A nova meta de inflação contínua, válida desde 2025, é apurada com base na inflação acumulada em 12 meses. Se a taxa ficar acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. O centro da meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.
As medianas do Focus já indicam que a inflação em 12 meses vai superar 4,50% em junho deste ano, quando atingiria 4,56%. Depois, a taxa aceleraria a 4,80% em agosto, a 4,90% em dezembro e a 4,94% em janeiro de 2027, antes de atingir 4,80% em fevereiro do ano que vem. Como a taxa fica acima do teto da meta em todo esse período, o BC perderia oficialmente o alvo em novembro de 2026.
As taxas foram calculadas pela Broadcast com base nas medianas do sistema para o IPCA mensal, considerando todas as estimativas atualizadas nos últimos 30 dias úteis. As projeções do Focus já vinham se movendo para cima e indicando o risco de o BC perder novamente a meta de inflação.
A meta contínua foi descumprida pela primeira vez em julho de 2025, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA fechou junho com alta de 5,35% em 12 meses – acima do teto, de 4,50%, pelo sexto mês seguido. No mesmo dia, o BC publicou uma carta aberta ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para explicar o descumprimento.
Selic
Com a alta nas expectativas de inflação, o mercado também passou a ver menos espaço para cortes na Selic. As medianas do Sistema Expectativas indicam que o BC vai diminuir os juros em 0,25 ponto porcentual nas duas próximas reuniões, levando a Selic a 14,25% em junho. Antes, a expectativa era de um corte de 0,50 ponto no sexto mês do ano, a 14%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano, no dia 18 de março. Foi a primeira diminuição da taxa de juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), no dia 26 de março.
Ele disse que o “conservadorismo” da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.
“Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária.
A trajetória de juros do Focus indica que a Selic vai cair a 13,75% em agosto, 13,25% em setembro e 13% em novembro, e vai ser mantida neste nível na última reunião do Copom de 2026, em 9 de dezembro.