Para Luiz Felipe Bazzo é CEO do transferbank, o fechamento da semana gerou ainda mais incerteza pela falta de indicadores relevantes. Por conta disso, o mercado opera mais pressionado pela aversão ao risco na tomada de decisões.
Investidores também ficaram de olho nos mercados internacionais nesta semana, que também performaram mal após a divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee), comitê de política monetária dos Estados Unidos.
“Investidores também vivem a expectativa de como será a reação ao anúncio de novos ministros antes da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reunião da cúpula dos Brics na África do Sul, sem contar o impasse da tramitação de pautas econômicas no Congresso”, afirma Bazzo.
Dierson Richetti, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital, também acrescenta que a semana se encerra com os mercados bastante impactados nesta sexta pelas informações provenientes da China, onde várias incorporadoras estatais estão apresentando prejuízo.
“Em relação às próximas semanas, a gente espera uma certa estabilidade. A gente precisa de um fato novo para o mercado voltar a subir com uma certa força, seja na questão política, seja na questão macro. Tem muitas oportunidades boas no mercado, muitas empresas voltaram para preços atrativos, mas o investidor precisa ter uma certa cautela”, destaca Richetti.
O dólar e o euro subiram 1,3% e 0,61% frente ao real na semana, atingindo os R$ 4,97 e R$ 5,40, respectivamente.
Em Nova York, na semana, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq caíram 2,11%, 2,21%, 2,59%, respectivamente.
As três ações que mais valorizaram na semana foram IRB Re (IRBR3), Vibra (VBBR3) e Sabesp (SBSP3). Veja também as que mais caíram.
IRB Re (IRBR3): 11,72%, R$ 43,74
A resseguradora protagoniza a alta da semana, com investidores animados após o Citi elevar a recomendação da ação de venda para neutro. Segundo Fabio Louzada, economista, analista CNPI e fundador da Eu me banco, o argumento da instituição foi que a empresa tem se esforçado em melhorar a rentabilidade.
A companhia também divulgou o balanço do segundo trimestre de 2023 em que mostrou um lucro de R$ 20,1 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 373,3 milhões do período anterior, o que agradou o mercado.
A IRB Re está em alta de 6,37% no mês. No ano, acumula uma valorização de 69,53%.
Vibra (VBBR3): 7,41%, R$ 17,83
Como a segunda maior alta da semana, Vibra deixou o mercado um pouco mais otimista após apresentar os resultados do segundo trimestre de 2023. Na avaliação do analista Vicente Falanga, do Bradesco BBI, e do estrategista José Cataldo, da Ágora, os números mostram que a desalavancagem continua de forma gradual.
A Vibra está em alta de 4,09% no mês. No ano, acumula uma valorização de 14,66%.
Sabesp (SBSP3): 6,55%, R$ 59,84
A companhia se destaca nessa semana com uma notícia que animou investidores que apostam na privatização. A Sabesp comunicou a adesão da cidade de São Paulo à Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário (Urae).
O movimento, segundo a avaliação do Itaú BBA, foi um marco chave para a privatização da companhia. Para o banco, a entrada facilita a negociação entre o Estado e os municípios.
A Sabesp está em alta de 2,99% no mês. No ano, acumula uma valorização de 7,2%.