A Eneva (ENEV3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 57 milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o lucro somou R$ 1,16 bilhão, alta de 2.655,3% em relação a 2024.
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O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado atingiu R$ 1,49 bilhão entre outubro e dezembro, avanço de 19,7% na comparação anual. No ano de 2025, o Ebitda ajustado totalizou R$ 6,51 bilhões, crescimento de 43,4% frente a 2024.
A receita operacional líquida da companhia foi de R$ 6,05 bilhões no trimestre, alta de 24,5% ante igual período do ano anterior. Em 2025, a receita somou R$ 18,41 bilhões, avanço de 61,7% na mesma base de comparação.
Apesar dos avanços em algumas linhas do balanço, o resultado financeiro do período ficou aquém do esperado por analistas de bancos, segundo relatórios do Itaú BBA e do UBS BB.
O Itaú BBA atribuiu a leitura mais fraca a maiores despesas com exploração no upstream (fase inicial da exploração de petróleo e gás, incluindo perfuração e extração do recurso) e em Despesas com Vendas, Gerais e Administrativas (SG&A, na sigla em inglês). “Além dos efeitos mencionados, observamos alguns efeitos pontuais nos negócios de trading de gás, geração em Parnaíba, bem como na holding, que também agiram majoritariamente como detratores do resultado”, disseram os analistas Fillipe Andrade, Luiza Candiota e Victor Cunha.
“Chamamos atenção para o fato de que a Eneva mais uma vez utilizou operações estruturadas na sua trading de energia para otimização fiscal entre trimestres, tal como observado no quarto trimestre de 2024”, completaram.
Os analistas também destacaram uma elevação no Capex (capital investido na aquisição, melhoria ou manutenção de ativos) da holding. Segundo eles, o movimento reforça a tese de preparação da empresa para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP 2026), com antecipação da contratação de turbinas e equipamentos críticos.
Já o UBS BB avaliou que o Ebitda ajustado ficou cerca de 8% abaixo do estimado pelo banco. “Os resultados mais fracos vieram principalmente de um Ebitda menor das usinas Parnaíbas devido a custos variáveis mais altos do que o esperado, levando a uma margem Ebitda de 33% contra 54% da nossa estimativa, embora parte disso seja explicada pelo forte despacho no trimestre e margens variáveis apertadas”, disseram os analistas Giuliano Ajeje, Henrique Simões e Matheus Enfeldt.
A instituição também destacou ganhos ainda em pequena escala com gás natural liquefeito (GNL), o novo relatório de auditoria para as reservas de gás em Parnaíba no fim de 2025 e o aumento dos investimentos no projeto Azulão 950, que inclui plantas de liquefação de gás e desenvolvimento upstream.
Ao fim do trimestre, a dívida líquida consolidada da companhia somava R$ 16,95 bilhões, acima dos R$ 15,5 bilhões registrados no terceiro trimestre. Ainda assim, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda ficou em 2,6 vezes, ligeiramente abaixo das 2,7 vezes do trimestre anterior.
Apesar da leitura mais fraca do trimestre em relação às estimativas, os dois bancos mantêm visão positiva para a companhia. O Itaú BBA reiterou recomendação de compra (outperform) para a ação, com preço-alvo de R$ 23,80. Já o UBS BB também recomenda compra para o papel, com preço-alvo de R$ 27,00.
Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast.