Quarto trimestre reforça tendências positivas do setor construção e mercado espera bons resultados. (Imagem: Adobe Stock)
Os resultados financeiros das construtoras no quarto trimestre de 2025 (4T25) começam ser divulgados nesta quinta-feira (4), após prévias operacionais que indicaram leve desaceleração nas vendas, mas eficiência nas operações. Com ações em alta de dois dígitos, é neste contexto de euforia que os investidores passam a avaliar se as margens e o lucro vão confirmar o momento positivo do do setor de construção civil na Bolsa de Valores.
A Tenda (TEND3), que engatou alta de mais de 40% no último mês, inaugura a temporada de resultados das construtoras. A companhia é um dos principais operadores do segmento de baixa renda, estimuladas pelo Minha Casa Minha Vida (MCMV), programa de incentivo habitacional do governo federal.
No geral, os investidores enxergam que as empresas desse grupo, entre elas Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Plano&Plano (PLPL3), vão seguir apresentando crescimento nas margens de lucro. “O quarto trimestre reforça as tendências positivas do setor como um todo. Então, o momento é muito bom e isso se traduz nos resultados”, comenta o analista dereal statedo Bradesco BBI, Pedro Lobato.
Segmento popular tem funding bilionário a juros subsiados
De forma geral, o segmento se beneficia dos recursos abundantes do MCMV, com juros subsidiados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o comprador. Com reforço do Fundo do Pré-Sal, os clientes de baixa renda têm à disposição cerca de R$ 200 bilhões em crédito imobiliário.
Além disso, o setor se beneficia de uma vantagem na demografia, com muitas famílias se formando e comprando seu primeiro imóvel. Completa o cenário positivo as empresas rodando com baixo nível de endividamento e bem posicionadas para atender a clientela, na avaliação de analistas.
No segmento de média e alta renda, a conjuntura de juros altos (a Selic ainda está em 15% ao ano) impõe desafios maiores, mas as empresas também se beneficiam da questão demográfica e de operações mais enxutas.
“Por mais que o operacional esteja marginalmente piorando por conta do juro alto, as empresas têm sido muito resilientes”, comenta o analista do Bradesco BBI. Lobato enxerga um dos melhores momentos da história em termos de estrutura financeira, com balanços equilibrados e baixa alavancagem.
“Ninguém tem um risco de quebrar, de ter surpresa muito negativa, repentina”, afirma.
Empresas de média e alta renda sofrem mais com juros
Na categoria de média e alta renda, a Cyrela (CYRE3) aparece como o destaque, não só pelo operacional, que acelerou as vendas de estoques no quarto trimestre (48,6% das vendas totais, contra 41,3% no 3T25), mas também porque é a ação que mais se beneficia do fluxo de entrada de capital estrangeiro na Bolsa. A companhia valorizou quase 50% em seis meses.
A CYRE3 é a top pick do setor para o Santander. “A companhia reportou mais um trimestre forte, com lançamentos e pré-vendas acima das nossas expectativas, forte contribuição das vendas de imóveis de estoque e desempenho de destaque da marca Vivaz (segmento popular da empresa) ao longo de 2025″, diz o Santander, em relatório sobre as prévias operacionais das empresas de construção.
Apesar do cenário favorável, o setor depende das variáveis macroeconômicas. Para alguns analistas, o principal gargalo que as empresas podem enfrentar daqui pra frente, apesar da tendência positiva de redução de juros, vem do custo de mão de obra. “Isso pode afetar as margens, mas é um desafio que o setor tem de achar alternativas com novas tecnologias para se proteger”, comenta Lobato.
O que o mercado espera para os resultados das principais empresas do setor no 4T25?
Tenda (TEND3)
Divulga resultados nesta quinta-feira, após o fechamento do mercado. BTG Pactual recomenda compra e vê uma margem líquida de 14,3%, com lucro de R$ 109 milhões para uma receita líquida de R$ 1,04 bilhão.
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A margem de Tenda deverá ficar abaixo dos pares por conta da Alea, divisão de casas off-site da companhia, que vem diluindo a margem consolidada. A Alea fabrica a casa fora do canteiro para fazer a montagem no local.
Direcional (DIRR3)
Balanço sai na segunda-feira (9), após o pregão. Consenso do mercado financeiro aponta para resultados levemente inferiores na comparação anual e trimestral, mas com companhia apresentando boa performance, com margem líquida acima de 18% e margem operacional medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 26,7%.
A empresa começa 2026 com uma alavancagemmaior e, consequentemente, uma despesa financeira maior. Isso explica a redução das estimativas de lucro.
MRV (MRVE3)
Resultado também na segunda-feira, pós-fechamento. Construtora entregou números operacionais sólidos, com a geração de caixa se destacando após um 3T25 fraco, apoiada pela aceleração em programas habitacionais regionais, mas com mudanças em relação às transferências da Caixa. “A geração de caixa teria sido potencialmente R$ 104 milhões maior se não fosse isso”, analisa Santander. Mercado vê margens mais apertadas em comparação aos pares do setor.
Cury (CURY3)
Números saem na próxima terça-feira (10), após mercado. Expectativa é de crescimento forte no lucro na casa de 50% na comparação anual. Para muitos analistas, esta deve ser a melhor operação do 4T25 do setor. Analisando as prévias da empresa, Santander avalia que a Cury voltou a se destacar devido à sua geração de caixa recorde, mantendo a melhor velocidade de vendas da categoria e níveis de estoque disciplinados.
Moura Dubeux (MDNE3)
Balanço dia 11 de março, depois do pregão. Mercado prevê um crescimento de mais de 100% no lucro líquido da empresa no 4T25 contra o 4T24 e queda na comparação trimestral. “Fomos surpreendidos pelo resultado do 4T25 da MDNE3. Projetávamos que a companhia encerraria o ano com R$ 4,0 bilhões em lançamentos, mas o realizado foi de R$ 4,6 bilhões. Pelo lado negativo, o VSO (velocidade de vendas) abaixo do esperado chamou atenção”, comentou Caio Borges, analista da Eleven Financial.
Eztec (EZTC3)
Resultado em 12 de março, após fechamento. Uma das representantes do segmento de médio e alto padrão, não está animando o mercado para os resultados do quatro trimestre. A construtora vem de nove meses considerados bons do ponto de vista de crescimento de receita e rentabilidade, mas a expectativa é de uma piora no 4T25, com uma queda de 9% no lucro na comparação anual e de 30% em relação ao 3T35.
Plano&Plano (PLPL3)
Também em 12 março sai o resultado. Construtora registrou um trimestre muito forte, com pré-vendas líquidas robustas, forte melhora no indicador de vendas sobre oferta (VSO), redução dos estoques e baixos níveis de cancelamento, o que reforça seu “sólido posicionamento competitivo dentro do programa MCMV em São Paulo”, comenta os analista do Santander sobre a prévia da empresa. Mercado prevê melhora nas margens.
Cyrela (CYRE3)
Divulga números em 19 de março, após fechamento. Companhia reportou um trimestre forte na prévia operacional, com lançamentos e pré-vendas acima das expectativas, forte contribuição nas vendas da marca popular Vivaz. Na parte financeira, o mercado espera resultados muito fortes por questões contábeis, com margem próxima de 34% e lucro líquido de R$ 650 milhões (crescimento de 30% ano contra ano e 64% no trimestral).
Even (EVEN3)
O resultado do 4T25 sai 23 de março, depois do pregão. Mercado não está muito animado com os números financeiros da Even após a empresa reportar um desempenho fraco de vendas no último trimestre de 2025, pela baixa absorção abaixo dos novos lançamentos. Além disso, o baixo nível de entregas no trimestre também pode pressionar a geração de caixa no curto prazo. BTG é neutro no papel e mercado estima prejuízo no 4T25 na casa de R$ 14 milhões.
Outras construtoras
Outras empresas do segmento de médio e alto padrão que também vão divulgar seus resultados no quarto trimestre de 2025 (4T25) são a Mitre (MTRE3), no dia 5 de março, com expectativas mais pessimistas para pequena margem de 6% de lucro; a Trisul (TRIS3), dia 5 de março; a Lavvi (LAVV3), em 11 de março, com o mercado otimista esperando margens de lucro perto de 20% no trimestre; e a Helbor (HBOR3) fechando a temporada de balanços das construtoras, sem muita animação do mercado em relação a seus números.