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Investimentos

As 20 maiores pagadoras de dividendos em 2023 e o que esperar de 2024

Petrobras deixa de ser rainha dos proventos no Brasil e tem posto ocupado por empresa de autopeças e motores

Por Katherine Rivas

05/01/2024 | 3:00 Atualização: 05/01/2024 | 7:26

Metal Leve se tornou a maior pagadora de proventos da Bolsa brasileira em 2023. Foto: Freepik
Metal Leve se tornou a maior pagadora de proventos da Bolsa brasileira em 2023. Foto: Freepik

Oficialmente, a Petrobras (PETR4) não é mais rainha dos dividendos. Após ter perdido a liderança nos rankings internacionais de maiores pagadoras, a companhia cedeu a coroa também no Brasil para uma nova colocada: a Metal Leve (LEVE3).

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Segundo levantamento feito por Einar Rivero, diretor da Elos Ayta Consultoria, para o E-Investidor, a empresa de autopeças e motores Metal Leve se tornou a maior pagadora de proventos da Bolsa brasileira em 2023.

No acumulado de 2023, até o dia 26 de dezembro, a companhia teve um dividend yield (retorno em dividendos) de 35,80%, após remunerar os seus investidores com R$ 10,72 por ação.

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O levantamento levou em consideração os proventos anunciados ou em data-ex (um dia após a data com, limite para ter direito ao dividendo) informados pelas companhias. Embora o dinheiro já esteja provisionado, alguns proventos podem ainda não ter caído no bolso dos acionistas.

Na segunda e terceira posição ficaram as ações da Petrobras (PETR4; PETR3), com dividend yield de 29,58% e 25,85% respectivamente. Investidores que compraram a ação no começo do ano garantiram, até então, proventos de R$ 7,25 por ação ordinária e preferencial.

No quarto lugar está a fabricante de calçados Grendene (GRND3). A companhia remunerou os seus acionistas com R$ 1,39 por ação, equivalente a um dividend yield de 23%.

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À primeira vista parece que surgiu uma nova rainha de dividendos no segmento industrial, mas o investidor precisa ter cuidado para não se enganar. Renato Reis, analista da DVInvest/Blue3 Investimentos, explica que boa parte das distribuições de proventos em 2023 foi não recorrente, o que significa que o retorno elevado pode não se repetir.

É o caso da Metal Leve, que fez uma oferta de ações (follow-on) com o intuito de levantar recursos para pagar dividendos e diminuir a participação do seu controlador Mahle GmbH na companhia. A empresa anunciou uma distribuição de R$ 710,8 milhões, equivalente a R$ 5,54 por ação condicionada ao follow-on. Na oferta chegou a captar R$ 402,5 milhões.

“A Metal Leve sempre pagou dividendos, mas não no patamar de 35,80%. É importante o investidor acompanhar o histórico de distribuições da companhia”, diz Reis, que acredita que a LEVE3 deva entregar um dividend yield de 15% em 2024 – menos da metade do que pagou no ano passado. O mesmo ocorreu com a Grendene (GRND3), dona das marcas Ipanema, Melissa e Rider. A companhia pagou R$ 1 bilhão de dividendos em maio de 2023 – recurso que tinha em suas reservas de lucro.  “A soma foi de quase 16% do valor de mercado da empresa naquele momento”, observa Sergio Biz, analista focado em dividendos e sócio do GuiaInvest.

O valor estava represado entre abril de 2016 e dezembro de 2022 e só foi distribuído após o Tribunal Federal da 5ª região reconhecer o direito da Grendene de não incluir valores de benefícios fiscais concedidos pelo estado do Ceará na base de cálculo do IRPJ e da CSLL.

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Segundo Gabriel Duarte, analista da Ticker Research, o dividend yield de 23% da Grendene também não deve se repetir em 2024. “Trazendo o yield para a média histórica da empresa o retorno estaria na faixa dos 6%”, pontua.

A elétrica Auren (AURE3) também recebeu uma indenização de R$ 4,2 bilhões pela Usina Hidrelétrica de Três Irmãos, a qual distribuiu em proventos para os seus acionistas. No dia 19 de dezembro, por exemplo, chegou a pagar R$ 1,5 bilhão em proventos extraordinários aos investidores, equivalente a R$ 1,50 por ação.

Embora os analistas estejam mais entusiastas com as futuras distribuições da Auren, eles esclarecem que um dividend yield de 20,37%, como o registrado em 2023, dificilmente irá se repetir no curto e médio prazo. “Nossa perspectiva para frente são dividendos menores. A empresa antecipou o recebível de uma indenização e pagou adiantado aos seus acionistas anos de dividendos. Esperamos um dividend yield de 4% a 5% nos próximos anos”, afirma Luan Alves, analista-chefe da VG Research.

E a Petrobras?

Uma das principais alterações na empresa em 2023 foi na política de dividendos, que passou a destinar 45% de seu fluxo de caixa livre ao pagamento de proventos. Anteriormente, a Petrobras desembolsava 60% do fluxo de caixa livre desde que a dívida da empresa estivesse abaixo de US$ 65 bilhões.

A companhia abandonou também a política de preços de paridade de importação (PPI), que acompanhava os preços do petróleo internacional – estratégia que permitiu por anos que a empresa tivesse lucros extraordinários. Outra mudança foi a recente criação de uma reserva de capital para dividendos, que na visão do mercado pode limitar distribuições de proventos extraordinárias no curto prazo.

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Todas essas mudanças deram espaço para cortes nas distribuições, o que se refletiu também no retorno em dividendos. Em 2022, a Petrobras chegou a ter um dividend yield de 58,84% e R$ 16,74 por ação – retorno que caiu praticamente pela metade em 2023, para 29,58%, totalizando R$ 7,25 por papel.

A expectativa dos analistas é de que a Petrobras continue distribuindo valores elevados, mas longe dos retornos já registrados. Para Duarte, da Ticker, devido ao patamar elevado do petróleo, que não deve ficar abaixo de US$ 70 o barril em 2024, a Petrobras pode pagar bons proventos.Ele projetaa um dividend yield de 16% para PETR4.

Já na DV Invest, o dividend yield esperado para a Petrobras em 2024 é de 13%. Na VG Research, a expectativa é de dividendos de 9%. Quando observadas as distribuições em bilhões, a Petrobras ainda conseguiu se manter na liderança, após ter desembolsado R$ 76,45 bilhões de janeiro até setembro, revela levantamento de Rivero. Na segunda posição ficou a Vale (VALE3), com R$ 17,77 bilhões distribuídos. Ambas as companhias foram responsáveis por R$ 94,22 bilhões de um total de R$ 189,35 bilhões de 353 empresas listadas.

Contudo, em 2022, as distribuições de Petrobras e Vale somaram R$ 230,79 bilhões, sendo R$ 194,61 apenas da Petrobras.

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