Banco do Brasil (BBAS3) vê lucro pressionado e aposta em ajuste no agro para 2026
Banco estatal pretende reduzir risco na carteira do agronegócio após resultados decepcionantes no último balanço; resultados do 4T26 sai dia 13 de maio
BTG Pactual vê risco de novos resultados fracos do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2026 (Foto: Adobe Stock)
O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou no último balanço (4T25) lucro de R$ 5,74 bilhões e retorno sob o patrimônio líquido (ROE) de 12%, bem abaixo dos pares como Itaú (24,6%) e Santander (17,6%). Às vésperas da divulgação dos novos resultados no dia 13 de maio, relativo agora ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), o CFO Giovanne Tobias afirmou que “2025 foi o ano mais desafiador para a história” da casa. Para 2026, o BB pretende reduzir a carteira de provisão do agronegócio.
“O Banco do Brasil, com seus 200 anos de história, sempre quis gerar valor para seus clientes e seus acionistas”, disse Tobias, abrindo o BB Day nesta quinta-feira (23). O evento está sendo realizado em São Paulo e é fechado para analistas e imprensa. O banco convidou seus executivos para explicar os objetivos da companhia em 2026.
“Montando uma série histórica dos últimos dez anos, desde 2014 a média de provisão que o BB fazia trimestralmente era em torno de R$ 5 bilhões, mas em 2025 fica nítido que praticamente triplicou o volume de provisões”, explica o CFO – foram R$ 18 bilhões ano passado. “Eu sei que o mercado ficou bastante assustado e o BB foi corajoso ao suspender o guidance(projeções da companhia) – 2025 se mostrou completamente fora da curva daquilo que historicamente a gente vinha observando”, acrescenta.
Parte do crescimento da provisão veio da carteira de crédito, mas o custo do risco partiu de 2,5% em 2014, chegou a 3,5% em 2024 e, em 2025, alcançou os 5,3%. “Em 2024, atingimos mais de R$ 1 trilhão em crédito, nosso compromisso está em garantir a sustentabilidade no longo prazo”, afirmou o executivo no BB Day.
Geovanne Tobias, vice-presidente de Gestão Financeira e RI do BB (Foto: William Seixas/Banco do Brasil)
“Queremos trazer a trajetória do BB”, diz o CFO sobre a carteira agro
Tobias afirma que analistas tendem a olhar para o desempenho do trimestre, mas “queremos trazer, nessa perspectiva, a trajetória do BB”, defendeu. Em relação ao risco de crédito, há um fator preponderante para o seu aumento: “Sem dúvida alguma, a carteira agro”, enfatiza o CFO. “É um dos principais propósitos financiar o setor mais pujante do nosso País hoje”, disse o executivo, explicando que o banco não deixará o agronegócio de lado, apenas reorganizará a forma com que lida com o setor.
Ao observar a carteira ao longo dos últimos 11 anos, a partir de 2023/2024, no pós-pandemia, houve uma desorganização das cadeias produtivas. “Eu chamaria aqui de tempestade perfeita, com conflito Rússia e Ucrânia, alavancagem do produtor rural, Selic alta, queda da soja em 2023 e eventos climáticos severos, como no Rio Grande do Sul”, afirmou Tobias.
“Sem dúvida alguma, tinha alguma coisa fora do compasso [com relação à carteira agro]”, disse o CFO.
O executivo encerrou seu discurso no BB Day afirmando que, no último trimestre, foram R$ 10 bilhões na carteira de provisão do agro e que, para 2026, o Banco do Brasil (BBAS3) pretende reformular sua estratégia.