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Negócios

AMER3: relembre outros casos de “inconsistências” que abalaram o mercado

O escândalo da varejista, apelidada de “novo IRB”, não é o primeiro a chacoalhar a Bolsa brasileira

Por Luíza Lanza

13/01/2023 | 4:57 Atualização: 13/01/2023 | 8:00

(Foto: Aline Bronzati/Estadão)
(Foto: Aline Bronzati/Estadão)

O rombo financeiro de R$ 20 bilhões reportado pela Americanas (AMER3) na noite de quarta-feira (11) virou a pauta principal do mercado brasileiro nesta quinta-feira (12). A companhia comunicou, via fato relevante, que encontrou “inconsistências contábeis” em seus balanços.

Leia mais:
  • Americanas: minoritários já procuram meios de processar empresa
  • Americanas e o rombo de R$ 20 bi: o que fazer com as ações?
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Depois disso, o CEO da companhia, Sérgio Rial, e o diretor de relações com investidores, André Covre,  renunciaram; as ações passaram boa parte do pregão em leilão para depois abrirem a negociação na B3 com queda superior a 75%. Confira a cobertura completa do assunto.

O escândalo da varejista, porém, não é o primeiro a chacoalhar a Bolsa brasileira. Relembre outras empresas que também passaram por situações semelhantes:

IRB Brasil

O ressegurador brasileira protagonizou um dos exemplos mais recentes de “inconsistência financeira” do mercado brasileiro. O caso é tão marcante que, nas redes sociais, a Americanas vem sendo apelidada de “novo IRB” desde a noite da quarta-feira quando comunicou o prejuízo.

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Na Bolsa desde 2017, quando foi desestatizado, o IRB Brasil (IRBR3) apresentava resultados muitas vezes até superiores que os pares do setor. A crise começou somente em fevereiro de 2020, quando a Squadra, uma gestora de peso no mercado, divulgou uma carta explicando ao mercado porque estava apostando na queda das ações. A casa via uma disparidade entre o lucro contábil e lucro normalizado do IRB.

Membros do conselho da companhia foram saindo, dando início a uma crise de credibilidade que fez a CVM abrir dois processos para investigar supostas irregularidades no IRB. A empresa acabou descobrindo uma fraude de R$ 60 milhões em bônus pagos a executivos e teve que republicar os balanços referentes aos anos de 2019 e 2018 por suspeitas de manipulação de dados.

As polêmicas fizeram as ações dissolverem 81,78% ao longo de 2020, ano em que a empresa reportou prejuízo de R$ 1,5 bilhão. Relembre detalhes nesta reportagem da época. Desde então, o IRB vive um processo de recuperação judicial.

Quem auditava os balanços do IRB era a PcW, auditoria que aprovou sem ressalvas as demonstrações financeiras da Americanas. Contamos mais sobre a PcW nesta reportagem.

Banco Panamericano

Atualmente chamado de Banco Pan (BPAN4) na Bolsa, o banco Panamericano também descobriu em 2011 irregularidades em seus balanços de 2010. O resultado? Um prejuízo de R$ 4,3 bilhões, investigado inclusive pelo Banco Central, que concluiu que a Deloitte, auditoria que aprovou também sem ressalvas as demonstrações financeiras da companhia, falhou no caso.

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Segundo identificou o BC, a instituição mantinha em seu balanço ativos que já haviam sido vendidos a outros bancos, além de registros duplicados de venda de carteiras, inflando o resultado do Panamericano.

Banco Nacional

O Banco Nacional era uma das maiores instituições financeiras privadas do País na década de 1990. Em 1995, porém, o banco teve um prejuízo de 581% resultado de uma fraude que só foi descoberta anos depois pelo Banco Central (BC). Um artigo da Fundação Getúlio Vargas, entitulado “Banco Nacional: jogo de Ponzi, PROER e FCVS” mostra que as irregularidades deixaram um rombo de R$ 5,36 bilhões na instituição, que precisou ser salvo com dinheiro público à época.

Quem fazia auditoria dos balanços do banco era a KPMG Peat Marwick, que não conseguiu detectar nenhuma irregularidade. Anos depois, sabe-se que a instituição utilizava do “Esquema Ponzi”, uma espécie de pirâmide financeira, para renovar continuamente seus empréstimos.

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