Veja o desempenho do dólar hoje. Foto: Adobe Stock
O dólar hoje fechou no positivo em meio às atenções do mercado sobre os próximos passos da trajetória de juros nos Estados Unidos e temores renovados sobre uma bolha de ações ligadas à Inteligência Artificial (IA). Na abertura desta sexta-feira (21), a divisa americana abriu o dia com alta de 0,30%, cotada a R$ 5,3546. No final do dia, a moeda avançou 1,18%, a R$ 5,4015, e chegou ao maior valor desde 17 de outubro – quando encerrou o dia cotada a R$ 5,4055.
Na quinta-feira (20), o Departamento do Trabalho nos Estados Unidos informou que a maior economia criou 119 mil empregos em setembro, em termos líquidos. Os números que superaram as estimativas mais otimistas de Wall Street aumentaram as incertezas sobre a decisão de juros do Federal Reserve (Fed, banco central americano) para as próximas reuniões. O departamento ainda informou que os dados de emprego de outubro e novembro serão publicados em 16 de dezembro.
“Isso significa que o Fed tomará sua próxima decisão de juros sem ter acesso aos dados atualizados — um período de ‘blackout’ econômico. Essa incerteza assimétrica de informação aumenta a volatilidade e reforça a expectativa de manutenção de juros”, avalia William Castro Alves, estrategista chefe da Avenue.
Os resultados financeiros da Nvidia também não ajudaram a minimizar o pessimismo dos investidores. Na quarta-feira (19), a big tech reportou um lucro líquido de US$ 31,91 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026, o que correspondeu a um aumento de 65% no comparativo com igual período do ano anterior. Ainda assim, o desempenho da companhia não foi o suficiente para dissipar as preocupações com uma possível bolha no setor de inteligência artificial.
A combinação desses eventos resultou na queda das bolsas americanas. Na sessão de quinta-feira (20), o índice Nasdaq cedeu 2,15%. O S&P 500 e Dow Jones também sofreram uma depreciação de 1,56% e de 0,84%, respectivamente.
Na agenda americana desta sexta, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços dos EUA subiu de 54,8 em outubro para 55 em novembro (dado preliminar), segundo pesquisa da S&P Global. O resultado ficou em linha com a previsão de analistas consultados pela FactSet.
Já a atividade no setor industrial arrefeceu, com o PMI recuando de 52,5 em outubro para 51,9 em novembro, na leitura preliminar. A expectativa era de retração menor, a 52.
O PMI composto, que engloba serviços e indústria, avançou de 54,6 para 54,8 no período. Números acima de 50 sinalizam que a atividade está em expansão.
O índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos elaborado pela Universidade de Michigan caiu para 51 em novembro, ante 53,6 em outubro, segundo levantamento final divulgado pela instituição nesta sexta-feira. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pela FactSet, mas superou a leitura preliminar, de 50,3.
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Por aqui, a atenção ficou concentrada na decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ampliou ontem a lista de isenções da tarifa de 40% para incluir mais produtos agrícolas do Brasil, em meio aos avanços nas negociações entre os dois países. Na prática, a decisão retira a sobretaxa de itens importantes para o setor exportador do País, como o café e a carne bovina.
Na ordem executiva divulgada pela Casa Branca, Trump cita a conversa telefônica que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 3 de outubro, na qual os dois líderes concordaram em abrir as discussões sobre o tarifaço. Desde então, os progressos nas negociações eliminaram a necessidade de tarifar algumas importações agrícolas, de acordo com ele.