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Mercado

Como ficam os investimentos com a Selic a 11,75% ao ano?

Na última reunião de 2024, o Banco Central decidiu cortar os juros em 0,5 ponto porcentual

Por Jenne Andrade

13/12/2023 | 18:35 Atualização: 13/12/2023 | 18:42

Prédio do Banco Central em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr-Agência Brasil)
Prédio do Banco Central em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr-Agência Brasil)

Na última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realizou um novo corte na taxa básica de juros do País, em 0,5 ponto porcentual. Com isso, a Selic chega ao final de 2023 no patamar de 11,75% ao ano, conforme esperado pelo mercado.

Leia mais:
  • Como fica o Tesouro Selic com a taxa básica de juros a 11,75%
  • Poupança: quanto rende R$ 1 mil a R$ 50 mil com Selic a 11,75%
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Para 2024, a expectativa é de que os juros continuem em trajetória de queda e atinjam 9,25% ao ano até dezembro. Para Bruno Mori, economista, CFP®️ e sócio fundador da consultoria Sarfin, apesar das baixas na Selic a renda fixa segue interessante em função do “juro real” ainda considerado bastante alto.

O “juro real” é a diferença entre a taxa de juros nominal e a inflação. Em outras palavras, é quanto um investidor deve ganhar de retorno acima da inflação em um investimento. Nos cálculos de Mori, essa taxa continuará em cerca de 5% ao ano, considerada alta.

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O especialista recomenda a alocação das reservas de emergência em pós-fixados atrelados aos juros e com liquidez diária, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) que rendem 100% do CDI (taxa próxima à Selic) e o título público Tesouro Selic. “Partindo do pressuposto que o investidor já tenha uma reserva, para as pessoas físicas que puderem abrir mão da liquidez existem boas opções de investimentos em ativos isentos de imposto. É o o caso das Letras de Crédito do Agronegócio e Imobiliário (LCAs e LCIs)”, afirma.

  • Confira: As diferenças entre investir em CDB, Tesouro Direto, LCI e LCA

LCIs e LCAs, assim como os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs) são títulos de renda fixa isentos de Imposto de Renda (IR), mas que geralmente possuem baixa liquidez – ou seja, o investidor pode não conseguir resgatar o dinheiro até o vencimento dos papéis.

Essa também é a visão de Marlon Glaciano, planejador financeiro e especialista em finanças. “Com a Selic ainda em dois dígitos, temos ótimas oportunidades no cenário de renda fixa para aproveitar. Dependendo da capacidade de liquidez, o investidor também consegue aproveitar boas oportunidades em LCI, LCA, CRI e CRA”, diz.

De fato, segundo cálculos feitos pelo C6 Bank, as aplicações isentas serão os principais destaques em rentabilidade. Produtos como LCIs, LCAs e debêntures incentivadas (isentas de IR) que rendam pelo menos 96% do CDI devem acumular um retorno líquido (descontados os impostos) de 10% nos próximos 12 meses. O retorno real, subtraindo a inflação, ficará em 5,86% para essas aplicações.

Na outra ponta, o pior prêmio do levantamento, de apenas 4% de retorno real, fica com a Poupança. Isto porque a caderneta tem sua rentabilidade travada em 0,5% ao mês mais uma taxa referencial quando a Selic está acima de 8,5% ao ano – caso atual. Quando os juros estão abaixo de 8,5%, o produto rende 70% da Selic. Ou seja, continua defasado.

  • Veja também: Quanto rende R$ 500 mil na poupança?

André Alirio, analista da Nova Futura, por sua vez, vê os prefixados e títulos atrelados à inflação como grandes oportunidades na renda fixa. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, oferece um retorno de 10,55% ao ano se levado até o vencimento. Isto significa que o comprador garante uma taxa de pelo menos 10,55% a cada 12 meses, mesmo se a Selic cair abaixo disso nas próximas reuniões do Copom. “Se o investidor suportar tomar um risco maior, pode optar por títulos com vencimentos mais longos para capturar todo o benefício da queda da Selic”, afirma.

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Quando o assunto envolve crédito privado, mudanças de estratégia são esperadas para o próximo ano. Com a Selic em trajetória de queda, os títulos de empresas mais consolidadas (high grade) passam a oferecer prêmios menos atrativos. Para Guilherme Sharovsky, investment banker da Bloxs Capital Partners, é hora de começar a olhar para ativos de crédito com risco pouco mais alto, para capturar taxas maiores.

“Teremos uma boa janela no próximo ano”, afirma Sharovsky. “Quando temos diminuição da taxa de juros, os prêmios para emissões de pagadores consolidados ficam mais apertados. Isso abre espaço para o investidor alocar em high yield (operações com taxas maiores). Aqui mudamos de papéis high grade (menos arriscados) para high yield.”

Investimentos na Bolsa

É consenso de que taxas de juros menores devem beneficiar os ativos de risco. Com a Selic mais baixa, é esperado um aumento de fluxo de investidores na Bolsa em busca de retornos maiores do aqueles encontrados na renda fixa. Paralelamente, as companhias mais endividadas devem ter um alívio sobre os custos financeiros, o que deve desembocar em resultados melhores.

De acordo com Sharovsky, as principais oportunidades na Bolsa estão justamente nas empresas que foram mais impactadas pelos juros altos. “Companhias que precisam de muito capital para operar (capital intensivo) e mercado imobiliário, por exemplo”, diz.

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Alirio, analista da Nova Futura, aposta nas carteiras de dividendos como defensivas para este momento de queda da Selic. Desta forma, o investidor conseguirá uma renda passiva dentro de um portfólio resiliente a solavancos econômicos. Na outra ponta, para quem aceita mais risco, as empresas de crescimento (negócios em fase de maturação) devem ser boas oportunidades.

“Os papéis que dependem de ciclos econômicos de expansão devem se beneficiar mais do que ativos defensivos. Então carteira de dividendos e ações de crescimento são as principais escolhas que o investidor pode fazer”, afirma Alírio.

Incertezas à frente

Já a Ágora Investimentos aposta nas “bond proxy”, aquelas empresas mais resilientes, com resultados previsíveis e que costumam pagar bons dividendos, como as do setor elétrico, de saneamento e as concessionárias. Segundo a casa, apesar da inflação aparentemente mais comportada no Brasil, ainda há incertezas fiscais no radar para 2024.

A corretora projeta um déficit primário superior a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano que vem. “Diante dos desafios colocados pelo menor crescimento para 2024, sugerimos alguma dose de cautela em setores muito dependentes da atividade econômica, mas há opções em nomes específicos nos setores de varejo, educação e construção civil”, afirma a Ágora, em relatório.

Nas carteiras recomendadas para dezembro, a Ágora elenca nomes de varejistas como Carrefour (CRFB3), Lojas Renner (LREN3) e Arezzo (ARZZ3). A construtora MRV (MRVE3) aparece na carteira recomendada de Small Caps. “Com forte histórico de execução no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), esperamos que a MRV possa se beneficiar do avanço do programa no atual governo, bem como do fluxo comprador em Bolsa para os nomes do setor em meio ao processo de afrouxamento monetário”, afirma a Ágora, em relatório.

  • Saiba mais: Os mitos do “Selic não tem risco” e “nada bate o CDI”

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