Ações da Magazine Luiza sobem após divulgação de resultados e estratégia de expandir tecnologia de compras baseada em inteligência artificial (Foto: Adobe Stock)
As ações da Magazine Luiza (MGLU3) registram forte alta nesta sexta-feira (13), avançando cerca de 6,28% e sendo negociadas a R$ 9,99 por volta das 12h36. O movimento ocorre em meio à divulgação de resultados recentes da companhia e à sinalização de novas frentes de negócio envolvendo inteligência artificial, além de comentários da administração sobre estratégia e rentabilidade.
Entre os planos em estudo está a possibilidade de abrir para outras empresas a tecnologia de compras baseada em IA desenvolvida pela companhia. O presidente da varejista, Frederico Trajano, afirmou que o grupo avalia disponibilizar a sua plataforma de “agentic commerce“, modelo em que assistentes virtuais realizam etapas completas de compra para o consumidor.
Segundo o executivo, a tecnologia permite que o usuário finalize todo o processo de compra (da busca ao pagamento e entrega) em uma única interação com assistentes digitais, como a personagem “Lu”, integrada ao WhatsApp. Diante do interesse de outras companhias por esse tipo de solução, o Magalu estuda oferecer a infraestrutura como serviço.
“O serviço também poderia incluir a logística e os meios de pagamento do ecossistema”, afirmou Trajano.
A ideia seria transformar a tecnologia em uma plataforma que conecte diferentes empresas ao sistema já desenvolvido pela varejista. Apesar do potencial, o executivo reconhece que a expansão desse modelo ainda enfrenta desafios estruturais. Entre os principais obstáculos estão a integração das etapas finais da compra, como checkout e logística, que ainda limitam a adoção mais ampla do chamado comércio baseado em agentes de IA em outros mercados.
Parcerias e rentabilidade
Outra frente estratégica mencionada pela companhia envolve a ampliação de vendas por meio de plataformas parceiras. Nesse caso, porém, o critério principal segue sendo a rentabilidade.
Segundo Trajano, a empresa só expande esse tipo de operação quando os custos cobrados pelas plataformas garantem retorno superior ao canal direto.
As parcerias também seguem uma lógica de reciprocidade entre plataformas. Como exemplo, ele citou o acordo com o AliExpress, que prevê troca de catálogo e fluxo semelhante de clientes entre as duas empresas.
Resultados e impacto de eventos não recorrentes
No campo financeiro, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 124,7 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 10,5% na comparação anual. Já os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 867,3 milhões entre outubro e dezembro, avanço de 2,5%, com margem de 7,8%, estável em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida do trimestre alcançou R$ 11,15 bilhões, alta de 3,4% na mesma base de comparação.
Na avaliação do Citigroup, os números foram influenciados por uma série de eventos não recorrentes. Entre os fatores positivos esteve a reversão de provisões relacionadas ao diferencial de alíquota (DIFAL) do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS), enquanto entre os negativos apareceram baixas contábeis não monetárias na operação da Luizacred.
Mesmo com esses efeitos pontuais, o banco avalia que os resultados ajustados ficaram, em grande parte, dentro do esperado pelo mercado.
Estratégia prioriza caixa e rentabilidade
Segundo o diretor financeiro do Magalu, Roberto Bellissimo, a companhia optou nos últimos anos por priorizar rentabilidade e geração de caixa diante do cenário de juros elevados no Brasil.
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De acordo com ele, essa estratégia implicou desacelerar o crescimento em algumas frentes do negócio, mas ajudou a preservar os resultados da empresa.
“O trade-off [abrir mão de algo em troca de outra coisa] foi crescer um pouco menos, mas foi uma decisão de não crescer a qualquer custo”, afirmou o executivo.
No acumulado de 2025, o Magazine Luiza registrou lucro líquido ajustado de R$ 158,9 milhões, recuo de 42,6% na comparação anual. O Ebitda ajustado totalizou R$ 3,06 bilhões no período, alta de 3,4%, enquanto a receita líquida somou R$ 38,7 bilhões, avanço de 1,7%.