Ao mesmo tempo, a percepção de algum avanço (ainda que incerto) em tratativas diplomáticas ligadas às tensões geopolíticas no Oriente Médio mantém o noticiário ditando o ritmo de petróleo, dólar e Treasuries, alternando momentos de alívio e cautela. Com o Brent acima de US$ 100, o mercado segue calibrando o risco de energia pressionar a inflação e, por tabela, prolongar o cenário de juros elevados nos EUA.
No Brasil, a reprecificação da curva externa e a maior aversão a risco acabam transbordando para os ativos locais: o Ibovespa opera no negativo, enquanto os Depósitos Interfinanceiros (DIs) avançam no dia, refletindo uma postura mais defensiva à espera de sinais sobre o quadro fiscal (incluindo o relatório bimestral de receitas e despesas) e a condução de política monetária. Perto das 14h55, o índice cedia cerca de 0,85% aos 176.144 pontos, com bancos e outras blue chips pressionando o desempenho, apesar do tom mais firme de Nova York.
No câmbio, o dólar voltou a ganhar força após ensaiar queda abaixo de R$ 5,00, acompanhando a alta dos Treasuries e a busca por proteção em um dia de volatilidade, rondando R$ 5,02, com uma alta de 0,33%.
Entre as ações que compõem o Ibovespa, o tom predominante é de ajuste, com bancos cedendo em meio a um pregão de menor apetite a risco e leitura mais dura para juros, o que costuma pesar sobre setores mais sensíveis ao custo de capital. Mesmo com o Brent em alta, Petrobras (PETR3; PETR4) não conseguiu traduzir a melhora da commodity em valorização, refletindo o ambiente mais defensivo do mercado.
Na ponta positiva, siderúrgicas avançaram após dados setoriais indicarem melhora de demanda doméstica e mudança no balanço entre importações e exportações. No noticiário corporativo, Azzas (AZZA3) se destacou em alta com notícias veiculadas na mídia sobre encaminhamentos societários, enquanto Minerva (BEEF3) e MRBF (MBRF3) caíram após notícia de suspensão chinesa a importações de frigoríficos brasileiros. Já Embraer opera no campo positivo com anúncio de memorando para cooperação industrial e estratégica no exterior, ajudando a sustentar o papel no dia.