O preço do material escolar também deve subir. A Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE) espera uma alta entre 7% e 9% para este ano letivo.
Para encaixar os aumentos no orçamento, as famílias deverão fazer uma análise das despesas, afirma Paula Sauer, coordenadora do Laboratório de Finanças Pessoais da ESPM. Para a economista, esse é o momento de rever gastos mensais fixos, especialmente aqueles que estão em débito automático e que acabam passando desapercebidos. É o caso de pacotes de internet e TV por assinatura, serviços de streaming e planos de academia, por exemplo.
O ideal é que as famílias coloquem todos esses gastos em uma planilha para ver de onde vêm as maiores despesas. Um reajuste acima da inflação na mensalidade escolar pode assustar, mas a economista acredita que com algumas mudanças é possível absorver esse aumento sem tanto sacrifício.
“Conheci um casal de professores que prezavam muito por uma boa educação de suas filhas e estavam incomodados pensando que talvez tivessem que mudar as meninas de escola. Durante a fotografia financeira, uma das etapas do planejamento financeiro, se deram conta de que gastavam mais com alimentação fora de casa do que com a mensalidade escolar. Foi um choque e uma surpresa boa. Mudaram a rotina de alimentação e puderam manter o que para eles era fundamental”, exemplifica a economista.
Negociar desconto na mensalidade
Outra solução consiste em negociar com a escola um desconto na mensalidade. Famílias que costumam pagar todos os meses sem atraso ou antes do prazo podem usar tal pontualidade a seu favor. Pais de alunos com boas notas e bom comportamento também podem tentar buscar uma bolsa de estudos. Em alguns casos, irmãos e primos que estudam na mesma instituição podem conseguir redução nas mensalidades.
Eduardo Trigueiro, educador financeiro do Sicoob, ressalta que a negociação fica mais difícil em janeiro, pois as instituições de ensino costumam disponibilizar descontos para aqueles que conseguem antecipar as renovações de matrículas para os meses de outubro, novembro e dezembro do ano anterior.
Caso não haja redução do valor da mensalidade, a recomendação do especialista é tentar cortar outros gastos ou encontrar novas fontes de receita, organizando o orçamento para se antecipar ao aumento.
“Sabemos que a maior parte da população brasileira já vive com o mínimo e não tem como reduzir despesas. Para estes casos, uma solução pode ser o investimento em qualificação para conseguir empregos com melhores salários e benefícios ou até a famosa renda extra, com a venda de produtos ou prestação de serviços nas horas livres”, sugere.