judicial?

Entenda a visão dos analistas sobre “transformação” proposta pela varejista após prejuízo de quase meio bilhão

Via (VIIA3): novo plano afasta temores de recuperação judicial?
Via, dona das Casas Bahia e do Ponto, precisará reestruturar suas operações (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)
  • A Via (VIIA3) registrou um prejuízo de R$ 492 milhões no 2º trimestre do ano, revertendo o lucro de R$ 6 milhões obtido no mesmo período do ano passado
  • “São resultados péssimos, não há outra palavra que descreva”, afirma Pedro Accorsi, analista da Ticker Research e Accorsi Investing
  • Junto aos números do 2º tri, a empresa apresentou um novo “Plano de Transformação de 2025”, com medidas que visam melhorar a estrutura de capital e o operacional da companhia. Entretanto, futuro ainda é incerto

A Via (VIIA3) registrou um prejuízo de R$ 492 milhões no 2º trimestre do ano, revertendo o lucro de R$ 6 milhões obtido no mesmo período do ano passado. Nos seis primeiros meses de 2023, a empresa acumula um rombo de R$ 789 milhões.

Paralelamente, a receita teve crescimento nulo nos últimos 12 meses, com o montante permanecendo estável em R$ 8,9 bilhões. A varejista também perdeu margem de lucro e viu suas despesas financeiras saltarem 47,8% no período, para R$ 882 milhões.

A derrocada levantou até mesmo questionamentos sobre a necessidade de uma recuperação judicial. No Twitter, investidores e especialistas repercutiram o prejuízo de quase meio bilhão. “São resultados péssimos, não há outra palavra que descreva”, afirma Pedro Accorsi, analista da Ticker Research e Accorsi Investing.

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“Realmente um resultado preocupante”, completa Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos. “A verdade é que a Via já vinha com problemas há muito tempo, mas as dúvidas em relação à companhia acabaram ofuscadas pelo desastre da Americanas (AMER3) no início do ano.”

Contudo, não foi somente o balanço fraco, divulgado na noite da última quinta-feira (10), que surpreendeu. Junto aos números do 2º tri, a empresa apresentou um novo “Plano de Transformação de 2025”, com medidas que visam melhorar a estrutura de capital e o operacional da companhia.

Entre as metas, estão o fechamento de 50 a 100 lojas, redução de despesas de pessoal, redução de até R$ 1 bilhão em estoques, além de novo modelo de crediário através de Fundos de Direitos Creditórios (FIDCS). Como reação ao guidance apresentado, as ações da Via chegaram a saltar 8% até o início da tarde desta sexta-feira (11). Por volta das 15h44, o papel estava em alta de 1,64%, aos R$ 1,86.

Plano reacende esperanças

De acordo com os especialistas consultados pelo E-Investidor, o Plano de Transformação da Via reacende as esperanças no mercado, mas ainda não é suficiente para assegurar uma melhora na saúde financeira da empresa.

“Em geral, eu gostei do plano. São ótimas ideias que, se bem aplicadas, aumentam significativamente a segurança do negócio a longo prazo. No entanto, tudo que foi trazido é de difícil aplicação”, afirma Accorsi. “O processo vai levar tempo e pode, inclusive, nunca ocorrer.”

O analista de Ticker Research não descarta que, futuramente, a varejista precise ainda lançar mão de uma recuperação judicial (RJ). “Os temores quanto a uma eventual RJ só vão ser, de fato, afastados quando as mudanças propostas pelo plano começarem a respaldar sobre os resultados da companhia”, diz Accorsi.

Cruz, por sua vez, vê o Plano de Transformação como “bastante ambicioso”, mas que se der certo, pode fazer com que a companhia volte a se tornar interessante. Entretanto, o sonho de ser uma líder do varejo deve ficar mais longe ao final deste processo.

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“Acredito que a Via vire um player mais específico, ou seja, ache algum modelo que não seja tão replicável”, diz Cruz. “Eu diria que Americanas e Via caminham para encolher nos próximos anos.”

Já Gabriel Bassotto, analista chefe de ações do Simpla Club, avalia que, mais do que medidas para retomar a sustentabilidade financeira, a divulgação do novo plano passa a mensagem de que a nova diretoria está comprometida com a resolução de problemas. Essa sinalização, por si, já melhora o humor dos investidores. “Apesar disso, vale lembrar que a empresa já divulgou outros planos de ação no passado, mas nem sempre conseguiu avançar com eles”, diz Bassotto. “Ainda é cedo para saber se a varejista vai caminhar no sentido certo.”

Flávia Meireles, analista da Ágora Investimentos, também tem a mesma visão. Embora tenha visto as ações propostas como positivas, ela ressalta a necessidade de observar de que forma o plano será executado. “A gestão não levou em consideração possíveis melhoras macro para as estratégias, apenas focou na melhora do negócio. Esta postura passa credibilidade”, afirma. “Mas ainda esperamos números pressionados nos próximos balanços.”

Recomendações

Mesmo com o plano trazendo algum fôlego para as ações, os analistas não recomendam a compra dos papéis. Os investidores devem avaliar, nos próximos meses, o andamento das estratégias apontadas no relatório.

Accorsi aconselha investidores a ficarem de fora do papel. “O momento atual não abre, de forma alguma, uma janela de compra com boa margem de segurança”, ressalta.

Cruz avalia que o investidor que já tem as ações depende de fatores incertos para conseguir boas valorizações. “Eu iria para outras ações. Claro que esse novo projeto da Via chama a atenção, mas é um processo muito desafiador”, diz o estrategista. “Talvez seja preciso que o investidor carregue muito os ativos para talvez, lá na frente, a empresa conseguir uma recuperação.”

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Meireles, por sua vez, mantém a recomendação neutra para VIIA3. “Vamos monitorar como esse plano vai se desenrolar, mas por enquanto, olhando para os fundamentos, vemos que resultados serão ruins no curto prazo”, diz.

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