A empresa ampliou o prejuízo líquido das operações continuadas para R$ 1,347 bilhão no primeiro trimestre de 2026, ante perdas de R$ 93 milhões registradas em igual período do ano anterior. O resultado foi pressionado principalmente por efeitos não recorrentes e sem impacto no caixa, que somaram R$ 1,014 bilhão no trimestre.
Para a companhia, os principais impactos extraordinários vieram da baixa de crédito no exterior, no valor de R$ 588 milhões, além de baixas de softwares, fundo de comércio, outros ativos e impairment (deterioração) de lojas. Excluindo esses efeitos, o prejuízo líquido continuado ajustado teria sido de R$ 333 milhões no trimestre.
A receita líquida caiu 8,2% na comparação anual, para R$ 4,3 bilhões, refletindo a descontinuação do formato Aliados, impactos do portfólio de lojas e a estratégia de priorização de canais mais rentáveis no e-commerce. Ainda assim, as vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) cresceram 0,6% no período.
O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 458 milhões no trimestre, alta de 12% ante um ano antes. Assim, a margem Ebitda ajustada avançou 1,9 ponto porcentual, para 10,5%.
O resultado financeiro líquido (pós-IFRS 16) ficou negativo em R$ 382 milhões no primeiro trimestre, piora de 20% na comparação anual. Segundo o GPA, o avanço das despesas financeiras refletiu principalmente a alta da taxa Selic, além do aumento de custos relacionados a garantias vinculadas a contingências.
Já o capex (investimentos) ajustado caiu 54,8% no trimestre, para R$ 87 milhões. A redução foi puxada principalmente pela desaceleração da expansão de lojas e menores investimentos em tecnologia da informação e logística.
Plano de recuperação extrajudicial pode reduzir dívida líquida em 74%
O GPA afirmou que o plano de recuperação extrajudicial poderá reduzir sua dívida líquida pro forma em 74%, de R$ 3,2 bilhões para R$ 822 milhões. Segundo a companhia, a alavancagem financeira também teria potencial de cair de 3,6 vezes para 0,9 vez após a homologação judicial do acordo.
No primeiro trimestre de 2026, a dívida líquida do GPA, incluindo recebíveis de cartão não antecipados, somou R$ 3,201 bilhões, alta de R$ 823 milhões na comparação anual. Já a alavancagem financeira pré-IFRS 16 atingiu 3,6 vezes, ante 2,8 vezes um ano antes.
Segundo o presidente do GPA, Alexandre Santoro, a recuperação extrajudicial busca reorganizar a estrutura de capital sem afetar a operação da companhia. “O GPA carregava uma estrutura de dívida incompatível com o seu tamanho atual”, disse no release de resultados.
Com a homologação do plano, o GPA espera alongar o prazo médio da dívida de 2,1 para 6,4 anos e reduzir o custo médio do endividamento de CDI mais 1,8% ao ano para CDI mais 0,5% ao ano.
A dívida bruta financeira encerrou o primeiro trimestre em R$ 4,173 bilhões. Na visão pro forma, esse valor poderá cair para R$ 1,794 bilhão após a implementação do plano.
Capex de expansão cai de R$ 61 milhões para R$ 2 milhões no 1T26
O GPA reduziu de forma significativa os investimentos em expansão no primeiro trimestre de 2026 do Pão de Açucar. O capex destinado à abertura de lojas caiu de R$ 61 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 2 milhões em igual período deste ano.
No total, o capex ajustado da companhia somou R$ 87 milhões no trimestre, queda de 54,8% na comparação anual. Além da desaceleração da expansão de lojas, a empresa reduziu investimentos em tecnologia da informação e logística.
O GPA afirmou ainda que não prevê novas aberturas de lojas nos próximos trimestres. No período, houve apenas a conversão de duas unidades da bandeira Pão de Açúcar Fresh para o formato tradicional Pão de Açúcar. Além disso, uma loja do Minuto Pão de Açúcar foi fechada após um incêndio, sem previsão de retomada da operação.
O GPA pretende manter o capex de 2026 entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões, dentro do plano de eficiência anunciado pela companhia. “Essas iniciativas reforçam o foco na preservação de caixa e na eficiência na alocação de capital, contribuindo para a redução da dívida líquida”, disse.