A Bolsa brasileira ignorou o movimento das ações da Vale (VALE3), de maior peso para o índice, que conseguiram encerrar no campo positivo. Ao longo da sessão, investidores repercutiram o balanço da mineradora divulgado na quinta-feira (22), que reportou lucro líquido de US$ 2,418 bilhões no quatro trimestre de 2023, queda de 35% ante igual período de 2022.
Para Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital, as linhas de receita líquida e Ebtida (Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa vieram dentro do esperado. “O grande destaque da semana, na minha opinião, foi a Vale (VALE3), mesmo com a provisão de US$ 1,2 bilhão que impactou o lucro líquido da empresa, por conta dos processos em andamento relacionados ao rompimento da barragem da Samarco, em Mariana”, afirmou.
Em contrapartida, os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4), também de grande peso para o Ibovespa, recuaram na sessão, acompanhando o movimento do petróleo no exterior.
Quem também sofreu no pregão foram os ativos do setor financeiro, em meio à desvalorização das ações da B3 (B3SA3), após a publicação do balanço do quarto trimestre de 2023 da empresa.
Em Nova York, S&P 500 e Dow Jones subiram 0,03%, e 0,16%, respectivamente, enquanto Nasdaq caiu 0,28%. As ações do setor de tecnologia recuaram e penalizaram o mercado, em um movimento de ajuste após a euforia da véspera, quando os resultados da Nvidia (NVDA) animaram Wall Street. Na próxima semana, investidores estarão atentos à divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), dado preferido do Federal Reserve (Fed) para monitorar a inflação.
Nesta sexta, o dólar subiu 0,8%, cotado a R$ 4,993. O euro também operou no campo positivo e avançou 0,8% frente ao real, sendo negociado a R$ 5,404 ao final do pregão.
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Casas Bahia (BHIA3), Pão de Açúcar (PCAR3) e Raízen (RAIZ4).
Casas Bahia (BHIA3): -6,93%, R$ 8,33
As ações da Casas Bahia (BHIA3) registraram a maior baixa do Ibovespa no último pregão da semana. Os papéis da varejista encerraram a sessão em queda de 6,93%, sendo negociados a R$ 8,33.
Segundo Fernandes, da A7 Capital, o movimento refletiu o ceticismo do mercado em relação aos resultados da empresa, que serão divulgados em março. Para o analista, um forte fluxo vendedor também pressionou os ativos no dia.
A BHIA3 está em alta de 5,58% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 26,8%.
Pão de Açúcar (PCAR3): -5,03%, R$ 3,78
Os papéis do Pão de Açúcar (PCAR3) sofreram pela segunda sessão consecutiva e encerraram em baixa de 5,03%, cotados a R$ 3,78. No pregão da véspera, os ativos da empresa já haviam liderado as perdas do Ibovespa, após caírem 6,79%, a R$ 3,98, com investidores reagindo ao balanço do quarto trimestre de 2023 da rede de supermercados.
A PCAR3 está em baixa de 3,32% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 6,9%.
Raízen (RAIZ4): -4,16%, R$ 3,69
As ações da companhia encerraram o dia em queda de 4,16%, sendo negociadas a R$ 3,69, sem nenhuma notícia corporativa no radar dos investidores.
A RAIZ4 está em baixa de 3,66% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 8,44%.
*Com Estadão Conteúdo