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BTG e Genial: Klabin (KLBN11) entra em fase de forte geração de caixa. Como ficam os dividendos?

Analistas avaliam que a companhia vive uma virada estrutural, apesar do ciclo fraco da celulose, com custos abaixo da inflação, desalavancagem acelerada e novo ciclo de geração de caixa

Por Isabela Ortiz

10/12/2025 | 15:28 Atualização: 10/12/2025 | 15:28

Klabin (KLBN11) reforça disciplina de capital, reduz Capex e projeta forte geração de caixa após o encerramento do ciclo de grandes investimentos. (Foto: Adobe Stock)
Klabin (KLBN11) reforça disciplina de capital, reduz Capex e projeta forte geração de caixa após o encerramento do ciclo de grandes investimentos. (Foto: Adobe Stock)

A Klabin (KLBN11) saiu do Klabin Day 2025 com uma leitura praticamente unânime feita pelo BTG Pactual e Genial Investimentos: apesar do ambiente adverso para celulose e papel, a empresa está entrando em uma fase estruturalmente mais saudável, marcada por custos sob controle, Capital Expenditure (Capex) menor, desalavancagem acelerada e uma trajetória clara de geração de caixa. O BTG resumiu esse momento como “mercados difíceis, mas progresso constante”, enquanto a Genial foi ainda mais direta ao afirmar que “os fundamentos estão melhorando, mas o mercado não está enxergando isso”.

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O ponto mais celebrado pelos analistas foi a evolução dos custos. Ambos destacam que a Klabin está no quarto ano consecutivo com custos crescendo abaixo da inflação, algo raro no setor. Para 2025, o guidance é de R$ 3.100 a R$ 3.200 por tonelada, avançando para R$ 3.200 a R$ 3.300 em 2026, uma alta de apenas 3,2%, bem abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje (10), de 4,46% em 12 meses e 0,18% em novembro.

Mesmo enfrentando pressão climática, frete internacional elevado e inflação salarial, a empresa conseguiu compensar com ganhos de escala, produtividade após paradas e monetização de terras, que reduziram custos em até R$ 70 por tonelada. Para os analistas, esse comportamento não é conjuntural: trata-se de uma mudança estrutural na competitividade operacional da Klabin (KLBN11).

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Outra mensagem forte dos relatórios é o fim do grande ciclo de investimentos, que envolveu máquinas como PM27 e PM28, Figueira e novas caldeiras. A partir daqui, o Capex se torna menor, mais previsível e menos pressionado por expansão. A empresa projeta R$ 2,9 bilhões em 2025 e R$ 3,3 bilhões em 2026, mantendo o total de R$ 6,2 bilhões no biênio.

Depois disso, o Capex recua de forma consistente: R$ 2,8 bilhões em 2027, R$ 2,5 bilhões em 2028 e algo entre R$ 2,0 e R$ 2,5 bilhões no longo prazo. Para os analistas, essa virada reduz a necessidade de endividamento e abre caminho para uma fase robusta de geração de fluxo de caixa livre.

A gestão também reforçou que o foco absoluto é disciplina de capital. O BTG e a Genial afirmam que esse foi “o tom da apresentação”. A alavancagem caiu para 3,3x Dívida Líquida/Ebtida (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) no 3T25 (redução de 1,2x no ano) e a meta é chegar a 3,0x até dezembro de 2025.

Grande parte dessa tração vem da monetização de terras, especialmente Caetê e Plateau, que já resultaram em R$ 1,8 bilhão contratados, mais R$ 900 milhões em earn-out. Segundo a Genial, R$ 600 milhões já foram recebidos, com R$ 1,5 bilhão previsto para o 4T25. A Klabin lembra que o plano não considera melhora nos preços de celulose ou kraftliner (um papel kraft de alta resistência); se o ciclo reagir, a desalavancagem será ainda mais rápida.

Kraftliner: a nova aposta da Klabin

Os analistas também explicam por que a Klabin está produzindo mais kraftliner do que papel cartão na PM28: o mercado global de coated board está pressionado por um excesso de oferta chinesa, que levou as importações na América Latina a dobrarem (70 mil toneladas, contra a média histórica de 30 mil).

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A demanda global também caiu cerca de 4%. Diante desse cenário, a empresa adiou parte da conversão para papel cartão, priorizando o que dá mais margem hoje. A projeção para 2026 é de um mix 50% kraftliner e 50% cartão. Ao mesmo tempo, a Klabin já obteve certificações para nichos premium (embalagens longa-vida, fármacos, cosméticos e lácteos) ampliando seu posicionamento estratégico.

A China pode se tornar um problema para a Klabin?

Investidores questionaram se haveria medidas antidumping contra importações chinesas. A Klabin (KLBN11) respondeu que a concorrência da China é deflacionária, alimentada por subsídios e custos de capital distorcidos, mas tende a ser cíclica e não estrutural. A Genial pondera que, se o quadro persistir, o setor pode considerar ações antidumping em papel cartão.

Dividendos bilionários

Outro destaque do evento foram os anúncios ao acionista: a empresa pagará R$ 1,1 bilhão em dividendos ao longo de 2026, um dividend yield estimado de 5%, já adaptado à nova legislação tributária, e fará uma bonificação de 1% em ações, equivalente a R$ 800 milhões, emitidos via reserva de capital e sem diluição. Segundo a Genial, o objetivo é reforçar previsibilidade, retorno ao acionista e disciplina financeira.

A Genial também enfatizou aquele que considera o maior ativo da Klabin: sua vantagem florestal. A produção de pine de alta qualidade só é possível globalmente na região de Santa Catarina (PR), onde o custo de plantar e colher é o mais competitivo do mundo.

Tanto o BTG quanto a Genial recomendam compra das ações. O BTG tem preço-alvo de R$ 24,00 (upside de 31,8%), enquanto a Genial projeta R$ 23,50 (upside de 27%). As duas casas concordam que o mercado está precificando a Klabin como se a empresa dependesse do ciclo da celulose, quando, na verdade, seus resultados já vêm majoritariamente de embalagens e integração, segmentos mais estáveis. A Genial sintetiza a tese lembrando que “as ações caíram 18% no ano sem justificativa nos fundamentos”.

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