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Como o Ibovespa superou ‘tempestade perfeita’ e fechou julho no positivo

O índice de referência da B3 subiu 4,69% e fechou o mês aos 103.164,69 pontos. Veja os principais destaques

Por Luíza Lanza

29/07/2022 | 17:19 Atualização: 01/08/2022 | 10:00

Os investidores brasileiros conseguiram em julho um pequeno alívio das perdas amargadas no primeiro semestre de 2022 com o índice de referência da B3 em alta de 4,69%, saindo dos 98.541,95 para os 103.164,69 pontos, segundo dados preliminares.

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O desempenho positivo de julho foi conquistado apenas na segunda quinzena, revertendo a tendência negativa vinda de um desastroso mês de junho que havia apresentado queda de 11,5% no Ibovespa – o pior resultado mensal desde o início da pandemia, em março de 2020; relembre.

Nos primeiros dias de julho houve uma “tempestade perfeita”, que fez muita gente acreditar que o início do segundo semestre do ano daria sequência às perdas registradas anteriormente, já que os fatores que pressionaram a bolsa brasileira em junho permaneceram em jogo.

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“Primeiro vieram os dados de inflação ruins nos EUA, que fizeram os investidores precificar a possibilidade do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) subir os juros em um ponto percentual”, diz Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos. Tratava-se de um patamar de alta bastante expressivo, visto que o ajuste de 75 pontos-base na reunião de junho já era a maior elevação na taxa de juros nos Estados Unidos desde 1994.

A possibilidade de um aperto monetário mais brusco gerou muita volatilidade nas bolsas globais, intensificando os receios de uma recessão na maior economia do mundo. Com instabilidades na China, por causa da política de lockdowns, o preço das commodities – que vinha em alta expressiva em 2022 – caiu.

“A preocupação com uma desaceleração mais forte da economia global levou a uma correção de preço das commodities, provocando quedas mais acentuadas no Ibovespa”, afirma Ricardo França, analista da Ágora Investimentos.

Mas o cenário doméstico não ficou para trás em termos de incerteza. A Câmara de Deputados aprovou, em julho, a Proposta de Emenda á Constituição (PEC) Kamikaze – pacote de benefícios sociais às vésperas das eleições que pode custar até R$ 41,25 bilhões aos cofres públicos. Entenda porque a PEC foi considerada inimiga da bolsa.

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“A PEC é uma força-tarefa do governo para ajudar a população diante do quadro inflacionário, mas que compromete o fiscal e gera uma pressão nas expectativas na trajetória da Selic. Por isso, foi bastante negativo para as ações domésticas”, explica Villegas, da Genial. Na segunda metade de julho, porém, notícias mais positivas relacionadas à situação fiscal, com surpresas na arrecadação do País, acalmaram os ânimos.

Do lado internacional, ficou sacramentado na última quarta-feira do mês a decisão do Fed de alta de 75 bps na taxa de juros norte-americana. O comunicado da instituição acalmou os investidores, dando a entender que o ritmo de aperto monetário não será na velocidade que o mercado estava imaginando. Entenda como pode impactar o Brasil.

“Nessa segunda quinzena de julho, ficou evidente que, como muita coisa ruim estava precificada, o preço das ações ficou muito atrativo. Isso permitiu que as bolsas reagissem, principalmente os ativos das empresas ligadas à economia doméstica”, destaca Filipe Villegas.

Pior para commodities, melhor para varejo

Julho foi marcado por um movimento atípico, se comparado ao comportamento das ações da bolsa brasileira nos meses anteriores. Se no início do ano foram as empresas ligadas às commodities que ajudaram a sustentar a performance, no primeiro mês do segundo semestre de 2022, foi a vez daquelas que andavam deixadas de lado.

Varejo, tecnologia e construção civil. As empresas de crescimento, que são mais sensíveis ao cenário de juros altos e por isso estavam bem descontadas, conseguiram ensaiar uma recuperação em julho; enquanto aquelas ligadas às commodities sofreram mais. Veja aqui as 5 ações que mais caíram em julho

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De forma geral, o que aconteceu foi que o mercado global, mais avesso ao risco frente ao cenário de aumento nos juros, começou a precificar uma recessão. “Um cenário de desaceleração econômica diminui a demanda por materiais, consequentemente o preço das commodities acalmaram um pouco”, explica Nicolas Merola, head de análise da Inv.

A precificação de uma recessão abriu espaço para que os juros futuros dessem uma aliviada e permitiu que as empresas que estavam performando muito mal conseguissem respirar. “As taxas de juros de longo prazo de dez anos, que chegaram a bater 3,5%, caíram para 2,67%. Isso pressionou bastante as empresas de crescimento, mas fez as empresas de commodities caírem com a perspectiva de uma demanda menor daqui para frente”, diz Jennie Li, estrategista de ações da XP.

Uma parte do

mercado começou a entender que este pode ser um movimento mais recorrente daqui para frente. O início de uma rotação de setores na bolsa saindo das posições em commodities e migrando para empresas que podem se beneficiar de um futuro corte nos juros. Mas, na avaliação de Nicolas Merola, ainda é cedo para afirmar.

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“Não estamos convencidos de que essa queda das commodities, que está sendo precificada por um início de recessão, vai ser tão rápida assim. Se tivesse que fazer uma previsão do que pode acontecer em agosto, seria o mesmo cenário que estava acontecendo antes de julho: de outperformance (desempenho acima da média) de commodities e underperformance (desempenho abaixo da média) de techs e varejo”, afirma o head da Inv.

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