Em relatório, os analistas Ricardo Boiati, Thiago Marmo e Rafael Une destacam que o sucesso da empresa depende da execução. Eles avaliam que a nova estratégia – que inclui possível venda de ativos, saída de regiões menos rentáveis e maior disciplina financeira – é correta, mas ainda carrega alto risco.
Para eles, o mercado financeiro só deve reagir positivamente quando houver melhora concreta nos resultados operacionais, especialmente em margens e geração de caixa, o que pode levar alguns trimestres para aparecer. Os profissionais apontam ainda a deterioração operacional em regiões consideradas chave para a empresa.
A Hapvida continua forte no Norte e no Nordeste, onde cresce e ganha participação, mas enfrenta dificuldades relevantes no Sul e no Sudeste, com perda de clientes e menor poder de precificação. Além disso, embora ainda tenha vantagem de custo médico (MLR) em relação aos concorrentes, essa diferença vem diminuindo, enquanto despesas comerciais e pressão competitiva aumentam, o que limita a rentabilidade.
Por fim, os analistas destacam que o cenário de lucros é bastante incerto e sensível a pequenas mudanças operacionais. O Safra revisou para baixo suas estimativas de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e lucro líquido, apontando que a empresa opera com margens apertadas e pouco espaço para erros.
Assim, mesmo com potencial de valorização moderado até o preço-alvo, a recomendação neutra do Safra reflete a combinação de riscos elevados da Hapvida (HAPV3), execução desafiadora e necessidade de evidências concretas de melhora antes de uma visão mais positiva.