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A renda fixa está mais viva do que nunca

O Focus projeta uma taxa de juros para o final de 2025, mas os contratos de juros futuros nos contam outra história

Por Vitor Miziara

03/10/2023 | 15:26 Atualização: 03/10/2023 | 15:26

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(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Quando o Copom começou o movimento de corte de juros, em julho deste ano, choveram comentários dizendo que “a renda fixa morreu”. Para começar, a taxa de juros está em 12,75% e deve terminar o ano de 2023 em 11,75%, muito perto daquele número mágico do brasileiro de ganhar 1% de rentabilidade ao mês.

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Aqui estamos falando de investimentos em renda fixa que entregam apenas a taxa de juros Selic, sem nenhum prêmio como o dos títulos pré-fixados ou pós-fixados para períodos mais longos. E os juros vão continuar caindo, segundo o relatório Focus desta semana. O report é uma pesquisa feita pelo BC com a maior parte dos players de mercado, como comentei na matéria “É possível usar o relatório Focus para investir melhor?”. Apesar de  usar ele como base para decisões de alocação, nem sempre o que vemos nas negociações de mercado se traduzem em realidade.

Enquanto no relatório Focus a expectativa para a taxa de juros ao final de 2025 permanece há semanas em 8,5%, no mercado os contratos de juros futuros nos contam outra história.

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Vamos pegar por exemplo o contrato de juros futuros para o fim de 2025 e começo de 2026, o chamado DI1F26. O “preço” desse contrato reflete quanto o mercado acredita que será a média de juros de hoje até janeiro de 2026. Ou seja, se trata de uma média e qualquer movimento trará um resultado suavizado, porém relevante para os investimentos. Afinal, os bancos emissores de títulos de renda fixa como CDB (e outros) usam esses contratos como parâmetros para decidir a remuneração dos investidores.

Em agosto esse contrato era negociado a 9,90%. Isso significa que os investidores (institucionais, em maioria) acreditavam que a média de juros daquele mês até o começo de 2026 seria de 9,90%. Ou seja, os juros que hoje estão em 12,75% teriam que cair muito para dar essa média, correto? Sim, assim como o relatório Focus mostrava na expectativa uma taxa de 8,5% lá na frente, fazendo jus ao mercado.

De lá pra cá, o mercado se estressou com a situação fiscal, as reformas demorando para sair, o preço das commodities aumentando e, principalmente, o receio de que os EUA tenha que manter a taxa de juros mais alta por mais tempo. O resultado? Esse contrato que previa uma média de 9,90% para quase 2 anos e meio subiu para 10,78%. Essa é uma alta expressiva quando pensamos no total de dinheiro que usa esse contrato como referência para empréstimos e outras dívidas, não é mesmo?

Quando os juros futuros sobem é normal ver a bolsa de valores caindo, já que o capital para as empresas alavancadas ficará mais caro e isso resultará em um resultado financeiro pior. Por outro lado, e agora trazendo o que nos importa como investidores, os investimentos atrelados à renda fixa – com indicadores como o pré-fixados e o IPCA+pré – tendem a pagar taxas maiores já que os bancos emissores usam esses contratos negociados no mercado como referência para emprestar e tomar dinheiro emprestado.

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E aí mora a grande vantagem de saber a hora de investir em renda fixa. Quem esperou as últimas semanas agora colhe os frutos de ter investido com taxas um pouco maiores.

Ou seja, até na renda fixa timing é importante. Ela não só não morreu como voltou a ficar tão viva! Vou trazer essa semana alguns estudos sobre a curva de juros e como identificar esse “timing” para investimento no grupo do Whatsapp – só clicar aqui para participar. Espero que tenha gostado do artigo e o próximo será mais importante ainda, falaremos sobre risco x retorno!

 

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