Por volta das 11h30 (de Brasília), o Brent para junho avançava 0,71%, a US$ 102,63. O WTI subia 0,55%, a R$ 93,47, permanecendo próximo das máximas recentes, um indicativo de um mercado que alterna direção sem perder o prêmio de risco embutido nos últimos dias.
Na B3, as ações do setor de petróleo avançam. Os papéis da Brava Energia (BRAV3) lideram os ganhos às 11h30, com alta de 3,58%, a R$ 21,13. Já a Petrobras (PETR3; PETR4) registra desempenho mais contido, com PETR3 subindo 0,25%, a R$ 52,29, e PETR4 avançando 0,11%, a R$ 47,18. No mesmo sentido, a PetroReconcavo (RECV3) ganha 0,44%, a R$ 13,66, enquanto a PRIO (PRIO3) tem leve alta de 0,06%, a R$ 62,74.
Ormuz no centro da precificação
O principal vetor recente de alta foi a deterioração das condições de segurança no Estreito de Ormuz. A apreensão de navios pelo Irã e relatos de ataques a embarcações na região elevaram o nível de alerta sobre a principal rota de escoamento de petróleo do mundo.
A relevância do estreito — por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no planeta —para o fluxo global transforma qualquer incidente em um catalisador imediato para os preços. Em um mercado já apertado, a possibilidade de interrupções logísticas amplia o prêmio de risco e reforça a volatilidade.
O tom de risco ganhou intensidade após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que ordenou à Marinha americana que atire contra qualquer embarcação envolvida na instalação de minas na região. A medida eleva o risco de confronto direto e adiciona uma camada extra de incerteza à formação dos preços.
Desconfiança na trégua
O avanço do petróleo ocorre mesmo após a extensão do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que, para analistas, evidencia a fragilidade do acordo. A trégua reduziu o risco imediato de escalada, mas não eliminou os pontos de impasse.
Teerã condiciona a retomada das negociações ao fim de restrições impostas por Washington, enquanto os Estados Unidos mantêm pressão diplomática e militar.
O comportamento do petróleo nesta sessão reforça a mudança de regime na formação de preços. O “ouro negro” não reage apenas a eventos concretos, mas à probabilidade de avanço ou frustração das negociações no campo diplomático.
Com informações do Broadcast