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Copom: maioria do mercado avalia que corte da Selic hoje seria decisão justificável

Pesquisa do BTG mostra que início de corte de juros já nesta semana seria, de alguma forma, justificável para o mercado

Por Beatriz Rocha

28/01/2026 | 13:34 Atualização: 28/01/2026 | 13:34

Fachada do Banco Central, em Brasília: Copom define a taxa Selic a cada 45 dias e orienta a política monetária do país. (Foto: Adobe Stock)
Fachada do Banco Central, em Brasília: Copom define a taxa Selic a cada 45 dias e orienta a política monetária do país. (Foto: Adobe Stock)

Uma pesquisa do BTG Pactual indica que a maioria dos participantes do mercado espera a manutenção da Selic em 15% nesta quarta-feira (28). Ainda assim, 49% dos respondentes avaliam que um início do ciclo de cortes já nesta semana seria uma decisão “plenamente justificável” à luz das condições atuais de inflação, atividade e política monetária, enquanto 19,7% a veem como “parcialmente justificável”, ainda que envolva riscos relevantes.

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Na outra ponta, 3% consideram a decisão de cortar juros em janeiro “neutra”, 21,2% a veem como “questionável”, podendo comprometer o processo de convergência da inflação à meta, e 7,6% consideram que isso seria um “erro de política monetária”, dada a persistência dos riscos inflacionários.

A pesquisa do BTG foi realizada com 66 participantes do mercado entre os dias 26 e 27 de janeiro, véspera da divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Os participantes são majoritariamente gestores de carteiras, traders, economistas e estrategistas de instituições financeiras.

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Na avaliação dos respondentes, o tom do comunicado do Copom tende a ser predominantemente neutro, com parcela menor enxergando viés dovish (menos duro, propenso ao corte de juros). A maioria prevê ajuste marginal na frase em que o Banco Central (BC) avalia que a estratégia de manter a Selic em patamar contracionista é adequada e metade projeta a remoção total do trecho “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste”.

Em relação às estimativas do BC, 65% dos participantes esperam que a projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, permaneça em 3,2%, enquanto 31% projetam um patamar de 3,1% ou menos.

Para março, 68% dos respondentes projetam um corte de 50 pontos-base na Selic. Ao fim de 2026, as projeções estão distribuídas, mas convergem para o intervalo de 12% a 12,5%, somando cerca de 71% das respostas, o que manteria a política monetária em território contracionista ao longo do ano.

Os participantes também foram questionados sobre o cenário econômico: 53% avaliam que o contexto externo melhorou moderadamente para o processo de desinflação no Brasil. Internamente, a percepção sobre a dinâmica da inflação é positiva, com 47% apontando melhora moderada desde a última reunião. Já para a atividade econômica doméstica, 50% observam que não houve mudança relevante na evolução dos indicadores.

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Quanto à inflação, a distribuição das expectativas reforça a leitura observada no Boletim Focus: 61% dos participantes projetam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 3,5% e 4,0% em 2026, 29% entre 4,0% e 4,5% e 11% abaixo de 3,5%. O balanço de riscos para essa projeção é avaliado como neutro por 47%, com 36% enxergando assimetria para baixo.

Sobre o câmbio, 53% dos respondentes projetam o dólar entre R$ 5,30 e R$ 5,40 nos próximos 3 a 6 meses, com 41% enxergando apreciação para patamar abaixo de R$ 5,25. Na sessão desta quarta-feira (28), a moeda americana voltou a cair e virou para alta no meio da sessão, após bater o menor valor de encerramento desde 28 de maio de 2024 no último pregão.

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