O primeiro alerta recai sobre o avanço das fraturas geopolíticas. Tensões envolvendo Estados Unidos, Europa, Rússia, Ucrânia e vários pontos da Ásia formam um quadro “mais fragmentado e volátil”, no qual grandes potências buscam impor zonas de influência concorrentes. Para a Moody’s, qualquer percepção de que um evento possa ter ramificações globais, como fissuras na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ou conflitos em economias de maior porte no Oriente Médio ou na Ásia, tende a provocar fuga prolongada de capitais, reprecificação de ativos e estresse de liquidez, com impacto mais severo sobre emissores de rating mais baixo.
Outro alerta, segundo a Moody’s, é a incerteza em torno da sucessão de Jerome Powell no Federal Reserve (Fed, banco central americano). Se o próximo presidente mostrar “leitura mais flexível” do mandato de estabilidade de preços e demorar a reagir a pressões inflacionárias, aumenta o risco de desancoragem das expectativas. A agência recorda que, na década de 1970, cortes antecipados de juros derrubaram a inflação apenas à custa de aperto monetário extremo anos depois. Hoje, uma curva de rendimentos mais inclinada, volatilidade nos treasuries (títulos do tesouro americano) de longo prazo e depreciação do dólar figuram entre as possíveis consequências.
Em paralelo, a forte valorização das empresas ligadas à inteligência artificial (IA) carrega o risco de correção. Para a Moody’s, qualquer frustração com ganhos de produtividade, resultados abaixo do previsto ou condições financeiras mais restritas pode deflagrar queda nas bolsas, com reflexos sobre semicondutoras, data centers, utilities e mercados imobiliários em polos de tecnologia. Mesmo que as famílias apresentem balanços sólidos, cortes de vagas e freio nas contratações podem arrefecer o consumo.
A própria aceleração da IA guarda outro revés: perdas de emprego decorrentes de ganhos de eficiência. A Moody’s calcula que, num cenário em que metade do aumento de 1% na produção por hora seja repassado à redução de mão de obra, cerca de 800 mil postos de trabalho nos Estados Unidos poderiam desaparecer, elevando a taxa de desemprego de 4,4% para quase 5%. A transição pressionaria o consumo de baixa renda e a arrecadação tributária, ao mesmo tempo que ampliaria a desigualdade e exigiria mais gasto social, com reflexo negativo sobre ratings soberanos e corporativos de setores intensivos em trabalho.
No mercado de crédito privado, o crescimento rápido e a transparência limitada formam terreno fértil para contágio financeiro. Seguradoras norte-americanas e europeias, por exemplo, alocaram 36% e 13% de seus investimentos, respectivamente, nesse segmento até 2024. Caso perdas se avolumem, fundos evergreen e interval poderiam ser forçados a vender ativos, pressionando valuations e ampliando a aversão ao risco em outros mercados.
Por fim, a Moody’s observa que os rendimentos de títulos soberanos entram em 2026 em terreno mais frágil, num momento em que grandes economias avançadas combinam déficits estruturais elevados, envelhecimento demográfico e fraca produtividade. A demanda dos investidores por prêmios maiores nas pontas longas das curvas, vista em leilões de gilts britânicos e OATs franceses, tende a encarecer o serviço da dívida justamente quando o espaço fiscal é limitado. Esse ciclo de realimentação pode tolher investimento, restringir consumo e manter elevado o risco de ajuste desordenado nos mercados.
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